Nos sapatos de meus clientes (Parte II) – Porque ser ruim em algo pode ser bom
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Nos sapatos de meus clientes (Parte II) – Porque ser ruim em algo pode ser bom

Paula Braga

25 Agosto 2018 | 09h48

Em um de meus cursos de coaching, eu – e cada um dos alunos – tínhamos como tarefa iniciar uma atividade a qual nunca tinha feito antes.

O motivo para isso era sentir e observar como era ser um iniciante. Como era não saber algo e estar nesse processo de aprendizagem. Como era ser muito muito ruim em algo. O ponto não era só entender essas coisas intelectualmente. Tínhamos que sentir no nosso corpo como era difícil aprender um skill novo. Entender como nós reagiríamos a ser inapto em algum processo.

Eu escolhi fazer yoga.

Era algo que eu já tinha tido vontade antes de fazer mas que, por um motivo ou outro, sempre deixava para depois.

Nas aulas, sendo desafiada pela professora a me esticar de maneiras que pareciam simplesmente cruéis, eu me conectei com um lado negro meu. Um lado invejoso, que olhava para as pessoas que conseguiam colocar o pé atrás da cabeça com uma certa raivinha. Um lado fraco, que tudo o que queria era simplesmente largar a aula na metade e ir embora cheia de razão (afinal, quem precisa disso?). Um lado raivoso, que silenciosamente odiava a professora toda sorridente quando eu estava ali, claramente morrendo.

Nutrindo pensamentos altamente destrutivos, eu consegui por um momento me afastar desses sentimentos o suficiente para notar como eu era como iniciante. De maneira resumida, uma criança birrenta. Que não gosta de perder. Que não suporta ser pior que os outros. Que tem vergonha de não saber tudo.

Essa sou eu como iniciante, ou seja, quando estou fora da minha zona de conforto.

Cada pessoa tem um jeito de agir nessas situações. Tem pessoas que simplesmente evitam coisas novas para evitar esse desconforto. Tem outras que se motivam pelo desafio. Tem outras que encontram desculpas para não encarar (tipo, “eu ia começar a fazer yoga, mas daí tive que levar meu cachorro no veterinário…”). E por aí vai.

Essa experiência, ainda que desconfortável, me ajudou a ter mais empatia pelos meus clientes. Quando eles não fazem suas “lições de casa”, eu entendo. Isso não significa que eu passe a mão na cabeça deles, mas eu entendo como é difícil iniciar um comportamento novo. Como é difícil criar a disciplina para inciar uma rotina de estudos, como é difícil ir fazer networking, como é difícil fazer entrevistas.

Portanto, se você está sofrendo para mudar algo na maneira como age, pare, respire, e se dê um auto-abraço (ou pode pedir um abraço para alguém. Também conta). Mudar é difícil e você está vencendo só de tentar. Após isso, corra atrás de alguém para te ajudar no processo. Pois se mudar é difícil, mudar sozinho é ainda mais.

Um auto-abraço para você 🙂

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Está ralando para aprender algo novo?

Me conte como está sendo para que eu possa te ajudar com dicas mais específicas  (ou para simplesmente reclamarmos juntos)