Das 94 escolas a serem fechadas em SP, 25 são na capital

Herman Voorwald sinalizou que o projeto deve envolver unidades de regiões centrais, tanto na capital como em outros municípios, onde há menor demanda de alunos e maior número de classes ociosas

Paulo Saldaña

27 Outubro 2015 | 18h15

COM ISABELA PALHARES e VITOR VIEIRA

Das 94 escolas que serão fechadas na reorganização da rede estadual de São Paulo,  24  25  estão na capital paulista, segundo o secretário da Educação do Estado, Herman Voorwald. Ele não detalhou quais colégios serão afetados, mas sinalizou que o projeto deve envolver unidades de regiões centrais, tanto na capital como em outros municípios, onde há menor demanda de alunos e maior número de classes ociosas.

Na quarta-feira, 28, a secretaria divulgou a relação de escolas. Ao todo, 25 são na capital, e não 24 como havia informado anteriormente o secretário. Das 94 escolas, 30 unidades têm indicadores melhores que a média de SP, como revelou reportagem do Estadão nesta quinta, 29. A reportagem foi atualizada com o número correto.

O secretário de Educação do governo Geraldo Alckmin (PSDB) participou ontem de uma audiência pública na Assembleia Legislativa, onde foi recebido com protestos. Voorwald defende que nenhuma unidade perderá a função educativa. “Nenhuma escola deixará de ter uma atividade educacional”, disse ele, ressaltando que parte dos 94 prédios será cedida para municípios ou readequada para Educação de Jovens e Adultos (EJA).

 

A lista de escolas envolvidas na reorganização deve ser divulgada nesta semana. Uma das unidades que vão sair da rede será a Escola Estadual Elísio Teixeira Leite, na Parada de Taipas, zona norte da capital. O fechamento foi confirmado por fontes da Diretoria Regional de Ensino Norte 1.

Aberta em 2001, a unidade é uma das “escolas de lata” da rede estadual. Com uma estrutura metálica e isolamento de alvenaria, a unidade atende alunos dos anos finais do ensino fundamental (6.º ao 9.º ano). De acordo com funcionários, de 12 salas, 9 têm turmas entre 37 e 40 alunos no período da manhã e da tarde. “A escola não está vazia ou subutilizada; as três salas são usadas para aulas de arte, de música, reforço. Foi determinação da secretaria não fazermos turmas menores para usar essas salas vagas”, disse uma professora que pediu anonimato.

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Os alunos da escola temem serem transferidos para escolas superlotadas. Eles organizaram um abaixo-assinado que já conta com 14 mil assinaturas. “Essa é a nossa escola, nos identificamos com ela. Os professores conhecem a mim e a minha família e isso faz toda a diferença no ensino. Apesar da estrutura não ser boa, nós não queremos que ela feche e os alunos sejam mandados para outra unidade superlotada”, disse Gabriela Arcanjo, de 14 anos.

O secretário diz que o projeto não deixará salas mais cheias do que atualmente. “Nós temos hoje uma quantidade de salas vazias ociosas que não está sendo utilizada. O que ocorreu com o tempo foi o esvaziamento de escola estaduais e a não reorganização do sistema.”

Ciclo único. O projeto prevê que, no ano que vem, 2.197 (43%) das 5.147 escolas sejam de ciclo único – anos iniciais do fundamental (1.º ao 5.º), anos finais (6.º ao 9.º) e ensino médio. Atualmente, o Estado já tem 1.443 unidades nesse perfil. O argumento para a reformulação é de que, além de acabar com espaços ociosos, é possível melhorar a qualidade de unidades de ciclo único.

Nos últimos dias, várias manifestações questionaram a reorganização. Na manhã desta terça-feira, 27, o governador Geraldo Alckmin foi vaiado durante um evento no interior do Estado.

O secretário Voorwald também foi hostilizado durante a Audiência Pública na Assembleia, realizada ontem para discutir o Plano Estadual de Educação. O secretário foi vaiado por professores e alunos que lotaram o plenário Juscelino Kubitschek. Nos 15 minutos em que falou sobre metas do plano, sem citar a reorganização, os manifestantes ficaram de costas.

Diretor da União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Paulo (Umes), Caio Santos, de 18 anos, participou da audiência pública ontem na Assembleia pra criticar a proposta. Ele foi aluno até o ano passado da Escola Estadual Irene Branco da Silva, na Penha, zona leste. “Minha sala tinha mais de 40 alunos. Não dá para falar em melhorar qualidade fechando escolas. O melhor seria diminuir o número de alunos por sala e investir na educação”, diz.

Presente na audiência, a professora Lisete Arelaro, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), criticou o plano. “É um equívoco completo e sem discussão. Nenhum professor universitário participou da consulta”, disse.

Plano. O presidente do Fórum Estadual de Educação (FEE), professor José Cardoso Palma Filho, questionou na tribuna, entre outros pontos, por que o Plano Estadual não detalha como São Paulo vai aumentar as verbas da educação. “Sem financiamento não há educação de qualidade. Precisamos saber quanto do PIB (Produto Interno Bruto) do Estado de São Paulo será destinado para educação”, disse. Na sua fala, o secretário não comentou esse ponto.

 

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