Sisu: 20 cursos da USP estão sem nota de corte; entenda

Sisu: 20 cursos da USP estão sem nota de corte; entenda

Universidade exigiu notas mínimas muito altas, de até 700 pontos no Enem, há mais vagas do que candidatos que conseguiram se gabaritar para concorrer; USP informou que as vagas não preenchidas pelo Sisu serão ocupadas pela Fuvest

Paulo Saldaña

14 de janeiro de 2016 | 16h48

*Atualizada para correção às 17h54 e às 19h29 para posicionamento da USP

Por exigir notas mínimas muito altas, 20 opções de cursos da Universidade de São Paulo (USP) no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) chegaram ao último dia de inscrições sem notas de corte. Isso significa que há mais vagas do que candidatos que tenham atendido os critérios mínimos impostos pela USP – em alguns casos, de até 700 pontos no Enem. Esses cursos reúnem 262 vagas, que estão, até agora, sem perspectivas de serem preenchidas na sua totalidade.

SisuUSP

Os 20 cursos sem nota de corte representam 14% das carreiras oferecidas pela USP no Sisu. Desses, 16 são voltados para alunos de escolas públicas, sendo dois deles para pretos, pardos e indígenas. Os outros quatro são de ampla concorrência. Nesses casos, o sistema informa que “não havia nota de corte nesta modalidade porque a quantidade de candidatos inscritos era inferior à quantidade de vagas.”

Na última sexta-feira, 8 de janeiro, o Estadão publicou reportagem indicando que havia notas mínimas muito altas – reportagem reproduzida e ampliada aqui. As onze carreiras que exigem notas mínimas de 700 e as cinco com mínimos de 650, anotados pela reportagem, estão sem uma quantidade suficiente de candidatos gabaritados para preencher as vagas. Outras três carreiras que exigem notas mínimas de 600 também estão sem nota de corte.

Veja abaixo os cursos sem nota de corte:

 

CURSOPERÍODOINFORMAÇÃO VAGASMÍNIMA EXIGIDA
Medicina VeterináriaIntegralAção afirmativa – escola pública700
Farmácia e BioquímicaIntegralAção afirmativa – escola pública650
ABI – QuímicaIntegralAção afirmativa – escola pública700
ABI – LetrasNoturnoAção afirmativa – escola pública600
QuímicaNoturnoAção afirmativa – escola pública700
ZootecniaIntegralAção afirmativa – escola pública700
Medicina VeterináriaIntegralAção afirmativa – escola pública700
Engenharia de BiossistemasIntegralAção afirmativa – escola pública650
Engenharia de AlimentosNoturnoAção afirmativa – escola pública650
Engenharia de AlimentosMatutinoAção afirmativa – escola pública650
Gestão AmbientalNoturnoAmpla concorrência700
Engenharia FlorestalIntegralAmpla concorrência700
Engenharia AgronômicaIntegralAmpla concorrência700
OdontologiaIntegralAmpla concorrência700
Ciências da NaturezaNoturnoAção afirmativa – pretos, pardos e indígenas60
Ciências da NaturezaNoturnoAção afirmativa – escola pública600
Ciências da NaturezaMatutinoAção afirmativa – pretos, pardos e indígenas600
Ciências da Informação e da Documentação e BiblioteconomiaNoturnoAção afirmativa – escola pública650
AdministraçãoNoturnoAção afirmativa – escola pública700
AdministraçãoMatutinoAção afirmativa – escola pública700

 

Os dados do Sisu foram tabulados pela Evolucional, empresa de tecnologia da educação, especialmente para o blog. No ano passado, só 19 carreiras das 5,5 mil disponíveis no Sisu exigiam mínimo de 600 – nenhuma exigia 700, como fez a USP. Além disso, apenas 23% das carreiras tiveram, ao fim do processo de 2015, nota de corte superior a 700 pontos.

Em Gestão Ambiental, por exemplo, são oferecidas 8 vagas na concorrência ampla. Como não houve ao menos 8 candidatos que conseguiram ter nota mínima de 700, o sistema não gerou a nota de corte. Em Letras, o número de candidatos com no mínimo 600 não foi maior que o número de vagas, que é de 85.

Na semana passada, a reitoria da USP não respondeu aos questionamentos da USP. A professora Elizabeth Balbachevsky defendeu, entretanto, que as exigências mínimas seriam irrelevantes. “A nota de corte já deve ser bastante alta, independente do mínimo, por causa da forte concorrência”, completa.

Questionada pela reportagem, a USP não deu detalhes sobre a situação e apenas informou  que as vagas não preenchidas pelo Sisu serão ocupadas pela Fuvest.

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