A arte da oratória
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A arte da oratória

Paula Braga

31 de julho de 2019 | 08h52

Seja na faculdade, no trabalho ou em uma instituição não-governamental, a habilidade de  se comunicar de maneira eficaz e engajadora é um grande diferencial.

 

Para falar mais sobre o assunto, convidei a Renata Calmon, professora de oratória, que nos dará uma série de dicas para  se tornar um melhor comunicador.

 

Aproveitem!

 

A oratória há mais de dois mil anos é fundamental para a expressão humana. Se na Grécia antiga alguém ia comunicar uma ideia em público, teria que cuidadosamente construir um discurso com base em técnicas sofistas. Os oradores mais desenvoltos tinham melhores chances de emplacar os seus argumentos. Quando olhamos para os políticos de hoje, especialmente no Brasil, parece que algo deu errado de lá pra cá, não é mesmo?

No Brasil não existe uma tradição de se treinar a fala em público. Nos meus atendimentos como professora de oratória, eu percebo que mesmo altos executivos de empresas acham que podem improvisar qualquer coisa na hora. O problema do improviso é que ele pode tornar a sua argumentação repetitiva, fraca e longa. Outro erro comum que eu observo é que muitas pessoas chegam com um discurso memorizado, ou um texto todo escrito. O problema disso é que torna a apresentação muito engessada e sem vida, não parece que você tem propriedade dela. Por isso a minha primeira grande dica para aqueles que desejam falar em público é: façam um roteiro da sua apresentação com palavras chaves seja em forma de mapa mental ou bullet points, e construam os seus slides a partir desse roteiro.

Mas pra muita gente, o problema nem é tanto a construção do discurso, e sim controlar o nervosismo e se apresentar de forma carismática e enérgica. Para conquistar esse lugar de naturalidade e simpatia no palco não existe receita de bolo, mas há sim algumas técnicas que podem te ajudar:

 

1)     Esteja relaxado ao entrar no palco. A ideia é que ao subir no palco você esteja tão à vontade quanto na sala da sua casa. Pra isso o ideal é fazer uma meditação e um aquecimento num lugar privado antes da sua apresentação. Isso vai te ajudar a se conectar com a sua fala e deixar as tensões de lado.

2)     Não fique andando de um lado pro outro. Alguma movimentação pelo palco pode ser bem-vinda desde que seja natural e objetiva. Dar vários passinhos que não levam a lugar nenhum só tira o foco do seu conteúdo. Se você não sabe como se movimentar, fique parado.

3)     Olhe para o seu público. Não por obrigação, mas porque você quer se comunicar com eles, quer saber como eles estão recebendo o seu discurso. Olhe pra cada pessoa, um a um.

4)     Sorria, sorria muito, sorria mais. É impressionante o número de clientes que eu atendo que acham que são simpáticos quando estão falando em público, quando na verdade estão super sérios ou inexpressivos. A menos que você esteja falando sobre patologias ou desastres naturais, o sorriso numa apresentação é sempre bem-vindo e ajuda a engajar o seu público.

5)     Não corra com a sua fala nem demore demais. O discurso é como uma melodia, ele tem que ter um ritmo adequado para poder ser desfrutado.  Se você acelera demais ninguém vai te entender, e se você demora demais, sua apresentação vai se tornar tediosa. Encontre um ritmo médio compreensível e brinque com a variação de ritmos em certos momentos.

A oratória, como qualquer área do conhecimento humano, precisa ser praticada para ser executada com primor. Se você tem um colega que se apresenta muito bem e você fica se perguntando como ele consegue fazer isso, a resposta é simples: treino. Existem sim aqueles que possuem um talento natural para falar, mas sem treino dificilmente serão oradores brilhantes. Então a minha última dica é: pratique.

 

Renata Calmon é palestrante e consultora de oratória e técnicas de liderança em empresas de diversas áreas, atriz com mais de vinte anos de experiência em teatro, novelas, séries e filmes, e diretora do documentário “Mulheres são Montanhas”.

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