SP reavalia fechamento de escola que fará aluno se deslocar por 5,5 km

SP reavalia fechamento de escola que fará aluno se deslocar por 5,5 km

Paulo Saldaña

25 Novembro 2015 | 16h47

COM ISABELA PALHARES

A Secretaria Estadual de Educação promete reavaliar o fechamento de uma escola na área rural do município de Cachoeira Paulista que fará com que os alunos que se desloquem 5,5 km para estudar em outra unidade. Pais e estudantes da Escola Bairro do Embauzinho têm sido contrários ao fechamento da unidade por causa da distância. A Diretoria de Ensino de Guaratinguetá, que responde pela escola, fará uma reunião com a comunidade nesta quinta-feira, 26.

RAFAEL ARBEX/ ESTADÃO

RAFAEL ARBEX/ ESTADÃO

Quando o governo Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou o projeto de reorganização da rede, o discurso era de que nenhum aluno teria que se deslocar por mais de 1,5 km por causa do programa. A reorganização vai mobilizar a transferência de 311 mil alunos, segundo a secretaria, seja por causa da transformação das escolas em ciclos únicos ou pelo fechamento de 93 escolas.

De acordo com Candido José dos Santos, da Diretoria Regional de Guaratinguetá, haverá oportunidade para que as famílias ofereçam sugestões sobre o que pode ser feito – uma das possibilidades seria a transferência apenas dos alunos de ensino médio. “O problema é a distância. Ainda que o Estado garanta o transporte escolar gratuito, a comunidade vem resistindo, principalmente os pais por causa da dificuldade no acompanhamento dos filhos na escola”, disse o dirigente, que defende a política do governo.

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“Estamos convencidos de que haverá ganhos para a comunidade (com a transferência de todos os alunos). O prédio, que pertence ao município, tem salas pequenas, as crianças não têm pátio, não têm sala de leitura, não têm informática. Estamos propondo uma escola melhor”. De acordo com o censo escolar, a escola tinha no ano passado 105 alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental e 50 no ensino médio.

Alunos e pais, além de sindicatos, Ministério Público e especialistas de educação, têm criticado o governo sobre a falta de diálogo com as comunidades escolares antes do anúncio da reforma. Alckmin e o secretário de educação, Herman Voorwald, têm repetido que o governo está aberto ao diálogo, mas reforçaram que não abrem mão da política anunciada. Não houve audiências oficiais antes do anúncio. Santos, da Diretoria de Guaratinguetá, defende que o diálogo ocorreu. Somente no âmbito desta diretoria haverá o fechamento de seis unidades.

Até ontem, a secretaria estadual de Educação confirmava a ocupação de 151 escolas. A Apeoesp, que apoia parte das ocupações, já indica que o número de escolas tomadas é de 172.

 

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