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Alunos da PUC-SP suspendem paralisação contra mudanças no curso

Redação

22 Fevereiro 2011 | 18h03

Por Felipe Mortara, Especial para o Estadão.edu

Reunidos em assembleia, cerca de 250 alunos dos cursos de Psicologia e de Fonoaudiologia da PUC-SP resolveram suspender a paralisação e voltar às aulas amanhã. Os estudantes protestaram na tarde desta terça-feira contra o corte de diversas disciplinas de seu quadro acadêmico sem que eles fossem notificados.

Apesar do fim da paralisação, os alunos prometem se reunir regularmente para reivindicar a “volta do diálogo” que eles mantinham com a reitoria antes das mudanças. Eles também aprovaram propostas como a realização de atos e atividades paralelas, reposição das aulas e reclamação em massa na Ouvidoria da PUC.

Logo após a votação, no Pátio da Cruz, um grupo de estudantes se dirigiu à Secretaria de Administração Escolar (SAE) para fazer uma nova manifestação. Veteranos comentavam que foi a maior mobilização de alunos da Psicologia nos últimos anos.

Segundo os universitários, eles só souberam das mudanças na grade quando as aulas começaram, no dia 14, sem que houvesse nenhum tipo de negociação ou aviso prévio. Estudantes ouvidos pela reportagem dizem que o corte atingiu principalmente a Faculdade de Ciências Humanas e da Saúde – 15 disciplinas teriam sido canceladas, sendo 4 de Fonoaudiologia e 11 de Psicologia. Dessas 11, 8 são da grade curricular da turma VE3, correspondente aos alunos dos períodos vespertino e noturno que cursam o terceiro semestre. Esses estudantes teriam 12 disciplinas neste semestre, mas 8 foram cortadas.

Em nota oficial divulgada ontem, a PUC-SP afirmou que “não houve fechamento de turma nem cancelamento de disciplina no curso de Psicologia”, mas sim um remanejamento dos estudantes. A reitoria ressaltou que a mudança não prejudicará nenhum aluno, “uma vez que foi decidida nas instâncias competentes da universidade, tendo como base o projeto pedagógico do curso”.

Polêmica

De acordo com Felipe Moda, de 22 anos, integrante do Centro Acadêmico de Psicologia da PUC-SP, algumas disciplinas foram finalizadas por corte de gastos. A mensalidade, segundo os estudantes, é cerca de R$ 1,8 mil. Universitários comentam que a reitoria decidiu diminuir de cinco para três número de turmas do terceiro semestre.

“O prejuízo maior é nas matérias práticas, que têm entre 10 e 20 alunos por sala. O horário das pessoas vai ficar comprometido, porque não caberá todo mundo na mesma sala”, disse a aluna da turma VE3 Raquel Macedo, de 18 anos. “A PUC está sendo extremamente desorganizada. Perdeu-se a relação de respeito com o aluno. Me sinto apenas um número.”

O integrante do CA Luis Fernando Facetta lamentou o fim da paralisação, mas disse que o movimento teve “certo sucesso”. “Temos noção de que algumas turmas terão de ser modificadas. Só queremos que as decisões sejam tomadas após diálogo.”

Laísa Maia, de 19 anos, também não gostou do resultado da assembleia. “Desse jeito, a reitoria vai esquecer o que fez, porque não dá para conciliar os atos paralelos com todas as atividades escolares”, disse a aluna do 5º período. “As pessoas se dispersam.”

A caloura Luna Gimenez, de 18, reclamou das mudanças e das manifestações. Ela ainda não teve aula desde o início do curso. “Não estou gostando nada dessa bagunça”, afirmou.

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