Hoje eu chorei
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Hoje eu chorei

Paula Braga

12 Setembro 2018 | 16h44

Sim. Chorei. Não se trata de um fato inédito na vida de uma pessoa, mas para mim, coach, que “deveria” ter a vida toda certinha, a sensação é de ser uma certa farsa.

E o que motivou esse choro?

Minha babá pediu demissão.  Só isso?

Não, claro que não.  Mas essa foi a gota d’água.

O motivo por trás do choro são os julgamentos e projeções que eu fiz a partir desse fato:

–> “Minha vida está fora do controle”

–> “Não estou conseguindo equilibrar minha vida pessoal e profissional”

–> “Como vou dar conta de tudo que tenho que fazer/de todos os papéis que tenho que exercer se eu não tenho uma equipe que me apoie?”

–> “Como isso foi ocorrer justo agora que tenho esse compromisso incrível de que não posso me ausentar?”

Foi quando me dei conta de que esses problemas/julgamentos são os que todos nós passamos – todos os dias.

Hoje mesmo uma cliente chorou comigo porque sentia que não ia dar conta dos desafios que estavam por vir em seu trabalho nas próximas duas semanas.  Grávida de 2 meses e responsável por coordenar uma complexa visita de um VP gringo no Brasil, ela estava com dificuldade para ter energia para tudo.

Outra cliente chorou essa semana porque, ao ter trocado de emprego muitas vezes, tinha criado um currículo “pula-pula” que – de acordo com sua projeção catastrófica – a perseguiria negativamente para o resto de sua vida, minando qualquer chance de sucesso profissional.

Os homens são mais difíceis de chorar no meu escritorio.  Muitas vezes o stress vem em forma de raiva, cansaço ou negação.  Não é incomum um candidato para MBA sumir depois de ter algumas tentativas frustradas para o GMAT.  Lidar com esse desgosto e ter que juntar as forças para continuar estudando é muitas vezes tão difícil, que o cliente se convence que “nem queria mesmo” fazer aquele MBA.

Cada um de nós lida com as situações difíceis de forma diferente.  Sentir-se triste (desanimado, raivoso, ansioso) é normal.  De acordo com a psicologia, há 6 emoções básicas e nos permitirmos senti-las plenamente é um sinal de saúde mental.  O que não dá é nos sucumbir a estados pouco produtivos por longos períodos de tempo.

Então, o que podemos fazer quando nos vemos tomados pela emoção?

Seguem 3 passos simples para você retomar suas rédeas emocionais:

1 – Permita-se sentir suas emoções plenamente. – Um coach antigo meu falava que emoções são como puns.  Tentar segurá-las dentro de você só vai fazê-lo se sentir doente.  É melhor liberá-las no mundo (num lugar/contexto adequado, claro) e seguir sua vida.

2 – Uma vez vivenciadas as emoções, lembre-se de seus compromentimentos.  Com o que você é realmente comprometido?  O que realmente (realmente) importa para você?

3 – Com base apenas em seus comprometimentos, qual o próximo passo a ser tomado?

No meu caso…

– Já chorei hoje (vivi a tristeza). Sinto que talvez tenha que chorar mais um pouco (meu marido que me aguente).

– Eu sou comprometida com minha filha ter o melhor cuidado possível. Eu sou comprometida em ser a melhor coach possível para meus clientes. Eu sou comprometida com meus relacionamentos próximos.

– Com base em meus comprometimentos, o que há para fazer é acionar meu network em busca de uma nova babá, de maneira que eu sinta que minha filha está bem cuidada e que eu possa me dedicar a meu trabalho.

Fez os 3 passos e ainda assim continua aquela sensação de desgraça e aquela vontade de chorar? Retomar passo 1  e começar tudo de novo 🙂  Agora é sua vez.  Selecione uma área de sua em que você está se sentindo desencorajado/fraco e teste os 3 passos.  Depois me conta como foi.  #tamojunto e boa sorte!