E as mães que trabalham, como ficam?
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E as mães que trabalham, como ficam?

Paula Braga

26 de maio de 2020 | 09h30

O papo de hoje é sobre o que está ocorrendo com pais e mães que estão tentando trabalhar e cuidar dos filhos, sem suporte, nesse contexto de isolamento social.

E, mesmo que você não seja pai ou mãe, vale entender um pouco mais sobre a realidade dessas pessoas, pois certamente têm colegas/chefes/subordinados nessa condição. A intenção aqui não é simplesmente compartilhar as agruras do que estamos passando, muito menos fazer “mimimi”. A intenção desse texto é trazer à tona a realidade do que está acontecendo, idealmente fomentar o sentimento de empatia e, por fim, trazer sugestões práticas de como apoiar esses guerreiros.

Desde o início do isolamento social, um assunto tem sido pauta nas conversas, nas empresas, nas redes sociais: o enorme desafio que é para famílias, e especificamente mães, darem conta das demandas dos filhos, da casa e do trabalho ao mesmo tempo e no mesmo espaço. Não que algum dia tenha sido fácil – se você tem filhos sabe que a variável “tranquilidade” nunca aparece na equação “vida pessoal + vida profissional”. Mas os tempos de Covid-19 colocaram uma enorme lupa sobre essa realidade.

Uma pesquisa recente feita por uma universidade espanhola mostrou que as mães de crianças pequenas estão mais estressadas e esgotadas do que nunca. Elas têm trabalhado em horários alternativos, logo cedo (antes das crianças acordarem) ou de madrugada (depois das crianças dormirem), e precisam facilitar o trabalho do parceiro, principalmente quando o horário do casal é rígido e as interrupções não são permitidas. Com o ensino remoto das crianças e as tarefas ininterruptas da casa, a sensação (real) delas é de que trabalham o dia todo, sem descanso.

Uma outra pesquisa, realizada nos Estados Unidos, ouviu 500 mães sobre como tem sido trabalhar com filhos em casa na pandemia. Para 81% o Covid-19 impactou negativamente a produtividade no trabalho e para 55% o estresse e a ansiedade provocados pelo momento atual impedem o engajamento no trabalho. Economistas estimam uma perda de mais de 340 bilhões de dólares considerando apenas as mães que trabalham.

Se você é mãe e está lidando diariamente com essa corrida de 110 metros rasos com barreiras que é o trabalho remoto com filhos, o que eu sinceramente penso é o seguinte: se você chega ao final do dia e seus filhos estão saudáveis e dormindo, a casa não está pegando fogo e você conseguiu fazer alguma coisa relevante no trabalho, você já está vencendo no jogo. Esse é um excelente momento para praticarmos uma enorme compaixão com nós mesmas, pois – na boa – você é incrível.

Se você é gestor e lidera um time com mães, principalmente aquelas com crianças pequenas, pense que essas mulheres estão como num jogo de futebol só que toda a equipe desapareceu (babá, faxineira, sogra, escola das crianças) e elas estão sozinhas para jogar contra o outro time. Elas atacam, mas não têm para quem passar a bola. Elas estão tentando marcar gol no adversário (entregar os resultados do trabalho), mas vira e mexe precisam voltar correndo para defender o próprio gol (para impedir que uma criança se jogue da cama ou para fazer um almoço, por exemplo). Consegue visualizar o caos?

Encare este momento como um catalisador de mudanças para uma nova cultura na sua equipe e na sua empresa. Recentemente, o Great Place to Work em parceria com o Bloom, lançou o guia Apoiando Mães e Pais que Trabalham – Um guia para gestores em tempos de pandemia, uma ótima ferramenta para essa transformação cultural.

Abaixo, uma síntese dos principais pontos:

  • A força do exemplo: mães têm enfrentado muitos desafios e quando elas sabem – e testemunham – que seus gestores também estão tentando equilibrar os pratinhos, isso faz toda a diferença.
  • Um ‘obrigado’ muda o jogo: parece simples – e, de fato, é. Um agradecimento pelo esforço e dedicação, mesmo diante de tantos obstáculos, constrói uma relação de confiança entre gestor e colaborador e estimula as pessoas a darem o seu melhor.
  • De olho no relógio: a agenda de uma mãe e de um pai não é a mesma de um colaborador sem filhos. Pergunte antes de agendar reuniões para checar se essa é uma boa hora na rotina da casa.
  • Parte da rede: uma das coisas mais importantes na vida de uma família é rede de apoio, pessoas e instituições com quem podem contar. Empresas podem fazer parte da rede de seus colaboradores. Há diversas formas de apoiar por meio de políticas, práticas e benefícios.

Quer saber mais sugestões para ser um melhor gestor nos tempos de COVID? Acesse o guia completo clicando aqui.

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Quer falar comigo? Entre em contato através do e-mail paula@paulabraga.com.br.

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