Unicamp 2022: Oficina do Estudante analisa 2º dia de provas da 2ª Fase

Unicamp 2022: Oficina do Estudante analisa 2º dia de provas da 2ª Fase

Oficina do Estudante

11 de janeiro de 2022 | 10h19

A Oficina do Estudante corrige tradicionalmente os maiores vestibulares e o Enem

O 2º dia de provas da 2ª fase do Vestibular 2022 da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) ocorreu nesta segunda-feira (10). Os candidatos responderam questões dissertativas de matemática, ciências da natureza e ciências humanas, além de uma avaliação de conhecimentos específicos para a área do curso escolhido.

Confira a correção comentada da prova! 

Integrantes da equipe pedagógica do Curso Pré-Vestibular da Oficina do Estudante de Campinas (SP) analisaram a prova.

Segundo o diretor pedagógico, Daniel Cecílio, a prova deste ano foi mais difícil do que a edição anterior, realmente privilegiando os candidatos mais bem preparados. Exceção à prova de Biologia, considerada mais fácil do que a de 2021. “Mas, isso não quer dizer que foi uma prova ruim. Pelo contrário, foi extremamente atual e contextualizada, com assuntos altamente debatidos no momento, como degradação ambiental, fake news e o SARS-Cov-2”, elogiou. Informou ainda que as equipes de Física, Histórica e Matemática consideraram as respectivas provas de nível alto. “A de Geografia também teve nível elevado, cobrando assuntos não comuns ao cotidiano escolar, como saber em quais estados está localizada a tribo Ianomâmi”, destacou. Já a prova de Humanidades, comentou, ficou no padrão da 2ª fase, pois exigia uma reflexão crítica dos estudantes, com predomínio de temas vinculados à questão indígena, mas com ausência de Filosofia.

“Em geral, a prova ficou nos padrões da Unicamp, contextualizada e atualizada.”

Biologia
Marcelo Perrenoud, professor de Biologia

A prova da Unicamp de 2022 foi relativamente mais fácil que a de 2021. Não houve a presença de questões polêmicas e a prova se mostrou extremamente atual e contextualizada. Dentre as questões de biologia apareceram temas como a degradação de biomas brasileiros, a veiculação de fake news sobre a vacinação e o SARS-Cov-2, além de fisiologia vegetal, genética e parasitoses como a malária. Mais uma vez a UNICAMP se mostrou extremamente competente e atual, sendo capaz de criar questões que exploram ao máximo diversas habilidades dos vestibulandos.

Física
Arnaldo Bom Nobre, professor de Física


A prova de Física teve um nível alto, semelhante em estilo e até um pouco mais exigente que o ano anterior. Em geral, não houve questões polêmicas, um ou outro trecho de texto, às vezes, não tão claro, mas nada de anormal ou irregular. A prova estava bem contextualizada em relação à tradição e ao estilo das provas de 2ª fase da Unicamp. Quanto aos assuntos, foram cobrados: cinemática; eletricidade; dinâmica – força restante, energia, trabalho e impulso; estática/hidrostática. Causou estranhamento a ausência de temas como óptica e termologia, bem comuns e importantes em termos dessa banca. Destaco ainda que nada foi pedido sobre saúde, pandemia e afins. Concluo, que a prova foi exigente, de alto nível, bem composta e bem escrita, com ligeiro exagero em conteúdos de dinâmica newtoniana e impulsiva.

Química
Marcos Formis, professor de Química

Prova muito bem feita, exigindo interpretação de gráficos, cartoons, e bons textos, os assuntos contidos são interessantes e comumente abordados em aula, tais como química verde, variação de pH, separação de materiais, eletroquímica. Além de exigir domínio de conceitos químicos, a prova exigiu conhecimento geral sobre vários temas.

Geografia
Renato Piton, professor de Geografia


A dificuldade da prova é alta, exigindo elevado nível de aprofundamento nos assuntos abordados em sala de aula. Sua dificuldade é relativamente superior à do ano anterior. Não apresenta questões polêmicas, todavia, apresenta enunciados com profundidade de assuntos não comuns ao cotidiano escolar, como saber em quais estados está localizada a tribo Ianomâmi. Todavia, mesmo com as especificidades, é uma prova atualizada e contextualizada, abordando em duas questões o contexto pandêmico. Os assuntos estão bem distribuídos entre a Geografia Física e Humana, trazendo mesmo nos temas mais naturais uma reflexão crítica. Em geral, uma prova complexa e atual que fará bem a seleção do aluno com desempenho bom e o com desempenho excelente.

Matemática
Rodrigo do Carmo, professor de Matemática

A prova de Matemática da 2ª fase da Unicamp 2022 apresentou uma avaliação de nível alto, mais difícil do que a prova do ano passado. Não apresentou questões polêmicas e percebe-se a presença de algumas questões com contextualização: Função Logística (novidade da prova), interpretação de gráfico (Prova de Ciências Humanas) a partir de um texto e uma questão de maximização. Não foi apresentada também nenhuma questão relacionada à pandemia ou área de saúde. É de se lamentar a falta de questões sobre: Geometria Plana, Matriz, Determinantes e Sistemas Lineares, Combinatória e Probabilidade, assuntos clássicos da segunda fase da Unicamp. Em geral, foi uma prova exigente, difícil e trabalhosa pensando no contexto do segundo dia de prova.

História
Felipe da Costa Mello, professor de História


A prova apresenta um nível de dificuldade médio, as questões tem um nível semelhante ao vestibular do ano. A prova estava bem contextualizada, trazendo elementos que ajudaram os candidatos. A distribuição dos assuntos foi tradicional, com uma divisão equilibrada, com destaque para temas ligados a escravidão. Houve uma questão ligada à saúde pública, mas sem citar a pandemia. Em suma, a segunda fase apresentou coerência e os alunos bem preparados, provavelmente, tiveram um bom desempenho.

Humanidades
Juliana Guide, professora de Humanidades


A prova de Humanidades mantém o padrão da Unicamp para a 2ª fase, mesclando questões de nível médio e difícil. Chamou atenção o predomínio de temas vinculados à questão indígena, cobrando do aluno principalmente noções de antropologia e os debates sobre eurocentrismo e etnocentrismo. Tais temas são bastante típicos do vestibular da Unicamp, mas sua incidência foi mais acentuada nesta segunda fase. Chamou atenção a ausência de questões de Filosofia no vestibular deste ano, em ambas as fases. Não houve questões sobre pandemia, vacinação ou saúde. Destaca-se a presença de questão sobre arte moderna brasileira, tema que esperávamos estar em evidência este ano por conta dos 100 anos da Semana de Arte Moderna de São Paulo. A prova sedimenta o padrão da Unicamp de favorecer na 2ª fase o candidato que saiba fazer boa interpretação crítica de texto e de imagem combinados. As informações do enunciado são cruciais e asseguram parte significativa de uma boa resolução.

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