Tudo Certo X Tudo Errado
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Tudo Certo X Tudo Errado

Paula Braga

22 de março de 2019 | 15h42

Hoje deu tudo errado

Minha filha, que vinha dormindo as noites inteiras há algumas semanas, resolveu acordar às 5:30 da manhã, berrando.  Até eu conseguir faze-la dormir novamente já eram quase 6.  Meu despertador estava marcado para 6:50.  Como havia tomado antialérgico ontem à noite, resolvi voltar para cama nem que fosse por um pouquinho, pois estava realmente cansada.

Pego no sono, e acordo, no susto, com o despertador.  A cabeça dói, meu corpo está pesado, mas dessa vez é para valer.  Coloco a roupa, a maquiagem e logo antes de começar a fazer o café, resolvo checar meu celular.  Uma mensagem de meu primeiro cliente.  Ele estava queimando de febre e dizendo que não poderia ir.  “Você me perdoa, Paula?” Claro que perdoo.  Cansada, me arrasto de volta para o quarto para avisar meu marido.  “Volta para cama”.  Eu normalmente não o faria, mas, como o antialérgico tinha me deixado quebrada, tirei a roupa e fui para cama.  Desmaiei de cansaço e acordei de novo com o despertador.  Dessa vez, senti-me um pouco mais descansada.  Ao preparar o café noto no reflexo do micro-ondas que minha maquiagem borrou toda, e pareço um guaxinim. Limpo o rosto e vou para o trabalho.

Estou aguardando minha reunião das 9:30 quando toca o telefone.  São 9:25 então digo para pessoa que potencialmente terei que desligar logo. Ela menciona que recebeu meu nome como indicação, mas como eu não estava respondendo os e-mails que ela tinha mandado, resolveu tentar por telefone.  Pergunto que e-mail ela estava tentando.  Percebi que era da minha empresa antiga.  Pensei em quantas indicações eu perdi por essa falha.

Ao terminar a ligação, noto que já são 9:40.  Escrevo para a pessoa com que tinha a reunião. Ela esqueceu.

Sentindo de leve que o dia não estava sorrindo para mim, resolvi fazer do limão uma limonada: “vou aproveitar que estou com horário livre e vou para o clube!”.  No caminho, a coisa mais inesperada: cruzo com um passeador de mini pôneis e bodes!  Nunca tinha visto isso: um homem, levando na coleira uns 5 mini pôneis e uns tantos bodes em pleno Jardins.  Fiquei tão encantada que resolvi dar a volta no quarteirão para vê-los de novo e, dessa vez, eu queria filmar.  Dei a volta e quando a chegou a hora de sacar o celular, só consegui filmar o rabinho de um dos pôneis.  Não teria registro daquele momento histórico.

Chego ao clube, meio sem vontade, mas disposta a fazer algo de produtivo nesse dia.  Olho no relógio e concluo: consigo chegar na aula de zumba a tempo! Ao colocar a roupa de ginastica, percebo: esqueci de levar meia. Não rola fazer aula sem meia.  Juro que nesse momento pensei que o universo estava zoando comigo.

Resolvo não desistir e vou para lojinha do clube comprar meias.  “Ixi….a coisa está ruim hoje…só temos cano alto”.  Cano alto??? Quem usa meias cano alto?!  Pedi para a moça dar uma fuçada se não tinha nada a mais mesmo e acabei comprando meias tamanho “Juvenil M”.  Nessa hora, já perdi o ânimo da aula. Resolvo ir para academia para subir escada. O aparelho disponível estava quebrado.  Derrotada, vou para o restaurante às 11:30, e encho a cara com um Beirute e um sorvete colegial.  Que diazinho safado…e não era nem meio dia ainda.

 

Hoje deu tudo certo.

Minha filha, que vinha dormindo as noites inteiras há algumas semanas, resolveu acordar às 5:30 da manhã.  Ao me ver entrando no quarto, para de chorar imediatamente e sorri.  Pego-a no colo e agradeço aos céus por ter uma filhinha tão saudável e linda.  Após coloca-la para dormir, resolvo aproveitar os minutinhos que me sobravam e voltei para cama.  Quando tive que despertar de verdade, ainda estava bastante cansada.  Então qual não foi minha felicidade quando o cliente das 8h pediu para remarcar.  Voltei para cama e consegui descansar o que faltava.  Quando finalmente fui para o escritório, falei com uma potencial cliente que mencionou que tinha tentado me mandar e-mails, mas sem sucesso.  Perguntei quem tinha me indicado e, assim que desligamos, mandei uma mensagem para a pessoa que me indicou atualizando meus contatos.  Foi uma sorte tremenda ter tido essa conversa, pois percebi que talvez precise reforçar com algumas pessoas meus contatos atuais.

Como minha reunião das 9:30 acabou não aparecendo, resolvi ir para o clube.  No caminho, a coisa mais inesperada: cruzo com um passeador de mini pôneis e bodes!  Nunca tinha visto isso: um homem, levando na coleira uns 5 mini pôneis e uns tantos bodes em pleno Jardins.  Ao dar a volta no quarteirão, outro fator inusitado: cruzei com uma blogueira (chama assim?) que sigo no instagram, caminhando com seu filho.  Fiquei tão emocionada com as duas coincidências no mesmo quarteirão, que resolvi mandar uma mensagem para ela contando sobre os pôneis, caso ela quisesse levar seu filho para ver.  Estava achando toda a situação muito engraçada e, pelo visto, ela também.  Respondeu minha mensagem muito carinhosamente, agradecendo a indicação.  Chego no clube atrasada para aula por causa da questão dos pôneis, e percebo que estou sem meias.  Compro umas juvenis super fofas (acho que os fabricantes dão mais carinho na confecção para os mais jovens) e acabo indo para academia.  Motivada, não estou.  Daí, quando o equipamento que eu ia usar estava quebrado, considerei isso um sinal dos deuses para seguir o meu coração.  E meu coração sempre bate por comida.

 

O motivo pelo qual eu relatei essas “duas” historias, foi para mostrar que é tudo uma questão de interpretação.

Cabe a mim e a você escolher se seu dia/mês/ano foi tudo certo ou tudo errado.  Se aquela discussão com o colega foi um fracasso ou um grande aprendizado.  Se você ter recebido aquele “não” foi um desastre ou uma benção.

Na grande maioria dos casos, ambas as interpretações (e muitas outras) cabem.  Quiçá, a única verdade, é que não há uma única verdade.

Então é isso…seguimos andando, entre mini pôneis e filosofias.  E se você estiver em dúvida se seu dia foi “tudo certo” ou “tudo errado”, fica a dica: é o que você escolher.  Mas, em se tratando de um dia mini pôneis, minha tendência é achar que foi mágico.

Dúvidas, perguntas, elogios? Sou toda ouvidos: paula@paulabraga.com.br

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