Faz sentido fazer um MBA internacional se você sonha em empreender?
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Faz sentido fazer um MBA internacional se você sonha em empreender?

Paula Braga

06 de julho de 2020 | 14h43

Ao apoiar clientes no processo de application para MBAs internacionais, eu percebi ao longo dos anos que passamos por diversas “modinhas”.

Há uns anos atrás, o objetivo de carreira pós-MBA mais comum era consultoria.  Depois virou trabalhar com Private Equity ou Venture Capital.  Depois tivemos a interessante fase das empresas de mobilidade (99, Uber).  Mais recentemente, a menina dos olhos são as “x”-techs (fintech, edtech, healthtech, etc).

Agora, o que nunca sai de moda, é empreender.  E as escolas de negócio sabem disso.  Por isso, não economizam em criar trilhas de empreendedorismo em seu currículo que tem como objetivo ajudar aos alunos saírem de lá donos de seu próprio negócio.

Mas, na prática, fazer um MBA para criar seu próprio negócio é uma estratégia eficaz?

Convidei o Thiago Torres, fundador da Pipo Saúde para compartilhar um pouco sobre como o MBA o ajudou a criar seu negócio.  Trata-se de um relato sincero e pé-no-chão sobre o que ele tirou da experiencia para o ajudar em sua empreitada.

Acredito que as experiencias do Thiago podem ajudar muitas pessoas a terem uma nova luz sobre como o MBA pode ajudar nesse processo.

Sem mais delongas, segue o relato do Thiago.  Aproveitem!


Desde a faculdade, eu tinha vontade de fazer um MBA internacional. Não sei muito bem por que, mas a ideia de estudar em um novo país, com pessoas de várias nacionalidades, para aprender como negócios eram “tocados” sempre me interessou muito!

Acontece que, após a graduação, eu segui carreira no mercado financeiro, como investidor de Private Equity, onde já tinha bastante relação com empresas, executivos e negócios em si. Logo, fazer MBA para aprender mais de business, deixou de ser uma proposta tão interessante, academicamente e profissionalmente falando. Tive muita dúvida se valeria parar 2 anos minha carreira e me endividar em até USD200K, para tudo dando certo, eu voltar para a mesma carreira e em uma posição muito parecida.

Em 2017, porém, comecei a me envolver mais com empresas de tecnologia e inovação. Aquilo me fascinou. Empresas com apenas 4 ou 5 anos de história estavam transformados indústrias tradicionais por completo (varejo/e-commerce, transporte/mobilidade e bancos/fintechs). Eu queria fazer parte dessa transformação e desse impacto. Foi então que o MBA voltou ao radar.

Por que não parar um tempo para estudar novos modelos de negócio, novas tecnologias, visitar empresas e ver o que está acontecendo no mundo? Não sei se o MBA é o melhor jeito de fazer isso, mas foi o caminho que eu, no meu caso, por sorte, segui.

Eu decidi ir para o INSEAD (França e Singapura), mas desde o início do curso quis aproveitar esse período para trabalhar em uma ideia no setor de saúde no Brasil. Na minha visão, o MBA é uma oportunidade única para começar a empreender: você conhece empreendedores, visita startups, testa ideias e recebe feedbacks de colegas e professores brilhantes.

Tudo isso, sem muito compromisso. Afinal de contas, você é um estudante e pode se dar ao luxo de errar a vontade até o fim do curso.

Embora algumas classes te ensinem algo sobre empreendedorismo e startups. Nem de longe isso é o que mais agrega no MBA. Empreender é uma montanha-russa diária de sucessos e fracassos, de incêndios que aparecem e têm que ser apagados. Nenhum curso te ensina como lidar com isso. O que o MBA te dá, é a confiança e os recursos necessários para lidar com os problemas e conseguir estruturar um negócio. Isso claro, depois de bater a cabeça na parede algumas vezes para aprender.

Se você quer fazer MBA e empreender depois, use e abuse de todos os recursos que a escola pode te oferecer: cursos, mentoria com empreendedores, mentoria com professores, competições de pitch / startups, viagens para visitar empresas, entre outros. Mas, principalmente, teste sua ideia e tente tirar ela do papel durante o ano que estiver lá. 

No meu caso, a ideia que eu estava trabalhando quando comecei o MBA deu errado e a gente “quebrou”, mas ela foi o embrião para que começássemos a Pipo Saúde, plataforma digital de benefícios de saúde que ajuda empresas a contratarem e gerenciarem os melhores planos de saúde para seus colaboradores. Em menos de 1 ano, a Pipo foi de um powerpoint para uma empresa apoiada pelos principais fundos de Venture Capital da America Latina e com mais de 30 clientes corporativos. Não acho que nenhuma aula específica tenha me ensinado como construir a empresa, mas ter parado um ano, tentando tirar um negócio do papel, errando, recebendo feedbacks e aprendendo, com certeza ajudou quando a “coisa ficou seria” e fomos empreender full time após o MBA.

 


Thiago Torres é co-fundador e COO da Pipo Saúde, plataforma digital de saúde que auxilia empresas a contratarem e gerirem de maneira centralizada os benefícios de saúde de seus colaboradores. Thiago é economista pela USP e têm MBA no INSEAD.

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