Como Estudar para o ENEM – 1

Mateus Prado

15 Julho 2015 | 09h06

“Estudar mais do o ENEM cobra faz o aluno perder tempo e conquistar uma um rendimento menor do poderia ter com o mesmo tempo de estudo. Não faz nenhum sentido”

O fortalecimento do Enem tem mudado a rotina dos estudantes. Por todos os Estados, escolas particulares tratam de arrumar uma forma de preparar melhor os seus alunos. É comum encontrarmos as famosas aulas extras para o vestibular, fora do horário convencional, agora destinadas ao Enem. Cursinhos pré-vestibular transformam-se em cursos “Pré-Enem”. As livrarias, as bancas e os sites de venda foram invadidos com novos materiais prometendo preparar o aluno para a prova.

Estudantes preocupados em ocupar uma destas vagas agora se dedicam a estudar para o Enem. Uma rápida busca pela palavra “Enem” nas redes sociais demonstra que muitos candidatos levam a sério a necessidade de estudar para a prova. Alguns preferem, ou só podem, estudar por conta própria. É importante lembrar que parte significativa dos candidatos já saiu do ensino médio. A prova, definitivamente, é reconhecida como ‘diferente’ das provas de vestibulares convencionais e suas questões como ‘diferentes’ da imensa maioria das questões que estão nas apostilas de sistemas de ensino, nos livros didáticos e nas provas/avaliações que os alunos fazem, bimestralmente, no Ensino Médio.

Apesar de reconhecer a prova do ENEM como diferente do vestibulares convencionais, os alunos, o conjunto da sociedade, e até mesmo a maioria dos educadores, não sabe o que significa esta diferença. As aulas extras das escolas particulares, as aulas de reforço para o Enem oferecidas por algumas prefeituras, os novos materiais didáticos, os cursos pré-Enem e várias outras iniciativas, fora raras exceções, estão repletas do conteúdismo e da “decoreba” inútil do Ensino Médio, que não cai no ENEM, ou que cai com em casos muito raros, e com pouquíssimo das eixos cognitivos propostos pelo exame.

A prova cobra sim alguns conteúdos. Eles são aqueles relacionados ao domínio das linguagens da natureza, da matemática, das humanidades e da própria linguagem. Para ficar mais fácil de entender, o Enem considera importante que você tenha o domínio dos conteúdos mínimos necessários para que possa aprender outros conteúdos, quando isto for necessário.
Vamos a alguns exemplos. Você, todos os dias precisa ler algum texto, conversa com outras pessoas, vê placas com símbolos e escuta música. Para entender tudo isso é importante conhecer os códigos criados pelo homem, como o português e outras formas de se comunicar.

Você acompanha quantos votos o seu candidato teve, quantos pontos seu time acumulou no campeonato, a quantidade de caixas de leite no armário, calcula quantos azulejos serão necessários para a reforma da cozinha e quanto irá gastar se precisar usar seu cheque especial. Para isto, é necessário conhecer os números, ler gráficos e tabelas e saber os conceitos de metro cúbico e juros compostos.

Aí você recebe um dinheiro extra e resolve fazer umas compras. Entre duas TVs de mesmo preço, resolve comprar a que gasta menos energia. Para isso, precisa conhecer ou ter a capacidade de aprender o conceito de KW/H e o de comparação de medidas e/ou escalas. Vai para casa e, com sede, resolve tomar água. Para o bem da saúde pública de sua comunidade, é importante que compreenda o ciclo da água.

Estes são alguns dos conteúdos exigidos. São, somente, aqueles necessários para aprender outros conteúdos. Isto é muito menor do que os programas curriculares das escolas de ensino médio. Sim, é verdade que em 2013 e 2014 a prova veio, proporcionalmente, com mais questões que cobram conteúdos relacionados à cognições, mas não aumentou a quantidade de conteúdos cobrados. Em geral, e esta é a tendência para as próximas provas, o conteúdo que caia em uma questão (em um item) caiu em 2 questões, o que caia em 2 questões caiu em 3 ou 4 e questões e assim sucessivamente.

Estudar mais do que isto não faz sentido. Faz o aluno perder tempo. Em relação ao conteúdo, o Enem quer saber se você é capaz de aprender, e não se você conhece todos os conteúdos existentes no mundo.E, repito, se aprendeu os conteúdos necessários para, quando for necessário, durante o resto de sua vida, todos os demais conteúdos existentes (é como se você precisasse saber os ‘conteúdos ferramentas’. Os ‘conteúdos ferramentas’ são os necessários para possibilitar e facilitar o aprendizado dos demais conteúdos).

Quem aprende certa quantidade de conteúdos prova é capaz de aprender outros, quando isto for preciso. Esses conteúdos mínimos, que serão cobrados, estão listados na Matriz de Competências e Habilidades do Enem (não dá pra fazer uma questão -um item- se o assunto que o examinador quiser cobrar estiver na matriz de conteúdos e não estiver relacionado com nada da Matriz de Competências e Habilidades).

O Enem divulga, além da Matriz de Competência e Habilidades, também uma outra matriz, a de Conteúdos, que só serve para confundir educadores e estudantes. Sem sentido dentro da perspectiva, do ENEM, de indução de mudanças no ensino médio, essa matriz é basicamente a cópia dos índices de materiais didáticos e de sistemas de ensino. A confusão aumenta por que alguns Educadores e até mesmo alguns funcionários do Ministério da Educação costumam falar que o que cai na prova é o que se aprende dentro das salas de aula.

Esta fala até tem razão se pensarmos que toda questão tem um conteúdo. O que falta o Ministério deixar claro para todos é que a maior parte dos conteúdos que vão aparecer na prova não precisa ter sido acumulado pelos candidatos. Na maior parte das questões, o conteúdo só servirá de pano de fundo para a interpretação, para a resolução de problemas ou para a demonstração da postura ética do examinado.

Existe um alento para aqueles que vão prestar o Enem e que até aqui estudaram conteúdos desnecessários e não fizeram atividades que desenvolvessem os eixos cognitivos capazes de orientar a resolução de situações-problema. Até agora existe uma enorme correlação entre as notas obtidas nos vestibulares convencionais e no Enem. Isto quer dizer que, na maioria dos casos, quem tem notas altas nos vestibulares convencionais tem nota alta no Enem e quem tem notas baixas nos vestibulares tem nota baixa no Enem.

No próximo texto, de mesmo titulo, publico um texto, com o mesmo titulo que este, que será uma espécie de “tutorial” de “como fazer a prova”. Nele vou ensinar como você faz para utilizar as provas anteriores do ENEM para fazer um Plano de Estudos personalizado, que atende suas necessidades e que foca no que mais cai e no que da mais nota no ENEM. Ok. Dúvidas e propostas de pautas para a coluna podem ser encaminhadas para o email mateusprado@usp.br. Dicas menores você pega na pagina, de face, “Entenda o ENEM – com Mateus Prado”