Criar repertório cultural também é papel da escola

Criar repertório cultural também é papel da escola

Escola Morumbi

11 Outubro 2016 | 10h52

NS

Uma escolha bem estruturada de repertório considera o que é significativo e motivador para as crianças. Sendo assim, é importante ouvir a opinião delas numa roda de conversa, por exemplo, pois, desta forma, o professor consegue sondar os alunos e planejar a aula com antecedência, além de permitir a troca de ideias entre eles

O aprendizado de uma criança na escola não se limita às disciplinas já estabelecidas na matriz curricular. Vai muito além disso.

O ambiente escolar é fundamental para a criança desenvolver seu repertório cultural, algo tão importante quanto as operações matemáticas ou as regras gramaticais e deve ser construído a longo prazo.

Como mediador, o educador tem o papel de selecionar o conteúdo a ser apresentado aos alunos, levando em conta o repertório que cada um traz consigo, como seus valores, suas crenças e o meio cultural no qual ele se insere.

Uma escolha bem estruturada de repertório considera o que é significativo e motivador para as crianças. Sendo assim, é importante ouvir a opinião delas numa roda de conversa, por exemplo, pois, desta forma, o professor consegue sondar os alunos e planejar a aula com antecedência, além de permitir a troca de ideias entre eles.

É importante também que a escola trabalhe com a família, já que muitas delas não aproveitam a programação cultural que a cidade oferece, mesmo que elas sejam gratuitas. A escola pode, inclusive, promover atividades envolvendo os pais, pois a troca de ideias entre eles pode influenciar as crianças a trocar experiências entre si.

Existem diversas atividades que podem ser feitas para ampliar o repertório dos alunos, como realizar passeios e visitas a museus, jardins botânicos e livrarias, por exemplo. Há alguns desses lugares que realizam visitas monitoradas de acordo com a faixa etária do grupo, o que ajuda a exercitar o olhar dos alunos e seu conhecimento.

Para envolver ainda mais as crianças, o professor pode trabalhar em classe o assunto que será abordado na visita e propor um roteiro indicando o que elas devem observar e discutir com seu grupo. Por isso, o educador deve visitar o local com antecedência para conseguir conduzir as crianças na visita e preparar o roteiro.

O professor deve levar em conta a faixa etária de seus alunos, além de seus interesses e gostos. No caso da educação infantil, por exemplo, deve-se ficar atento ao processo de desenvolvimento linguístico desta fase, que orienta o tipo de atividade a ser escolhida para o grupo e seu grau de dificuldade, lembrando sempre que as crianças pequenas aprendem brincando.

As brincadeiras também enriquecem o repertório, sendo destacada como uma das formas mais importantes de apropriação cultural. Conhecer as brincadeiras de outras épocas, de outras regiões ou de outros países é uma forma lúdica de estudar a cultura de um lugar. Neste caso, o educador pode ensinar brincadeiras que as crianças possam brincar sozinhas ou com seus colegas.

Para que tudo isso aconteça, é essencial que o professor se preocupe em construir seu próprio repertório cultural. O principal objetivo de criar repertório nas crianças é ampliar a imaginação e criatividade delas sem cair na mesmice, o que exige que os educadores também participem de atividades culturais e tenham boas referências em mãos.

O profissional pode buscar referências na internet, em livros, revistas e jornais, além de se informar sobre as programações culturais voltadas ao seu público, no caso, os alunos. Ele também precisa estar em constante atualização, participando de cursos e congressos, por exemplo. Uma dica é ler as obras do psicólogo Lev Vygotsky e também procurar saber como pensam os educadores de outros lugares do país e também do mundo.

Itamara Barra, Coordenadora Pedagógica do Fundamental I 

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