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Sobre a ditadura de amar seu trabalho

Paula Braga

31 Outubro 2018 | 12h03

Eu amo meu trabalho.  Eu amo acordar todos os dias e pensar nas pessoas que vou atender.  Eu me sinto energizada no final do dia, sentindo que consegui ajudar a Camila ser mais auto-confiante, o José a conseguir se comunicar melhor e a Juliana saber como gerir melhor sua equipe.  Meus clientes são mais do que clientes.  São pessoas com quem me preocupo. Com quem até sonho.

Hoje mesmo eu falei com um cliente novo e ele me contou que uma das coisas que sente que vai bem na vida dele é que ele consegue  se “desligar” totalmente ao chegar em casa.  E entendo como isso é bom.  Eu, por outro lado, não desligo nunca.  Quem eu sou no trabalho é quem eu sou na minha vida pessoal e vice-versa.  Acredito que ao trabalhar com o que você ama (e, possivelmente, ao ter um negócio próprio), a linha entre vida pessoal e profissional não é muito clara.  Para algumas pessoas isso é bom, e para outras isso é ruim.

Houve um tempo em que eu trabalhava o ano todo focando naqueles dois blocos de 15 dias onde eu iria descansar/ser feliz.  E tudo bem também.  Não tem um jeito certo de se relacionar com o trabalho.  Não acho que você precisa amar o que você faz.  Trabalho pode sim ser “só” um trabalho/fonte de renda.  E você pode amar poder proporcionar o melhor tipo de oportunidade para sua familia a partir de um trabalho que você não exatamente ama.

O importante é buscar a coerência entre o que você diz que quer (o que sente, o que pensa, o que fala) e o que você de fato faz.   Se amar seu trabalho é importante para você, então trate de correr atrás de algo que te motive, que te traga energia.  Se o mais importante é ter uma renda x pois você quer fazer um MBA, comprar uma casa maior, fazer um pé-de-meia, então pronto, assuma sem culpa que isso é o mais relevante nesse momento e corra atrás disso.  Se o que mais importa é estar dedicando seu tempo a uma causa (independente de gostar das atividades que tem que fazer ou do salário recebido), pois bem, vai com tudo.  E se para você, tudo (amar o trabalho, dinheiro, impacto, etc, etc, etc) importa, então ótimo, corra atrás disso!

Não existe uma fórmula correta para o que você deve buscar em termos de carreira, até porque, com o mundo mudando tão rapidamente, o que faz sentido para você hoje, talvez não faça mais daqui a um ano.  O importante é se dar um tempo para olhar para dentro e refletir sobre o que faz sentido para você.

Para ajudar nesse processo, seguem algumas perguntinhas capciosas:

O que é sucesso para você?

– Quais são os valores que realmente importam?

– Quais são as características de um trabalho ideal? Que tipo de atividade você faria, que tipo de pessoas você conviveria, que tipo de assunto você pensaria todos os dias?

– Qual é seu sonho?

– O que você faz hoje está alinhado com o que você valorize e deseja?

–> Caso sim, mazel tov! Celebre que você está no caminho certo, e continue se desenvolvendo.

–> Caso não, não tema! Nós podemos mudar nosso rumo a qualquer momento, e refletir sobre o que você deseja é um ótimo primeiro passo. Basta agora tomar pequenas ações com consistência para começar virar seu barco para uma direção mais desejada.  Para pensar: qual é uma ação que você pode adotar nesta próxima semana que te levará um pouquinho mais próximo a seu objetivo? Pensou? Agora é colocar na agenda e agir! Fazendo pequenos passos consistente, você está no caminho de ter a coerência entre o que diz que quer e o que de fato faz.  E se isso não é sucesso, eu não sei o que é 🙂