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‘Enem foi uma Fuvest com enunciados maiores’, dizem professores do CPV

Redação

06 Novembro 2010 | 21h46

Gustavo Bonfiglioli, especial para o Estadão.edu

Contemporânea e conteudista. Em termos gerais, essa é a conclusão que os professores do CPV Vestibulares, cursinho da Fundação Getúlio Vargas (FGV), tiraram da primeira prova do Enem 2010, que aconteceu hoje das 13h às 17h30. Algumas questões atuais, como a demarcação de terras indígenas, a biotecnologia, o consumo de energias renováveis e a sustentabilidade ambiental foram abordados de forma multidisciplinar entre os cinco módulos da prova: história, geografia, física, química e biologia.

O professor Alex José Perrone, de Geografia, comenta que a prova focou a geografia brasileira, especialmente algumas questões geopolíticas como a expansão do agronegócio relacionado às questões ambientais. “A prova é boa porque privilegia a interpretação e o contexto brasileiro, mas acho que a geografia geral podia ter sido mais valorizada”, defende.

A prova de história fez um diálogo constante entre o passado e o presente, avalia o professor Daniel Gomes de Carvalho. “Os assuntos clássicos da história brasileira como a terra, o trabalho e o índio, foram trazidos à perspectiva atual de maneira coerente”. Apesar de destacar que alguns enunciados estavam ambíguos, Carvalho elogia o foco interpretativo da prova, que foge da “decoreba de datas e fatos”.

Poluição das águas e dos solos, viroses como a febre amarela e biotecnologia foram temas recorrentes na prova de biologia, comentada pelo professor João Francisco Tamayo. Ele também reitera a adequação de temas contemporâneos à necessidade de uma boa base de conteúdo. “A prova era para um candidato bem preparado, mas não estava difícil”, pontua.

A relação entre atualidades e conteúdo acadêmico também permeou a prova de física, de acordo com o professor Rafael Correa. “O uso sustentável da energia era o tema mais evidente da avaliação, que exigiu uma boa capacidade de interpretação”, afirma. Apesar disso, caíram algumas questões bem específicas. “Temas como a blindagem eletrostática demonstram que o Enem está mais preocupado os conteúdos”, contrapõe.

Essa foi a conclusão do professor de química, Armando Muller. “A prova estava bem feita, mas bem conteudista. Ela fugiu um pouco à característica tradicional do Enem, de focar no raciocínio e menos nas fórmulas”. Apesar de salientar que as questões (que envolveram principalmente pH, eletroquímica, físico-química e química orgânica) são contextualizadas ao cotidiano do aluno, Muller classifica a prova de química deste ano como “uma Fuvest com enunciados mais longos”. Ele também destaca que essa dupla exigência, de boa interpretação e de conteúdos específicos, deixa o aluno muito exausto.