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Diário de uma (recém-descoberta) procrastinadora

Paula Braga

17 de janeiro de 2021 | 19h37

Uma das atividades que proponho para meus clientes que precisam de maior produtividade é fazer um diário de todas suas atividades durante dia. O objetivo é  entendermos quais são os ladrões de tempo.  Com isso, determinamos que atividades ele pode eliminar, quais delegar e, por fim, como encontrar tempo para focar no que é mais importante.

 

Ao dedicar meu domingo para escrever minha tese, comecei notar alguns comportamentos sabotadores (como escrever esse texto), o que me motivaram a fazer esse diário eu mesma.

 

Portanto, minha ideia aqui é compartilhar tudo que foi me tirando do meu foco. Ou seja, o que entre uma escrita de tese e outra, eu fiz.

 

Primeiramente, vale esclarecer: meu objetivo para o dia é terminar o referencial teórico do minha tese de mestrado.  Então bora lá.

 

6:00 – Acordei, mas achei muito cedo para começar, afinal é domingo. Deixa eu terminar de escutar o podcast do Tim Ferriss que comecei ontem à noite

7:30 – fim do podcast e do cochilo

7:40 – 10 minutos de bike (firme e forte no desafio MQN – melhor que nada)

7:55 – determinada em ter um dia produtivo, testei pela primeira vez um tal de Supercoffee, bebida que promete foco para seus usuários

8:00 – sentei na cadeira. Bora!

8:10 – escrevi micro texto para linkedin motivada pela louça da pia

8:30  – preocupação sobre aniversario da minha filha. Será que faz sentido uma festinha, por menor que seja, durante essa pandemia?

8:40 – lembrei que não tinha escovado o dente ainda

8:50 – 10 flexões de braço. Afinal, se não estou escrevendo, pelo menos deveria fazer algo produtivo

9:00 – mensagem para mãe sobre visitar a vó juntas hoje.

9:01 – Word travou ao salvar esse texto. Medo de perder o arquivo da tese que também – obviamente – estava aberto. Considerei um sinal para voltar para tese.

9:23 – Computador travou por falta de espaço. 10 minutos dedicados e deletar programas.

9:38 – checando whatsapp para ver se mãe respondeu sobre visita à vó

10:00 – terminei meu primeiro litro de água do dia. Nada como ter que focar para dar uma vontade louca de me ficar me hidratando. No dia a dia, eu quase não tomo água por preguiça de ficar indo ao banheiro. Mas hoje…

10:53 – após consultar amigos no whatsapp, decidi pela não festa.

10:54 – Fiquei com fome. Melhor fazer um lanchinho pois barriga vazia é a casa do diabo. Ou seria cabeça vazia? Na dúvida, melhor comer.

11:00 – Encantada com as rodelas de banana que parecem sorrir para mim.

11:07 – volta do trabalho. Pensando que preciso enrolar mais uma hora antes de ser aceitável almoçar.

11:36 – fuçada no Rappi para ver opções de almoço. Decepção que La Guapa está fechado.  Dado que minha primeira opção não será possível, preocupada que vou perder tempo refletindo sobre o que comer.

11:52 – ágil como uma ninja, tive um insight sobre a torta de frango do Insalata, e prontamente fiz meu pedido.

11:54 – relendo esse texto, chocada com quantas vezes já me desvirtuei do meu foco.

12:24 – chegou Rappi.  Almocei e assisti um episódio de I May Destroy You.

13:28 – Retorno ao computador.

14:49 – Terminei o segundo litro de água e busquei (devidamente consumindo) um pequeno chocolate.  Que fique claro que foi pequeno, pois espécime grande não foi encontrada.

15:57 – lembrei que preciso trocar um presente de Natal. Já vai fazer quase um mês desde que o ganhei. Não sei se conseguirei trocá-lo ainda, mas decido dar uma passado correndo na loja para tentar.

17:57 – Retorno ao computador após emendar a troca do presente com a visita à vó mais um lanchinho básico

18:55 – Sinto que terminei uma versão apresentável à minha orientadora.  Sei que não será a versão final, mas pelo menos tem uma coerência.  Como premio, vou me dar um banho com direito a lavar a cabeça o que, se você também é mãe de uma criança de 2 anos, sabe que se trata de um luxo.

 

É capaz que eu ainda olhe para meu draft algumas vezes hoje mas, dado que o 90% do que vou entregar está escrito, vou parar o acompanhamento  do dia por aqui.

 

Conclusões que chego sobre minha performance que podem ajudar você na sua organização:

 

  • Chocada com a quantidade de interrupções. Quase 30, sendo que muitas (geralmente associadas a checadinhas em mídias sociais) eu nem anotei. Nunca me considerei uma pessoalmente especialmente procrastinadora mas, olhando esse registro, acho que mudei de ideia –> OU SEJA, MESMO QUE VOCÊ NÃO ACHE QUE SEJA UM PROCRASTINADOR, FAÇA O TESTE. VOCÊ PODE SE SURPREENDER.
  • O máximo de tempo que consigo focar em uma tarefa é uma hora. –> NÃO SUPERESTIME SEU TEMPO DE FOCO.
  • Ter relativa clareza do que eu precisaria escrever hoje me ajudou a, mesmo com todas as interrupções, atingir meu objetivo. –> METAS CLARAS SOBRE O QUE FAZER NOS (BREVES) MOMENTOS DE FOCO SÃO CRUCIAIS PARA AVANÇAR NO OBJETIVO.

 

Então é isso.  Se você leu o texto inteiro, parabéns, você praticamente já pode se considerar meu amigo, pois conhece bastante da minha vida 🙂  Mas, brincadeiras à parte, acho que a reflexão sobre como usamos nosso tempo é válida.  No mínimo, você vai sair dessa experiência sabendo mais sobre você mesmo.

 

Bora tentar?

 

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