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De volta às aulas

Paula Braga

12 Fevereiro 2019 | 16h53

Vinte anos depois de entrar na FGV como “bixete”, eu inicio uma nova fase em meu desenvolvimento: Mestrado Profissional em Gestão de Pessoas.

Trata-se de um curso strictu sensu de um ano e meio para profissionais maduros que visam, a partir de conhecimentos de ponta, melhorar seu desempenho na carreira.

Minha intenção com tal empreitada foi me capacitar ainda mais para ajudar meus clientes a se tornarem líderes ainda melhores. O que eu não contava, é que eu teria que estudar tanto!

E daí eu me vi nos sapatos de meus clientes novamente. Quando meus clientes vem me contratar, muitos deles acham que o grande desafio é conseguir ser aceito em um MBA ou mestrado top…e, sim, concordo, o processo é bastante desafiador.

Mas o curso em si, o aprendizado, fazer trabalhos em grupo, conseguir gerenciar as milhares de prioridades, entregar as tarefas com qualidade e no prazo, são onde o bicho realmente pega.

Hoje em dia muito se fala sobre os benefícios de ter equipes diversas. E é maravilhoso mesmo….ideias novas…abertura da mente….identificar soluções que você nem sabia que existia. Mas trabalhar com pessoas muito diferentes de você é difícil para caramba. Eu posso ser aquela pessoa mais objetiva que quero logo colocar algo no papel e passar para próxima tarefa, mas meu colega ser aquele cara que valoriza dedicar um longo tempo à discussão. Como proceder? Corto ele e corro o risco de parecer insensível? Deixo ele falar à vontade e corro o risco de perder o almoço pois não entregamos a tarefa a tempo? Quem está certo na discussão? Eu? Ele? Os dois?

Esse tipo de desafio em trabalhar em equipes é algo que ocorre não só na faculdade mas também no trabalho…e percebi que de onde veio minha irritação/ansiedade pode ser minha maior oportunidade de crescimento.

O interessante de você fazer um desses cursos de aprofundamento em um momento de mais maturidade é justamente conseguir entender que o maior ganho que você pode ter está muito além do conteúdo.

Até porque, google está aí.

Algumas áreas para investigação…
1) Como você lida com uma demanda de trabalho maior do que é possível encaixar na tempo que você dispõe? (Você adota a regra do 70% (se eu fizer 70%, está bom)? Você atropela outras prioridades que não valem nota? Você consegue detectar claramente qual é A coisa mais importante a ser feita?)
2) Como estar em um ambiente com pessoas altamente capazes te mobiliza? (Você fica inseguro? Você fica querendo aparecer mais que os outros?)
3) Como você é/quem você é em grupos?
4) Como você lida quando uma pessoa é realmente insistente em um ponto de vista que você discorda? (você adota o “deixa para lá”? Você se torna mais enfático?)

E por aí vai….analisar de um ponto de vista distanciado (como se você estivesse fora do seu corpo se observando agir) quem você está sendo nas diferentes situações (vs o que você está fazendo) pode ser uma grande fonte aprendizado.

Portanto, você que – assim como eu – está atolado de lições para fazer….respire, se observe de fora, e note que o seu desespero de agora é a sementinha do seu crescimento de daqui a pouco. Ao menos é isso que estou falando para mim mesma ao olhar o texto de 177 páginas que preciso ler até segunda que vem.