Saída de Cesar Callegari era esperada por setores do PT

Saída de Cesar Callegari era esperada por setores do PT

BASTIDORES: Nos dois primeiros anos de governo, a Prefeitura enfrentou duas longas greves de professores - a última, considerada a mais longa da história

Paulo Saldaña

08 Janeiro 2015 | 20h33

COM VICTOR VIEIRA

O convite para que Gabriel Chalita (PMDB) assuma a pasta da Educação da cidade de São Paulo pegou de surpresa o atual titular da pasta, Cesar Callegari, mas uma possível troca no cargo não é assunto novo na cúpula petista que atua na secretaria. A falta de espaço para o PT nos cargos próximos ao gabinete e o mau relacionamento do secretário com os professores explicam boa parte do descontentamento. Mais recentemente, os arranjos políticos com o PMDB passaram a assombrar o cargo do secretário.

A reportagem do Estado confirmou que Chalita recebeu o convite. Callegari está em viagem de férias, com planos de voltar ao trabalho na segunda, dia 12.

Sociólogo Cesar Callegari deve deixar secretaria de Educação. / NILTON FUKUDA/ESTADÃO

Sociólogo Cesar Callegari deve deixar secretaria de Educação.  NILTON FUKUDA/ ESTADÃO

Os boatos de troca de secretário já haviam circulado principalmente entre os profissionais que trabalham nas Diretorias Regionais de Ensino (as DREs), onde nunca houve simpatia por Callegari. O motivo desse mau relacionamento foi a exclusão do setorial do PT na composição de cargos na estrutura da secretaria, segundo petistas. O partido acabou concentrado apenas nas regionais. “Ele manteve pessoas na pasta que participaram do plano de governo do Serra na eleição, isso incomodou as pessoas”, disse um dos integrantes do setorial, sob condição de anonimato. “O nome de Chalita havia aparecido, como o de outros”.

Sociólogo, Callegari já foi secretário de Educação Básica do Ministério da Educação, quando Haddad era ministro. Atua como membro do Conselho Nacional de Educação (CNE), posto que já havia ocupado anteriormente, e foi duas vezes deputado estadual.

Greve. A experiência e o respeito entre educadores não o pouparam de críticas internas e externas. Integrantes do alto escalão da gestão municipal criticavam veladamente a falta de habilidade do secretário em acelerar os projetos da pasta e dialogar com a rede.

Nos dois primeiros anos de governo, a Prefeitura enfrentou duas longas greves de professores – a última, considerada a mais longa da história. Mesmo com uma histórica relação do PT com a categoria, a gestão passou a ser vista com antipatia pelos professores da rede. Callegari ficou marcado na rede como um secretário que não dialoga. Militantes do PT reclamam de que ele também não ouviu outros integrantes da rede.

Callegari foi a terceira opção para o cargo, depois que as indicações de Cleuza Repulho (presidente da Undime e secretária de Educação de São Bernardo do Campo) e Pilar Lacerda (ex-secretária da Educação Básica do MEC) não deram certo. O atual secretário era do PSB e se desfiliou no ano passado após o partido romper com o governo federal para que a Eduardo Campos concorresse à presidência.

Ainda no campo político. O PMDB passou a pressionar a Prefeitura de São Paulo depois de ser preterido no Ministério da Educação. A troca de Callegari por Chalita faz parte da costura entre PT e PMDB, já olho na eleição municipal de 2016. O PT tenta, assim, evitar o ocorrido com a ex-prefeita Marta Suplicy. Ela não conseguiu se reeleger em 2004 sem o apoio peemedebista. Por outro lado, tenta isolar uma possível candidatura de Paulo Skaf (PMDB).

As possíveis mudanças na área com o novo secretário são incertas. Isso porque, na avaliação de integrantes da gestão, a política educacional era tocada com grande protagonismo pelo ex-ministro da Educação e prefeito Fernando Haddad.

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