Enem e Vestibulares: Internet 5G está em pauta em Atualidades e pode ser cobrada também na redação

Enem e Vestibulares: Internet 5G está em pauta em Atualidades e pode ser cobrada também na redação

Oficina do Estudante

06 de maio de 2022 | 15h01

As provas, principalmente, as do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), têm feito frequente referência à internet 5G e seus impactos na sociedade nas últimas edições. Devido à magnitude das consequências dessa tecnologia, é provável que seja parte ou tema principal da redação. A afirmação é do professor de Geografia do Curso Pré-Vestibular da Oficina do Estudante de Campinas (SP), Daniel Simões. 

Em primeiro lugar, orienta, o candidato deve saber que essa tecnologia depende de uma materialidade. Por exemplo, satélites, servidores, cabos de fibra óptica e antenas. Apesar do “virtual”, “nas nuvens”, a internet ainda não funciona sem esses elementos tangíveis. 

Comenta que um aspecto muito abordado é como a maior mobilidade propiciada pelo 5G tende a afetar empresas, que podem espalhar operações por países do mundo todo. E também os reflexos no mercado de trabalho, que exigirá trabalhadores cada vez mais qualificados, com perfil polivalente e flexível. “Questões relacionadas ao crescente poder das empresas de comunicação, das big techs, também são comuns, assim como debates sobre o uso criminoso da internet por grupos extremistas, terroristas e outras formas de contravenção”, agrega. 

5G vai alavancar ainda mais a migração de atividades presenciais para o ambiente virtual 

O docente explica que a tecnologia 5G deve ser entendida como um aprofundamento das experiências já vivenciadas na internet, já que promete velocidades muitos maiores e menor queda ou interrupção de conexão. Completa que a migração de atividades presenciais para o ambiente das redes deve aumentar ainda mais, principalmente em campos como lazer, compras e negócios. 

                           Daniel Simões, professor de Geografia da Oficina do Estudante

“A maior velocidade de conexão tenderá a tornar mais confortáveis as reuniões e eventos de comunicação, podendo contribuir com a transferência definitiva de determinados setores e aplicações para o sistema home office. Outras atividades relacionadas ao lazer também deverão ser fortalecidas, com o crescimento ainda maior de jogos on-line, holografia e a impressionante experiência de uma comunicação sem atraso (sem “delay”). Hoje, é impossível ter uma banda de músicos tocando juntos ao vivo em lugares diferentes, mas com o 5G isso tende a se tornar uma tarefa simples e corriqueira”, contextualiza Simões. 

Agrega que também são esperadas grandes mudanças no campo, com o aumento dos sistemas autônomos, como drones e tratores. Além da própria indústria que pode iniciar o salto em direção ao chamado formato 4.0, nomeado por alguns estudiosos de “Quarta Revolução Industrial”, caracterizada pela conexão total entre o ambiente produtivo, em máquinas capazes de tomar decisões, algoritmos com capacidade gigantesca de processamento de dados e até mesmo equipamentos capazes de reparar outros aparelhos. “E tudo isso gerido a distância”, frisa. 

Vantagens e desvantagens…

De acordo com o professor de Geografia, dentre as principais vantagens, vale destacar a maior agilidade, o maior conforto, reuniões on-line e principalmente a economia referente à eliminação de deslocamentos, locação de espaços ou escritórios. Entende ainda que serão expandidas as possibilidades de processamento nas nuvens, com cargas enormes de informação sendo acessadas remotamente. 

“Em termos de política, podemos até imaginar uma sociedade com maior participação democrática, com mais facilidade para os gestores públicos ouvirem seus eleitores e captarem suas demandas. Por outro lado, inclinamo-nos a observar o aprofundamento de problemas já existentes na internet atual. Tendência a posturas agressivas, dificuldade de relacionamento fora do espaço virtual, fraudes financeiras, propagação de material criminoso e acirramento de discursos de ódio. Discursos agressivos isolados têm encontrado grande eco em grupos ligados às redes sociais e muitas vezes conseguem escapar ao controle dos Estados e autoridades internacionais”, examina. 

Simões continua sua análise afirmando que, na indústria e nos serviços, há também a tendência de redução da oferta geral de empregos e uma ampliação do desemprego estrutural. Classifica como bastante preocupante o futuro cenário dos motoristas de aplicativos, função que salvou muitas pessoas da crise nos últimos anos.

“O 5G vai acelerar o uso de veículos autônomos e pode gerar o colapso de centenas de milhares de empregos. Convém lembrar que a culpa dos impactos não é da tecnologia em si, mas do uso que sociedades fazem dela. Deve ser feita uma profunda reflexão sobre até onde queremos incorporar a tecnologia. Há décadas temos armas atômicas, felizmente optamos por não usá-las mais, a reflexão sobre aplicações do 5G vai no mesmo sentido”, comenta. 

Indicações do professor Simões para aprender e se divertir

Para encerrar, o professor Daniel Simões dá indicações de como os vestibulandos podem, ao mesmo tempo, entender um pouco mais sobre a internet 5G, descansar e se divertir. O chamado “ócio produtivo”. Para ler, os livros: “O que aprendi sendo xingado na internet”, de Leonardo Sakamoto; “Pós-Verdade”, de Matthew D’ Ancona; e “Homo Deus”, de Yuval Harari.   

Para assistir: o documentário “Privacidade Hackeada”, que mostra a força da internet em eleições pelo mundo afora; o também documentário “Dilema das Redes”, que trata sobre o poder das grandes empresas e a perda do controle dos dados individuais; e, por fim, a série “Black Mirror”, que imagina cenários distópicos e suscita reflexão moral sobre os caminhos da tecnologia.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.