O que aprendi nas minhas expatriações
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O que aprendi nas minhas expatriações

Paula Braga

04 de março de 2020 | 09h10

Nesta semana convidei a querida coach e amiga Luciana Carreteiro para compartilhar sobre sua experiência em expatriações. Considero que os aprendizados que ela trouxe podem ser aplicados não somente por aqueles que estão ou desejam essa experiência, mas também por aqueles que desejam trazer um novo olhar para seu dia-a-dia. Afinal, como alguém bem mais inteligente que eu (Marcel Proust) já disse: “A verdadeira viagem de descobrimento não consiste em procurar novas paisagens, e sim em ter novos olhos”.

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Com vocês, Luciana. Aproveitem 🙂

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Morar fora é o sonho de muitas pessoas. Ter a oportunidade de trabalhar em um outro país, além do desafio, certamente seria um reconhecimento da competência profissional. E permite expandir os horizontes. Eu fiz a viagem inversa, morava fora e voltei ao Brasil. Paula Braga e eu temos isso em comum: moramos fora quando éramos crianças e depois quando adultas. Dois contextos bem diferentes.

Na minha vida, morei na França, EUA, Suíça e Brasil. O intuito desse relato é dividir sobre minha experiência de morar fora. Quero ressaltar duas fases: minha experiência na Suíça e depois a minha chegada em São Paulo (sou carioca e conheci a linda cidade de São Paulo pela primeira vez há 11 anos atrás).

1. Experiência na Suíça

Fui trabalhar na Suíça (morava na França há 14 anos até então) para uma multinacional, e não poderia encontrar lugar melhor para morar do que a Suíça francesa (French Riviera) com vista para os Alpes franceses. Quadro paradisíaco. Sabe o que eu aprendi na Suíça?


Respeito ao outros e aos costumes: do horário a coleta seletiva.

Se combinamos que a reunião inicia às 14:00, 13:50/13:55, todos já estão na mesa, aguardando a reunião começar às 14:00 em ponto. Não é para chegar às 14:00 e iniciar 14:15. Nesse pequeno detalhe você já vê o valor da produtividade e da importância da igualdade: todos devem fazer o mesmo. O chefe inclusive dá o exemplo. E não o contrário, ele não é a exceção. E sabe em que detalhe essa igualdade aparece no dia-a-dia? Na coleta seletiva. Na Suíça, não é o lixo que vem até você: você vai até o lixo e separa absolutamente tudo. Para ser sustentável, o produto precisa ter a maior vida útil possível. Então nos centros de reciclagem tem uma sala com as coisas que você quer doar e sempre encontra algo legal. Além disso, é importante separar TUDO: orgânico, papel, alumínio, vidro, PET, cápsulas de café, pilhas, óleo e claro o mais importante: o saco de lixo da prefeitura para o lixo comum. Sim esse custa 2,5 francos suíços (aprox. R$10 a unidade) o de 35L ou seja a taxa já é embutida nele. Outro ponto de respeito é no trânsito.

Regras são feitas para serem seguidas.

O pedestre ameaça atravessar, os carros param. E você acaba entendendo que o suíço nunca está com pressa, porque ele se organiza para chegar antes. Então a vida lá me parecia menos acelerada, mais equilibrada, e assim, pude aprender muito sobre os costumes locais.

Colocar a capacidade de adaptação à prova.

Tudo isso para dizer que morar fora requer novos hábitos e uma grande capacidade de adaptação. Na minha experiência, não importa o lugar, isso passa pelo aprendizado da língua local. Nem que sejam apenas algumas palavras, se estiver indo por exemplo para a Tailândia, você e sua família tem de se adaptar aos costumes locais, e não o contrário. Na Suíça, na pequena cidade onde morei, os supermercados fechavam às 18:00. Planejamento era a palavra para fazer as compras, lavar a roupa e jantar fora!

Evitar comparações

Outro ponto que percebi, é que quando você pensa demais no que deixou para trás, não se permite viver e abraçar o novo. Por isso as crianças têm mais facilidade em se adaptar. Seus hábitos não estão ancorados ainda. Esse estado de espírito requer um tempo de adaptação, agora quando você começa a aceitar e não questionar tudo, você se adapta melhor e acaba encontrando o “seu” novo jeito.

2. A chegada em São Paulo

Em minha vida me mudei pelo menos 12 vezes de cidade, entre todas as idas e vindas. E sempre precisei me adaptar às novas condições.

Conectar com as pessoas e entender o nível de intimidade praticado.

Quando me mudei para São Paulo, entendi a importância de conectar com as pessoas em um nível mais pessoal porque no Brasil se interessar pela história da pessoa faz parte do trabalho, já nos Estados Unidos perguntar da vida pessoal é visto como deselegante ou até ofensivo. As pessoas se sentem invadidas. Tudo isso influencia na forma como se trabalha e na nossa adaptação como brasileiro no exterior. Precisamos achar outros meios de nos conectarmos a população local e assim de praticarmos a nossa integração.

Entender a cultura da empresa no novo local de trabalho.

Cheguei em São Paulo diretamente da Suíça pela mesma empresa com uma cultura clara em mente: praticar pontualidade, produtividade e comunicação assertiva. Em algumas semanas, realizei que essa não era a cultura da empresa e sim do país. Sim, cultura da empresa é diferente em cada país. Em minha vivência, os valores da empresa não mudam, mas se moldam à cultura local.

Planejar a transição para facilitar a sua integração.

Tendo morado mais da metade da minha vida fora, percebo que o mais importante para uma boa integração é planejar a transição de função e estar aberto ao novo. E isso quer dizer se interessar pela cultura, economia, política de onde você vai morar. No trabalho, planejar uma fase de conhecimento do novo onde você vai fazer perguntas, sem julgamentos, apenas recebendo informações.

Se a empresa acha que você vai performar em outro mercado, ela acredita em sua capacidade de adaptação e transformação. E isso passa pelas pessoas. Onde há relacionamento humano, há comunicação. Ou seja, se interesse pelas pessoas, e em como elas fazem as coisas antes de querer impor qualquer mudança, porque se adaptar é exatamente isso: se permitir enxergar o novo para se construir o “seu” novo projeto.

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Luciana Carreteiro é coach executiva especialista em desenvolvimento de alta performance para líderes e fundadora da Kyma Coaching, empresa que apoia executivos e empresas a potencializarem suas competências.

@lucianacarreteiro |  www.kymacoaching.com.br.com.br

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Quer falar comigo? Entre em contato através do e-mail paula@paulabraga.com.br.

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