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Protesto em favela contra violência policial causa atrasos na BA

Carolina Stanisci

03 Novembro 2012 | 14h44

*Tiago Décimo

SALVADOR – Uma manifestação de cerca de cem moradores da Favela da Polêmica, em Salvador, interrompeu o trânsito em uma das mais movimentadas avenidas da cidade, a Antônio Carlos Magalhães, no fim da manhã de hoje, e causou o atraso de dezenas de estudantes que seguiam para os locais de aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio.

Os moradores atearam fogo em pneus para impedir a passagem de veículos, protestando contra uma operação policial, na noite anterior, que deixou um homem morto no local – de acordo com a Secretaria de Segurança Pública, a vítima teria atirado contra os policiais antes de ser baleada.

A interrupção do trânsito na avenida, por volta das 11 horas (12 horas pelo Horário de Brasília), causou problemas para o transporte dos estudantes a muitos locais de prova em Salvador. No Colégio Central, a mais antiga instituição pública de ensino da Bahia, por exemplo, vários estudantes tiveram de correr para entrar antes do fechamento dos portões.

Alguns, porém, não conseguiram. “Saí às 11 horas de casa, daria tempo de sobra para chegar”, lamenta a estudante Rosane Porto, de 19 anos, que tenta ingressar na carreira de Engenharia Civil. Moradora da Pituba, ela teve de passar pelo local com trânsito bloqueado para chegar ao colégio. Chegou com cinco minutos de atraso. “Estava tudo muito engarrafado.”

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Rosane Porto, de 19 anos, chegou cinco minutos atrasada e não pôde entrar no local de prova

Caso semelhante enfrentou Telma Santana de Jesus, de 38 anos, que tenta vaga em Pedagogia pela quinta vez. A candidata partiu do bairro do Calabar às 11h15, mas chegou dois minutos depois do fechamento dos portões. “O trânsito de Salvador está complicado demais.”

A não adesão da Bahia ao horário de verão este ano também causou confusão entre estudantes. A estudante Uine Xavier de Jesus, de 20 anos, chegou ao colégio 15 minutos após o fechamento dos portões. Antes de notar que o acesso já havia sido bloqueado, ainda checou seu nome na lista de candidatos e conferiu a sala em que deveria fazer a prova. Foi avisada por Telma que estava atrasada. “Fiz (o Enem) no ano passado e achei que seria a mesma coisa este ano”, justificou.

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