Ano de cursinho: bom ou ruim?
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Ano de cursinho: bom ou ruim?

Redação

10 Novembro 2009 | 00h35

“Quando, no ano passado, vi que não havia passado na Fuvest, fiquei extremamente decepcionado comigo mesmo… Justamente na época, estava passando uma minissérie sobre a cantora Maysa, e eu associava à minha situação a música dela: “Meu mundo caiu…”

De fato, para mim, parecia que o meu mundo havia caído, não conseguia conceber a ideia de ter de ficar um ano para trás em relação aos outros, estava com aquelas neuroses de que “a fila anda” e eu não podia ficar atrás! Ter de enfrentar o famoso “ano de cursinho” seria, usando a gíria mais atual, “a treva”!

Agora, depois do “ano de cursinho” praticamente enfrentado, avalio que meu pensamento estava completamente errado! Pode parecer “desculpa de perdedor”, mas hoje dou graças a Deus por não ter passado e por ter tido a oportunidade de viver o “ano do cursinho”.

Na realidade, acho até que o nome “cursinho” é um pouco ingrato, pois o diminutivo “inho” reduz a grandiosidade dessa fase da vida pela qual todos deveriam passar.

No começo do ano, uma professora me disse que “o ano de cursinho” lapidaria o meu diamante e, de fato, não só o meu diamante foi lapidado, como também as arestas do meu caráter, da minha segurança, da minha opinião e da minha maturidade foram devidamente polidas! Hoje digo que reavaliei a minha opinião sobre diversos assuntos e sinto-me muito mais aberto a ideias novas – exceto as do Novo Enem!

No colégio, por exemplo, os colegas muitas vezes só se aproximam de você para comparar as notas e fazer competições primitivas. No cursinho, posso dizer que fiz os verdadeiros amigos, geralmente, porque estão todos no mesmo barco, com o mesmo peso de não terem passado e, dessa forma, todos se ajudam. O interessante também é que cada um é de uma área diferente e poucos são os concorrentes, permitindo que você se defronte com diferentes visões e crie vínculos com futuros policiais imitadores, físicas-médicas, advogadas engraçadas – enfim, um bando de gente que transforma diariamente “o mundo caído” em passatempo…

No cursinho também convivemos diariamente com jovens muito ligados no mundo da moda, assim conhecemos a fundo as últimas tendências; comentário à parte, no cursinho todos têm muito estilo, e principalmente as meninas sabem que para ficar bonitas não precisam usar um super mini-ultra-microscópico vestido para fazerem a diferença!

Também, se não tivesse enfrentando o ano de cursinho, não estaria aqui contando “terça-feiralmente”, nesse espaço gentilmente aberto pelo PontoEdu e pelo Estadão, que viver o ano de cursinho vale a pena, pois “tudo vale a pena se a alma não é pequena”! Como disse uma das pessoas mais cultas que conheço: “Na vida nunca se perdem anos, só se perdem anos na cadeia”…

Agora, com o “ano de cursinho” na reta final estou com aquela sensação de estar com “a faca e o queijo na mão” e com “a boca na botija” e espero que a faca corte o queijo e a boca abocanhe a botija…”