Enem: dicas para a reta final da preparação para a redação

Enem: dicas para a reta final da preparação para a redação

Oficina do Estudante

24 de setembro de 2021 | 11h01

Na reta final de preparação para a edição 2021 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), programado para o final de novembro, os alunos devem, no que diz respeito à preparação para a redação, direcionar seus estudos principalmente à compreensão da estrutura do texto dissertativo-argumentativo e à ampliação de seu repertório. A afirmação é da professora de Redação e Literatura do Curso Pré-Vestibular Oficina do Estudante, Jéssica Vasconcelos Dorta.

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A análise considera que, a prova redacional do maior exame do Brasil e segundo maior do mundo, tem suas especificidades, como a indispensável proposta de intervenção e o uso de um conjunto legitimado externo aos textos motivadores. Todavia, a educadora pontua que os modelos prontos dificilmente aparecem entre as notas mais altas. Por fim, explica que afetam significativamente uma compreensão mais profunda do texto.

Em relação à estrutura da dissertação-argumentativa, frisa ser importante compreender que o propósito desse tipo de texto é defender um ponto de vista por meio de uma argumentação coerente e consistente. Para isso, esclarece que, além de selecionar as informações, os fatos e as opiniões que irão compor a argumentação, é preciso pensar em como isso será apresentado ao leitor.

Jéssica garante ser preciso atentar-se ainda ao fato de que os temas abordados pelo Enem sempre colocam os participantes diante de um problema social a ser enfrentado. Sendo assim, destaca ser preponderante compreender quais informações são fundamentais para a elaboração de uma proposta de intervenção que responda às questões tratadas ao longo do texto. 

“A princípio, essas tarefas podem não ser tão simples, por isso é necessário treino, paciência e constância. Escrever pelo menos uma redação por semana é fundamental para que esse processo se torne cada vez mais fluido. Acredite, com prática, ele se torna”, pondera.

Repertório

No que diz respeito ao repertório, Jéssica enfatiza que todo exercício de escrita envolve também o exercício da leitura. “Fora uma leitura atenta da prova, é importante saber ler o mundo. E aqui também não há pílulas mágicas. Essa leitura de mundo, que compõe o nosso repertório, se constrói vagarosamente”, pensa.

Entende que o ideal é desacelerar e encontrar tempo na rotina para realizar leituras atentas, críticas, contemplativas. Aconselha a reserva de algumas horas do dia, de modo que seja viável suspender a enxurrada de informações e mergulhar na leitura de obras literárias. Ou ainda assistir a filmes e documentários.

“Nos jornais de grande circulação, busque notícias e reportagens, passeie pelos textos de opinião, como editoriais, crônicas, cartas, ensaios, depoimentos. Divirta-se ou indigne-se com as tirinhas. Ainda há tempo para treinar a escrita e se dedicar à leitura. Não se esqueça: treino, paciência e constância”, orienta.  

Opinião

A professora comenta que estamos experienciando uma sociedade marcada por uma permanente aceleração da vida. “Para o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, este cenário não nos oferece estruturas de sentido e tempo para (respirarmos e) interpretarmos o presente e isso tem afetado o modo como nos relacionamos com as pessoas, com o conhecimento e com o mundo. Nessas circunstâncias, o exercício crítico de leitura e escrita, que exige reflexão e, portanto, tempo, tem sido um desafio. Assim, treinar para a redação do Enem, e para outros exames e vestibulares, exige o esforço de resistir à lógica da aceleração e se dedicar a leituras diárias e práticas de escrita constantes”, encerra. 

Relembre os temas das últimas redações do Enem: 

– 2020: O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

– 2019: Democratização do acesso ao cinema no Brasil

– 2018: Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

– 2017: Desafios para formação educacional de surdos no Brasil

– 2016: Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

– 2015: A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

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