Hand spinner é a mania dos jovens no momento

Hand spinner é a mania dos jovens no momento

Oficina do Estudante

23 Junho 2017 | 14h31

Leandro Ferreira/ AAN

Por Jose Eduardo Mansur
Correio Popular

O bate-papo pelo celular na hora do recreio já tem um forte concorrente. Assistir vídeos ou ficar bisbilhotando o Facebook nas horas vagas também — até isso está sendo deixado de lado por causa de uma nova distração. É que entrou em cena o hand spinner, um brinquedo que virou febre mundial.

Enquanto o objeto colorido gira entre os dedos, os olhos ficam vidrados nos movimentos hipnóticos. Para os praticantes, o acessório é capaz de aliviar o estresse, mas de acordo com psicólogos, é preciso tempo e estudo para comprovar os possíveis benefícios terapêuticos do passatempo.

No intervalo entre as aulas, Robert Morello disputa com os amigos da escola quem consegue fazer o hand spinner girar mais rápido. “A gente troca os pesos, pois são os rolamentos que fazem ele rodar. O legal é descobrir qual roda por mais tempo”, explica o adolescente de 15 anos, dizendo que o brinquedo de três pontas é apenas uma distração.

Mas, para o colega da mesma idade, Lorenzo Mangani, o aparelho giratório é mais que um simples passatempo. “Me ajuda a desestressar. Fico mais calmo”, conta o estudante.

Na escola em Campinas, o hand spinner, ainda chamado de fidget spinner, virou a atração na hora do recreio e já disputa com o celular a preferência dos estudantes. “Na sala de aula é proibido, mas no intervalo é um divertimento a mais”, diz Simone Cristina Victorio, orientadora pedagógica na Oficina do Estudante, sempre de olho nas atividades dos alunos também no pátio do colégio.

Alheia aos cuidados da orientadora durante o recreio, a adolescente Alice Godoy Pierce confessa que o hand spinner já é um vício. “Quando eu não tenho nada pra fazer é muito bom. Acabo deixando de usar o celular”, diz a menina.

Enquanto o spinner ainda não é alvo de uma polêmica maior, como a que envolve a utilização de celulares e tablets pelos jovens, os adolescentes aproveitam para realizar manobras e se entreter com o colorido do aparelho. “Minha mãe fala que é um brinquedo inútil”, complementa Alice.

No entanto, na opinião de Flávio Matos, pai de dois garotos, de 9 e 12 anos, a febre do hand spinner é bem-vinda. “Prefiro que eles usem brinquedos de verdade. Só mesmo esse negócio para disputar a preferência com o celular”, brinca Flávio, dizendo que tem um amigo no trabalho que brinca com hand spinner depois do almoço. “Nunca tentei, mas deve ter algum benefício, né?!”, acredita o administrador de empresas.

A dúvida de Flávio é respondida pela psicóloga clínica Sandra Dorta. A especialista no atendimento a crianças, adolescentes e adultos confirma que os jovens estão deixando o celular um pouco de lado por causa do hand spinner, mas alerta que o brinquedo está sendo vendido com apelo terapêutico. “É divertido, mas não é remédio. Para que se possa comprovar os efeitos terapêuticos deveria haver um estudo específico, que duraria 4 ou 5 anos”, explica Sandra.

Na opinião da doutoranda em psicologia clínica na USP, Déa Bertran Munhoz, o hand spinner seria válido para tratamento se conjugado com o desenvolvimento emocional da criança e do adolescente, desde que conduzido por um profissional da área. “Esses brinquedos entram na nossa compulsão pela repetição. Quando você acerta os movimentos, você desenvolve uma certa habilidade e isso vai dando uma gratificação. Mas não acredito em desenvolvimento infantil se não agregar emoção”, afirma a especialista, contrariando toda a propaganda indiscriminada sobre o produto.

Na internet e nas lojas físicas os vendedores afirmam que o objeto giratório pode ajudar no tratamento de transtornos como o autismo, a hiperatividade e o déficit de atenção. Outros slogans anunciam que o hand spinner ameniza a ansiedade e combate o estresse.

“É um brinquedo agradável e cria um sentimento de satisfação. Faz barulho e é hipnótico. Essa simplicidade pode tornar ele viciante, mas é apenas um passatempo, que também relaxa”, esclarece Sandra Dorta, dizendo ainda que não tem nada contra a nova mania mundial.

“Naturalmente, as pessoas buscam mecanismos para aliviar a ansiedade e se desvincular da realidade”, explica a psicóloga, confessando que proibiu o uso do objeto durante os atendimentos no consultório.