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C – cartas de recomendação

Claudia Gonçalves

18 Julho 2012 | 13h15

As escolas de MBA pedem duas a três cartas de recomendação. O intuito é ter o depoimento e avaliação sobre você de pessoas que tenham efetivamente trabalhado com você e que te conheçam bem. Juntamente com seus essays, scores nas provas, histórico escolar e entrevista, as cartas de recomendação ajudam as escolas a ter uma visão mais abrangente de quem é você.

Harvard e Stanford pedem três cartas de recomendação, sendo que para Stanford, uma especificamente deve ser de um peer, ou seja algum colega de mesmo nível hierarquico que o seu. As demais escolas costumam pedir apenas duas cartas profissionais, sendo uma necessariamente de seu suporior imediato.

Cada escola possui seu próprio formulário de carta de recomendação, que será enviado diretamente para o email do recomendador assim que você designá-lo no application form. Este formulário tem seus dados mais objetivos e trataremos dele na proxima semana. Mas há ali um campo para se preencher o nome e dados de contato de seus recomendadores e a partir disso, o sistema envia automaticamente um email com login e senha para cada um de seus recomendadores. Hoje em dia as principais escolas americanas e europeias possuem cartas de recomendação eletrônicas e não mais em papel.

A carta de recomendação possui algumas partes especificas – a primeira é o candidato que preenche ainda no application form, dizendo se abre mão do direito de posteriormente ter acesso à carta de recomendação. Muitos candidatos me perguntam o que é melhor responder e a verdade é que isso não influencia suas chances de ser aceito ou não, mas importa se você não for aceito e quiser entender qual o peso que suas cartas de recomendação tiveram nisso.

A segunda parte da carta de recomendação é um conjunto de perguntas – que vai de 3 a até 8 – dependendo da escola. Exemplos:

Qual a natureza do contato com o candidato? com que frequência interagem?

Pontos fortes?

Pontos fracos?

Situação em que o candidato demonstrou liderança?

Situação em que deu um feedback contrutivo para o candidato e como ele reagiu?

Em que o candidato pode melhorar?

Motivação para fazer o MBA?

O que o candidato fará em 10 anos?

 

Ou seja,  para responder estas perguntas, nas quais o recomendador deve descrever situações, citar exemplos para ilustrar sua avaliação, é mais importante escolher pessoas que o conheçam bem a escolher pessoas “importantes” mas cujas cartas correm o risco de ser muito superficiais.

 

A terceira parte da carta normalmente é um grid com características e habilidades que o recomendador deverá avaliar em notas que se dividem em:

ausente; não consigo avaliar; baixo; mediano; acima da media; alto ; excelente;

os aspectos abrangem:

habilidade intelectual, criatividade, capacidade analitica, organização, maturidade, ética, trabalho em equipe, enfim uma longa lista…

 

Como você pode ver, escrever uma carta de recomendação dá bastante trabalho e por isso é importante conversar e alinhar tudo muito bem com o seu recomendador e é importante que ele o apóie no processo. Converse com o seu recomendador, explicando porque o escolheu – isso pode ser bom para refrescar a memória do recomendador e também expor suas razões para acreditar que a carta dele será importante no processo. Além da conversa, confirme por escrito os topicos mais importantes sobre os quais acredita que o recomendador poderá discorrer. Isso ajudará muito que o recomendador produzir uma boa carta!

Tratando um pouco das exceções, existem situações em que não é tão simples pedir carta para o chefe.

1- relacionamento deteriorado ou ruim com o chefe: procure algum par de seu chefe; o chefe de seu chefe ou algum superior de outra área que possa recomenda-lo e discuta sua opção de recomendadores no essay opcional do application.

2- o seu empregador não pode saber que você está aplicando – assim como no caso acima, procure alguém de sua confiança pessoal  dentro de sua empresa para escrever a carta e aborde o assunto no essay opcional.

3- a empresa é sua e você não tem chefe: peça carta a um parceiro de negócios, cliente, fornecedor…e explique isso no essay opcional.

4 – trabalha em empresa da família: nunca peça carta para parente!  caso tenha algum superior que não seja da família, é este quem podrá escrever a carta; caso não tenha, procure as alternativas descritas no item 3 acima e também explique sua situação no essay opcional.

 

Uma carta é fácil de definir – o chefe atual. A segunda carta deve de alguma maneira trazer informações sobre você de uma outra perspectiva – um emprego anterior, outra função, ou ainda trazer situações recentes também, mas que não foram abordadas na primeira carta.

Carta de recomendação de alumni (ex-aluno da escola para a qual você está aplicando) só tem sentido se a pessoa em questão conhece bem seu trabalho; caso contrário, estará desperdiçando uma oportunidade de alguém falar com propriedade e detalhe sobre você, impactando assim nas suas chances de ser aceito. Cartas de alumni com quem você não tem muita proximidade podem ser úteis como cartas adicionais a que chamamos side letters, que podem ser enviadas em separado, em etapas posteriores, como suporte adicional.

É bom começar a pensar nas cartas, pois elas devem chegar no deadline!!!