As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Eu poderia ter sido uma casamenteira indiana

Paula Braga

23 de julho de 2020 | 09h29

Ou esteticista.  Ou psicóloga. Ou escritora.  Ou muitas outras coisas.

 

Hoje, confesso, que me permiti.  Um pouco cansada da minha rotina bastante atribulada, resolvi dar um break de tudo que eu precisava fazer e resolvi dedicar duas horinhas do meu dia ao ócio improdutivo.

 

Aproveitando o cancelamento de uma cliente bem na hora anterior a do almoço, resolvi ligar o Netflix no celular.  Queria relaxar.  Queria esquecer um pouco da vida.  Queria dar umas risadas.  Qual seria meu companheiro de almoço? Dix por cent? Não…não era exatamente isso.  Billions? Chequei, e não havia episódios novos.  Até que um seriado novo me chamou atenção: Indian Matchmaking.

 

Com certa queda por reality shows (julguem-me), não resisti, e lá me vi, comendo meu peixinho e entrando no maravilhoso mundo dos casamentos arranjados indianos.

 

Foi quando me peguei pensando…”Eu adoraria fazer isso”.  Ela lida com pessoas.  Ela ajuda essas pessoas identificarem o que elas querem, seus valores, seus desejos, seus objetivos.  Ela viaja o mundo.  Ela conecta pessoas que considera que vão se dar bem.  Ela ajuda as pessoas a serem mais felizes.  Sinto que seu trabalho é, de alguma forma, bem parecido com meu.  A única diferença é que em vez de coloridas festas de casamentos de 3 dias, o resultado de meu trabalho geralmente é um “Fui promovido!” ou “consegui aquele emprego!”.

 

Mas o ponto dessa história é que eu – assim como você e meus clientes – poderíamos ser muitas coisas.  E sermos felizes fazendo muitas coisas.  E sermos bem-sucedidos fazendo muitas coisas.

 

Eu vejo diariamente em meu escritório muitos clientes literalmente perdendo o sono porque não sabem o que querem fazer.  Por não terem claro qual sua paixão ou seu propósito, sentem-se inibidos de dar um próximo passo.  Porém, a lógica é exatamente oposta.  É claro que é importante termos auto-conhecimento sobre o que gostamos/não gostamos, sobre o que somos bons/ruins, sobre nossos valores.  Mas pode ser que, mesmo sabendo todas essas coisas, ainda assim não fique claro que caminho seguir.  Pois uma pessoa com meu perfil, por exemplo, poderia tanto se aprofundar em coaching, como em matchmaking, como em treinamentos corporativos.  E também ser executiva, marketeira, astróloga.

 

Mas, Paula, com você soube então que você queria ser coach?  Que você ia amar seu trabalho?  Segue um segredinho: EU NÃO SABIA!

 

Quando eu comecei nesse caminho, eu tinha um monte de inseguranças.  Ficava me questionando se em vez de formações de coaching, eu não deveria estar fazendo um MBA.  Ou se em vez de coaching, eu não deveria estar fazendo um curso de neurociência.  Tomei a decisão certa?  Acho que sim, pois sou muito feliz com o que faço.  Poderia ter sido ainda mais feliz ou tido mais sucesso se tivesse tomado outro rumo? Talvez…mas nunca terei como saber isso.

 

Dentro do que eu gostava e das decisões que eu fui tomando, minha história foi se desenrolando de uma maneira que hoje sou coach de carreira e executiva.  Talvez se, no meio de meu caminho, eu tivesse conhecido uma matchmaker e a gente tivesse se dado super bem, eu poderia ter virado assistente dela e hoje minha história seria outra.  Mas por enquanto não foi.

 

O ponto é que é somente na ação, somente testando algo, somente nos permitindo viver algumas experiências, é que vamos sentindo se devemos seguir em frente ou parar.  É testando que você perceberá se, apesar das dificuldades, você continua com curiosidade para aprender mais.  O exercício intelectual de auto-conhecimento nos leva até certo ponto.  O alinhamento dos astros nos leva a outro.  Depois, é seguir adiante, testando e aprendendo.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: