ENEM – MEC erra ao não aumentar tempo de prova

Principal prejudicado é o aluno que mais se prepara e precisa acabar chutando as questões.

Mateus Prado

19 Maio 2015 | 00h56

Faltou sensibilidade ao Inep/MEC nas mudanças anunciadas para o Enem 2015. No edital que regulamenta o funcionamento e a estrutura do exame neste ano o MEC aumentou em trinta minutos o tempo que o aluno deverá permanecer dentro da sala de aula, mas não resolveu o principal problema enfrentado todos os anos pelos alunos que concorrem aos cursos que exigem maior nota de corte (Medicina, Direito, Engenharia, etc).

Qualquer pessoa que tenha feito alguma edição do Enem de 2009 para cá sabe que alunos preparados para fazer a redação e resolver corretamente a maioria das 90 questões de linguagem e matemática do segundo dia de prova não têm tempo hábil de resolver as questões, porque as 5 horas e meia disponíveis são insuficientes, é impossível resolver tudo no tempo proposto. Sempre ficam cerca de 10 a 20 questões que o aluno com essas características precisa acabar chutando.

É óbvio que os trinta minutos (uma das novidade do MEC para esta edição do Enem) que o aluno precisará ficar em sala aguardando para começar as provas ajudará na organização do exame, principalmente em locais de alta concentração de participantes. Ah, é claro, também aumentará o nervosismo, a ansiedade e o cansaço dos candidatos..

Se é possível aumentar o tempo de prova em trinta minutos, por sinal, trinta minutos em que o aluno ficará sem fazer nada (com tempo ocioso), certamente não atrapalharia a prova e nem aumentaria os seus custos conceder uma hora a mais de tempo útil para os participantes em cada dia de prova.

Talvez se o Inep/MEC colocasse parte de seus dirigentes e técnicos para fazer a prova, rapidamente eles descobririam que 5h30min são insuficientes para fazer uma boa redação no modelo dissertativo-argumentativo, interpretar 45 longos textos/imagens de linguagens e resolver os cálculos necessários de matemática.

Enquanto o MEC não resolver o principal problema do Exame (a falta de tempo para estudantes de alta proficiência nas competências exigidas), milhares de alunos continuarão a ser prejudicados e “jaboticabas” como a multidão de cursinhos que “incentivam” alunos a declarar possuir déficit de atenção para ter direito a uma hora a mais de prova (já denunciado por este blog), continuarão a existir. Isso torna o país menos inclusivo e bem mais cheio de distorções. É essa a pátria que queremos?