S – Stanford
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S – Stanford

Claudia Gonçalves

26 Outubro 2012 | 12h56

Agradeço a colaboração da Daniela Bouissou, que gentilmente escreveu este post  sobre sua experiência no MBA de Stanford. Espero que, além de inspirar pessoas que estão nesse árduo processo de application, seu depoimento possa mostrar que o esforço realmente vale a pena!

Todos os anos tenho a alegria de conversar com pessoas que pretendem trilhar o mesmo caminho que trilhei: “dar um tempo” na carreira para cursar um MBA. Afinal, quem não gostaria de dar um salto maior que dois anos de trabalho convencional seriam capazes de proporcionar? Ou permitir a si mesmo uma reflexão em busca de uma existência mais feliz?
Foi o meu caso. Previamente ao MBA em Stanford, eu me dedicava plenamente ao exercício da Medicina, o que torna mais complexa qualquer tentativa de traçar um paralelo com a experiência de um consultor ou executivo. Eu buscava redirecionar minha trajetória profissional e aumentar o potencial transformador do meu trabalho. Veladamente, acalentava o sonho de ser empreendedora, mas não sabia como chegar a este objetivo sem as ferramentas de gestão. Sem apego aos anos dedicados à formação médica, mesmo sem conhecer àquela altura o conceito de “custos irrecuperáveis”, me atirei na oportunidade de alcançar meu objetivo. E o MBA seria meu trampolim.
Em Stanford, vivi dois anos de intenso aprendizado, facilitado e impulsionado por colegas brilhantes. Houve momentos difíceis, em que chorei de exaustão em meio a atividades acadêmicas, organização de viagens, eventos e confraternizações. Mas não me privei da exposição aos grandes desafios pessoais, como as aulas eletivas de finanças em que colegas de bancos de investimento faziam perguntas que, a princípio, eu mal podia compreender.
Cinco anos depois, há apenas alguns dias, encontrei por acaso um dos meus exames finais de empreendedorismo de Stanford aqui em casa. Nele, expus um plano de carreira exatamente oposto ao ensinado por meus professores. Em vez de ir diretamente para a carreira do empreendimento, que era o aconselhado, defendi o trabalho prévio em uma consultoria estratégica como forma de sedimentar conceitos de gestão e desenvolver uma tática de abordagem: exercitar a habilidade de desmembrar problemas complexos em partes menores. A seguir, defendi o trabalho na indústria de saúde para que pudesse ter experiências reais de gestão e liderança. Só então estaria apta a empreender.
Esse exame foi um dos mais bem avaliados do meu MBA. Mas não foi apenas isso. Também foi o plano de voo mais bem sucedido que já fiz. Logo após o MBA, me tornei consultora do Boston Consulting Group.  A seguir, fui líder de uma unidade de negócios em uma empresa de prestação de serviços para operadoras de saúde. Hoje, me dedico ao desenvolvimento da empresa que ajudei a fundar: boaconsulta.com, que tem por objetivo tornar mais transparente e eficiente a dinâmica entre oferta e demanda de serviços de saúde. O boaconsulta.com conta hoje com um time de 15 pessoas e tem posição de liderança em seu segmento. Isso me dá muita alegria e, sem nenhuma dúvida, afirmo que o MBA viabilizou essa grande mudança em minha carreira e em minha vida.
Aos que me consultam a respeito da experiência que vivi em Stanford, sempre advirto cautelosamente o quão difícil é tecer uma opinião sobre o impacto de uma decisão como essa para cada um. Mesmo porque a experiência pode variar significativamente dependendo do ponto de partida pessoal. Mas estou certa de que ao menos posso falar pelas pessoas que conheci no curso. Entre consultores, executivos ou  mesmo “poetas” – apelido pelo qual eram chamados os candidatos com formação e experiência prévia em ciências humanas e biológicas -, todos são unânimes ao dizer: “foi uma experiência que valeu a pena”.