O que faz um médico ser excelente?

O que faz um médico ser excelente?

Oficina do Estudante

27 Abril 2018 | 12h15

Doutora Silvia Brandalise em explanação aos alunos da Oficina

Raquel Valli
imprensa@oficinadoestudante.com.br

O que faz um médico ser excelente? Não basta apenas ciência e técnica. É preciso ser ético. É preciso – ainda – ter certeza que se fez tudo o que se pode para oferecer o melhor diagnóstico e o melhor tratamento ao paciente.

Essas considerações são da doutora Silvia Brandalise – oncopediatra cuja reputação é reconhecida internacionalmente -, e foram dadas esta semana em visita dos alunos da Oficina do Estudante ao Centro Infantil Boldrini – o maior hospital especializado em câncer infantil na América Latina.

Silvia é presidente do Centro e membro da Sociedade Internacional de Oncologia Pediátrica (Siop) – além de ser coordenadora do grupo cooperativo de leucemia linfóide aguda (LLA) da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (Sobope).

Perfil de excelência

“E sou uma pessoa inconformada. Não podemos nos acostumar com as coisas ruins. Temos que sempre procurar o melhor. Quando eu vou dormir, eu penso: o que eu poderia ter feito para que essa doença não acontecesse? O que eu poderia ter feito para evitá-la? E pra dormir com a cabeça tranquila, só tem um jeito: você tem que ter certeza de que fez tudo aquilo que pôde”, afirma a oncopediatra.

Silvia é a médica que se negou a usar o remédio chinês LaugiNase para o tratamento de leucemia em crianças brasileiras. O remédio, além de não ter eficiência científica comprovada, é 130% mais tóxico do que o similar alemão.

O fármaco asiático é distribuído pelo Ministério da Saúde, mas, o Boldrini importa – com recursos próprios e a duras penas – o Asparaginase europeu. E ainda denunciou o caso à Organização Mundial da Saúde (OMS).

“Todo médico tem que saber a eficácia e os efeitos colaterais do remédio que prescreve. É obrigação saber”, declara a especialista.

Silvia com os alunos da Oficina

Além de ética prática, a oncopediatra chama a atenção para o prognóstico. “O médico tem que preservar a saúde do paciente. Não só tratar as doenças. Tem que incentivar hábitos saudáveis, como ingestão de água de qualidade e o não consumo de alimentos com agrotóxicos (porque os pesticidas causam alterações na divisão celular e nos genes)”.

Silvia lembra ainda que Medicina exige estudo todos os dias: “É PRECISO FICAR PESQUISANDO CONTINUAMENTE. SER MÉDICO É MUITO GRATIFICANTE QUANDO VOCÊ RECUPERA O DOENTE, E QUANDO VOCÊ EVITA A DOENÇA. E PRA ISSO SÓ TEM UM JEITO: MERGULHAR NA PESQUISA”.

Completo

Além de pesquisas, o Centro Boldrini atua em mais duas áreas: atendimento médico e ensino (especializa em oncologia). O atendimento (dos pacientes) não tem fila de espera, apesar do hospital sobreviver com 44% de doações sociais.

Oportunidade Ímpar

“Foi muito motivador. No cursinho, muitas vezes, a gente se pergunta: o que eu tô fazendo aqui? Por que eu tô me matando aqui? E aí, quando a gente tem a oportunidade de fazer uma vista dessas, a gente tem certeza da resposta e do que a gente quer pra vida da gente. É muito motivador. É uma inspiração”, afirma a aluna Gabriela Turini.
Participaram a visita estudantes do cursinho de medicina na Oficina.