O real valor da ética

O real valor da ética

Escola Morumbi

02 Maio 2016 | 16h12

A ideia é fazer com que, debatendo a ética em sala de aula, o estudante crie gradualmente uma consciência moral individual e social, superando sua própria natureza instintiva

A ideia é fazer com que, debatendo a ética em sala de aula, o estudante crie gradualmente uma consciência moral individual e social, superando sua própria natureza instintiva

Possuir princípios éticos e morais é muito importante para que os estudantes se tornem bons cidadãos.

Porém, como a ética não é inata, existe uma necessidade de que seja aprendida. Assim, o estudante criará gradualmente uma consciência moral individual e social, superando sua própria natureza instintiva.

A escola tem um papel essencial na transmissão desses valores, afinal, o primeiro contato com a sociedade na forma de relações acontece neste espaço.

O convívio com colegas, professores e orientadores em geral, ajuda a formar o caráter das crianças. Contudo, não basta ter uma boa base ética somente em ambiente escolar, sendo esta responsabilidade também dos pais, que devem dar um bom exemplo de conduta aos filhos.

Porém, no mundo atual, é difícil competir pela atenção das crianças quando existem tantos elementos que tirem sua atenção.

Está cada dia mais complexo passar certos princípios para elas: o assunto ética passou a ser “chato”. Mas, através de atitudes simples, professores conseguem superar esse desafio: ensinar o que é ética e deixar os alunos livres para se informar, criticar e falar o que pensam.

Aqui no Nossa Senhora do Morumbi o tema costuma ser bem debatido, seja em sala de aula, no pátio ou nos momentos em que a turma está realizando alguma atividade externa.

O objetivo é propiciar aos estudantes o crescimento de forma autônoma, com senso crítico próprio, sem deixar de lado seus valores, principalmente aqueles vindos de sua família.

Há de haver um respeito. Logo, como a ética é uma matéria que faz parte do aprendizado de vida, a dica é aproveitar de determinadas situações do dia a dia para mostrar quais atitudes tomadas podem ser dadas como corretas ou incorretas, baseando-se no senso comum.

 

“Ao utilizar como exemplo aquilo que acontece de uma forma prática, fazer a relação entre a atitude e o que realmente deveria ter sido feito, levantamos um questionamento que leva a criança a refletir sobre sua atitude de forma ética”, explica nossa professora Silvia M. Prado Ribeiro.

Com relação ao papel dos pais, é importante que estes passem bons valores éticos e morais aos filhos, não deixando o bom e velho “se dar bem a qualquer custo” vencer.

A ética e a moral são fundamentadas pelo respeito, a partir do momento em que é dado ao aluno a oportunidade de desenvolver a consciência em relação às suas atitudes. Ele saberá que há um limite e que não é correto desrespeitar alguém ou algo. Logo, a ética aprendida no presente acabará por influenciar todas as ações futuras dele e ainda ampliará suas chances de se tornar um cidadão consciente e sintonizado com os valores.

Em geral, na escola encontramos um ambiente propício para colocar a ética em prática.

Afinal, nela pode ser trabalhado o respeito, solidariedade e a justiça.

“Por isso sempre estimulamos tratar o assunto em sala de aula, pois está diretamente relacionado às regras estabelecidas por meio de leis, que regulam o modo de vida da população de um país”, diz a professora Silvia. “Para conviver em sociedade, respeitando o próximo, é necessário saber o que é ética e, para isso, é necessário um trabalho intenso por parte da escola”.

Como o tema é complexo, seguem algumas dicas práticas e eficientes para ajudar o educador a iniciar esse trabalho em sala de aula:

 

  1. O que é ética? – Ao apresentar essa questão aos alunos, todos arriscam um palpite, mas não é bem assim que se dá o aprendizado. O ideal é responder tal indagação por meio de atividades que envolvem as crianças de forma mais viva e criativa.

 

  1. Relacionamentos – Como as pessoas são muito diferentes, o que você faria se descobrisse algo muito distinto sobre um amigo? Explorar essas esferas de relacionamento com os alunos é muito importante.

 

  1. Os extremos de uma única situação – É importante que você promova a reflexão em vez de entregar respostas prontas do que deve ou não ser feito. Um exemplo de como fazer isso é analisar os extremos de uma única situação e como ela poderia ser colocada na vida real.

Como o extremo do ético e o extremo do errado podem ser facilmente apontados em situações radicais, entre as quais um assassinato ou o desvio de dinheiro em campanhas eleitorais, é importante ressaltar a importância desses valores também em situações vividas pelos alunos, como, por exemplo, colar na prova, sentar em assentos preferenciais quando pessoas idosas ficam em pé, cortar filas, mentir no currículo etc.

 

  1. Testar os limites – Seguindo a sugestão acima, questione o que fariam se situações de risco comprometessem seus familiares e amigos?

Quais regras estariam dispostos a quebrar para ajudar ou salvar essas pessoas?

Ajude-os a refletir sobre a importância e a influência dos relacionamentos em suas decisões éticas e como os outros, próximos ou não, podem ser afetados por elas.

 

  1. Estabelecendo regras – Essa atividade pode parecer um tanto monótona, mas se for feita corretamente irá provocar debates e muita interação entre pontos de vista diferentes.

No contexto de cada sala de aula, de acordo com o nível de Educação dos alunos, o professor deve pensar em situações, nas quais eles mesmos possam estabelecer uma regra pessoal de conduta: como, por exemplo, nunca vou falar mal ou bater em outro colega.

A partir dessa escolha, coloque as regras em provas. Indague se, caso ele for atacado, não irá se defender? Qual é o limite da paciência para não explodir com o colega, falar mal dele ou desrespeitar o professor?

Com essas dicas, além de torná-los cidadãos mais conscientes, os professores também conseguirão passar aos seus alunos princípios e atitudes como solidariedade, vivência democrática, respeito próprio e racionalidade.