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‘Alunos inseguros deveriam ser acompanhados por guarda universitário’, diz diretora da Adusp

Carolina Stanisci

19 Maio 2011 | 15h00

Carolina Stanisci

Para a professora do departamento de Matemática da USP e diretora da Associação dos Docentes da universidade (Adusp) Heloísa Borsari, os alunos no câmpus deveriam ter a possibilidade de acionar alguém para acompanhá-los pela Cidade Universitária sempre que sentissem “inseguros”.  “Se acharem perigoso, deveriam poder ligar para um telefone e pedir para um guarda universitário acompanhá-los. Nos EUA é assim, minha irmã viveu isso lá”, afirmou.

A Adusp é uma das principais forças dentro da USP contrárias à presença da Polícia Militar no câmpus. Em 2010, realizou um ato para marcar um ano da presença de policiais. Na época, eles foram convocados para reprimir uma greve. Heloísa acha que há muito a fazer antes de colocar a PM dentro da Cidade Universitária. “A polícia é treinada para matar. Ela não dá tiro na perna, dá tiro no coração. Tenho muito medo, sim, da polícia, pois ela  não é treinada para reprimir.”

Leia abaixo a entrevista.

A sra. ficou sabendo da morte do estudante Felipe Ramos de Paiva, no estacionamento da FEA-USP. O que achou?
Estamos em choque. Uma barbaridade perder um aluno assim.

A Adusp sempre foi contra a entrada da PM no câmpus. Depois do assassinato, mudou de ideia?
Nós sempre rechaçamos a entrada da PM com caráter de repressão política dos movimentos que acontecem aqui. Em 2009, a PM foi chamada para reprimir manifestações e ano passado lembramos um ano da invasão da PM, para não se repetir o que aconteceu no dia 9 de junho de 2009. O que a gente acha é que, antes de pensar na PM no câmpous, temos que pensar em medidas de prevenção. A Guarda Universitária é insuficiente no seu número e na sua formação. Temos que pensar no tipo de treinamento que a guarda oferece. Acho que a primeira medida que a gente tinha que pensar era aumentar contingente da guarda, principalmente no período noturno, ter ronda permanente, a partir do fim da tarde. E também há pontos no câmpus com péssima iluminação. Isso tem que ter iluminado. Outra coisa é que os alunos inseguros têm que ter a possibilidade de serem acompanhados, se acharem perigoso. De ligar para um telefone e pedir para um guarda universitário acompanhar até o carro, até outro lugar do câmpus. Nos Estados Unidos é assim. Minha irmã viveu isso lá nos EUA, na universidade. Esse tipo de serviço a guarda podia prestar, de acompanhar as pessoas. Outro problema é a terceirização da segurança. precisa ser repensado. Os funcionários terceirizados têm vínculo mais fluido.

Por quê mais “fluido”?
As pessoas não se envolvem com o trabalho.

A PM, então, não é solução?
Não. Se fosse assim, a gente encheria de PM e não teria crime em São Paulo. Nós não temos polícia treinada para prevenir, e sim para reprimir. Ela continua sendo polícia treinada para matar. Ela não dá tiro na perna, dá tiro no coração. Tenho muito medo (da PM no câmpus). Não me sinto segura porque a PM está do meu lado, pelo contrário. Não é o que acontece.

Houve, nos últimos tempos, muitos assaltos e sequestros-relâmpagos por lá. Os alunos estão inseguros?
Sem dúvida. Eu não vou sozinha até meu carro. Se estacionei distante, vou junto com alunos. Nunca ando sozinha. São medidas particulares do câmpus da USP, mas em São Paulo eu também não ando depois de certa hora na rua. No câmpus a gente tem expectativa de ser mais seguro, que não é real.

Piorou mesmo a violência no câmpus?
Há ondas. Houve períodos de série de estupros, depois pegaram a pessoa. Depois volta. Se você tem política constante de iluminar o câmpus, guardas etc., consegue inibir.
quando se percebe que não tem ninguém olhando… Acho que caminho é pensar em melhorar sistema de segurança que temos aqui, quepode ser mais eficiente do que é.

E se os alunos pedirem mais policiamento no câmpus?
A reitoria poderia criar uma comissão de segurança. Os alunos deveriam estar envolvidos nisso. Eles estão mais desprotegidos, saem à noite, têm festas. Os funcionários também.

Veja também:

som Reitor diz à rádio Estadão/ESPN que guarda universitária é insuficiente