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A bendita letra ř

Redação

15 de dezembro de 2011 | 20h00

* Por Lívia Kilson, de 17 anos, aluna do 3.º ano do ensino médio em Macaé (Rio). Faz intercâmbio na República Checa desde agosto pela American Field Service

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“Não me arrependo de ter tido a coragem de partir para um destino não muito comum na escolha dos intercambistas. Estou morando em Pisek, uma cidade linda e bem cuidada ao sul da região da Bohemia, na República Checa. O povo daqui é muito acolhedor, divertido e tem um coração gigante. Não existe isso de ‘europeu frio’.

A começar pela minha família hospedeira. Tenho três irmãs: duas mais velhas, que não moram em casa, e uma um ano mais nova e que estuda na mesma escola que eu. Meu pai é um viajante (isso mesmo, esta é a profissão dele). Ele trabalha fazendo expedições e acampamentos de sobrevivência na natureza. Tem uma base na Antártida e está sempre pelo mundo, ou cuidando das ovelhas da fazenda, que ele adora. Minha mãe é uma típica europeia. Usa saiotes, tem um cabelo grande, lindo e lisinho, e se preocupa comigo como ninguém. Minha avó, que também mora com a família, é outra fofa. Ela entende um pouco de inglês e sabe fazer de tudo. É uma senhora muito ativa, apesar dos seus 88 anos, e está sempre preocupada com a quantidade de comida que eu como, que, segundo ela, é muito pouca.

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A comida daqui é deliciosa – os típicos knedliks, uma espécie de pão checo à base de farinha ou batata, fazem parte da minha alimentação diária.

Na escola, todos me acolheram como se fôssemos amigos de longa data. Me ajudam em tudo e se preocupam comigo. Estão sempre me mostrando lugares novos e tentando me fazer sentir em casa. E, claro, tentam me ensinar um pouco de checo e são pacientes quando eu não consigo falar a bendita letra “ř”, especialidade que diferencia o idioma checo do eslovaco.

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Estou passando os meses mais felizes da minha vida. Entrar numa rotina diferente e ter novas experiências dão sentido para o intercâmbio. Claro, nem sempre estamos preparados para o choque cultural, para as desventuras, para a saudade. Mas essa é a magia, ver que cada momento aqui te faz crescer e aprender. E que, mesmo sem estar preparada para os “tapas” que a vida vai te dar, você aprende a lidar com as situações sob novas perspectivas. Com certeza eu voltarei transformada dessa viagem.”

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