Professor analisa a volta do Talibã ao poder no Afeganistão e os vestibulares

Professor analisa a volta do Talibã ao poder no Afeganistão e os vestibulares

Oficina do Estudante

08 de setembro de 2021 | 13h40

O grupo extremista Talibã reassumiu o poder no Afeganistão, após 20 anos de intervenção militar estadunidense, que até 30 de agosto deste ano, tinha soldados no país asiático. 

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Segundo o professor de Atualidades e Geografia do Colégio Oficina do Estudante, Luis Felipe Valle, as questões dos vestibulares devem cobrar / relacionar o tema com: os levantes populares da Primavera Árabe; o contexto em que o Talibã se formou; o apontamento das principais características do grupo; a origem das ações norte-americanas; e como se deu a retomada do poder.

“Algumas poucas liberdades individuais foram conquistadas e houve, nas últimas duas décadas, um tímido avanço financeiro no Afeganistão, que continuou mergulhado numa profunda crise econômica, às beiras do precipício do fundamentalismo religioso defendido por milícias armadas como o Talibã e o Estado Islâmico”, opina Valle. 

Sobre a Primavera Árabe, o docente examina que “seu desfecho foi frustrante para muitos países que não conseguiram alcançar o florescer democrático.” Completa que o caos vivido atualmente pela população afegã é “sintoma das políticas perversas de dominação política e econômica do intervencionismo militar de potências capitalistas e do recrudescimento de grupos ultraconservadores que buscam revanche, empurrando o país na direção contrária à democracia, dos direitos humanos e das garantias fundamentais de justiça, liberdade e proteção à vida”. 

A formação do Talibã

Valle esclarece que a formação do Talibã, no Afeganistão, é um dos muitos efeitos colaterais da bipolarização entre EUA e União Soviética (URSS) durante a Guerra Fria. Diz que para impedir que os soviéticos expandissem seu domínio no Oriente Médio e alcançassem o Oceano Índico, a ajuda militar estadunidense foi decisiva para a resistência afegã nos confrontos que se intensificaram durante a década de 1980. “O discurso de que o ateísmo comunista atentava contra o islamismo mobilizava tropas com motivação religiosa no país de maioria muçulmana”, examina. 

Posteriormente, explica que, depois da dissolução da URSS, em 1991, governo e combatentes afegãos aguardavam pela ajuda estadunidense prometida para reconstrução do país devastado pela guerra, mas a ajuda nunca veio. “Arruinado pelas crises internas, o cenário político do Afeganistão se tornou caótico em meio a disputas por poder entre grupos armados fundamentalistas – entre eles a Al-Qaeda e o Talibã, que assumiu o poder no país em 1997”, enfatiza. 

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As principais características do Talibã 

De acordo com o docente, “trata-se de um grupo ultranacionalista, conservador, que baseia seus princípios no fanatismo religioso, atentando contra direitos fundamentais, principalmente das mulheres, pessoas LGBTQIA+, imigrantes, povos de outras religiões e até mesmo muçulmanos que não compactuam com o radicalismo”. Além disso, frisa que são negacionistas da ciência e acreditam estarem lutando em nome de Alá para livrar o mundo dos que consideram impuros (lei da Sharia).

Com Bush, EUA declara guerra ao terror

Valle recorda que, em seguida ao atentado terrorista de 11 de setembro de 2001, cuja autoria foi assumida por Osama Bin Laden e o grupo Al-Qaeda, que havia se aliado ao Talibã, o então presidente dos EUA, George W. Bush, deu início à “Guerra ao Terror”.  

Comenta que a ação se deu com o envio de dezenas de milhares de soldados estadunidenses para o Oriente Médio com a justificativa de erradicar grupos terroristas liderados por inimigos como Bin Laden, no Afeganistão, e Saddam Husseim, no Iraque (ex-aliado dos EUA na guerra contra o Irã).Segundo informações divulgadas pelo Pentágono, mais de 120 mil americanos foram retirados do Afeganistão nas duas semanas finais de agosto. 

A tomada da capital Cabul e volta ao poder 

O professor informa que, quando o presidente dos EUA, Joe Biden, anunciou a retirada das tropas do Afeganistão, houve uma rápida reação do Talibã, que se apoderou da capital do país e territórios estratégicos usando violência armada, incluindo prisões e execução de pessoas consideradas ameaças ao grupo terrorista. Conjuntamente, passou a impor uma série de retrocessos à população, como a obrigatoriedade do uso da burca para as mulheres, que estão proibidas de frequentar as escolas, e a suspensão da vacinação contra a COVID-19 no país”. 

“Sob controle tirânico do grupo fanático religioso fortemente armado, o país encontra-se numa encruzilhada que torna o caminho para a democracia praticamente impossível: de um lado, o imperialismo estadunidense imposto pelo controle militar estrangeiro; de outro, o uso da força armada para impor retrocessos sociais e econômicos pautados pela intolerância e pelo obscurantismo do grupo conservador ultranacionalista”, encerra. 

 

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