Não busque sua paixão
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Não busque sua paixão

Paula Braga

28 de fevereiro de 2020 | 12h13

Recentemente ouvi um podcast maravilhoso (Worklife, do Adam Grant) que provocava: Em se tratando de sua carreira, buscar sua paixão é uma besteira (a tradução foi livre, portanto a rima é de autoria minha, que fique claro ☺).

 

Para uma coach que, há muitos anos ajuda a clientes identificarem trabalhos que lhes trazem mais alegria e satisfação, a frase dele me causou certo desconforto. Mas me trouxe também grande curiosidade.

Buscar um trabalho pelo qual você é apaixonado é o sonho de muitas pessoas. Foi o meu durante muito tempo. Porém, há quase 10 anos, me considero uma daquelas felizardas que pode dizer de boca cheia que ama o que faz. Mas isso significa que eu busquei e encontrei minha paixão? Não necessariamente.

Que eu busquei, eu busquei. Durante os 12 anos de minha carreira corporativa, meu tema favorito de terapia era: O que eu realmente quero fazer da vida? O que me fará sentir que estou vivendo meu propósito? No que eu realmente sou boa? Será que é essa a melhor forma de estar gastando meu tempo?

A terapia me proporcionou alguns insights sobre o que eu gostaria. Mas, mais importante, a terapia – e apoio dos meus familiares e amigos – me deu coragem para me arriscar em algo novo (o coaching). E foi somente através de me arriscar, de tentar algo novo, que passei descobrir um trabalho que me energizava.

Quando eu comecei a atender como coach, eu não tinha certeza de que eu gostaria ou de que isso era minha “paixão”. Tampouco tinha certeza de que seria boa na atividade, e muito menos de que poderia ganhar dinheiro. Mas o prazer que eu sentia no trabalho em si e minha curiosidade em entender cada vez mais sobre comportamento humano/produtividade/liderança/hábitos, me fez seguir no caminho. Paixão não é algo que você encontra. É algo construído.

E esse é o ponto do Adam. Buscar uma paixão é um esforço mal direcionado. É como se você entrasse no Tinder com o objetivo de achar o amor da sua vida. Não é que isso seja impossível (digo isso com propriedade, pois conheci meu marido-amor via o dito aplicativo). Mas o fato de você colocar toda essa expectativa na busca fará com que a chance que você encontrá-lo abaixe significativamente.

Isso porque, se estamos atrás do amor da nossa vida, aquele que fará nossos dias fazerem sentido, qualquer dificuldade que tenhamos no caminho leva ao questionamento: será que é mesmo amor de verdade?

Será que, se fosse minha verdadeira paixão, precisaria ser tão difícil assim? Se está difícil, não era para ser. E assim, partimos para a busca de uma nova paixão, ou de uma nova carreira. Mais do que buscar “qual sua paixão”, deveríamos nos perguntar sobre:

  • O que tenho interesse em aprender mais?
  • O que me deixa extremamente curioso?
  • Qual o tipo de atividade que eu adoro fazer?
  • Que tipo de atividade tenho vontade de testar?”

Obviamente, a resposta de algumas dessas perguntas podem ser coisas pelas quais outras pessoas não estão dispostas a te remunerar por elas. Mas, vamos lá….se hoje em dia temos até jogadores de vídeo game profissionais, por que não tentar responder de maneira genuína a essas perguntas?

O ponto é parar de buscar sua paixão e abrir espaço para sua curiosidade.

E, se buscarmos nossa curiosidade, quem sabe não acabamos nos apaixonando?

Para finalizar, em se tratando de tornar sua paixão em uma carreira, nada mais real do que as palavras do “guru” Chris Rock: “Você pode ser o que você quiser….desde que você seja bom naquilo e eles estejam contratando”.

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