A redação no ENEM: Reflexões e 10 últimas dicas

A redação no ENEM: Reflexões e 10 últimas dicas

Mateus Prado

05 Novembro 2014 | 10h30

 

Por Diego Pereira.

A prova de Redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) tem adquirido um caráter cada vez mais decisivo para o ingresso de milhões de pessoas no Ensino Superior. E não deveria ser diferente.
Com efeito, ao produzir a Redação em um processo seletivo, o candidato tem uma oportunidade que nenhuma prova objetiva oferece: demonstrar sua capacidade crítica, sua competência leitora, seu desempenho diante da versatilidade da língua, seus juízos de valor, seu repertório de sustentação argumentativa, enfim. É uma chance que não pode ser desperdiçada; para isso, é preciso conquistar os avaliadores do texto que você produzirá. Quem são essas pessoas?

Componentes de equipes avaliadoras de redações são, em geral, profissionais de Letras, alguns com experiência em salas de aula do Ensino Médio, com o ensino de Língua Portuguesa, Literatura ou propriamente Redação; outros que se dedicaram só à vida acadêmica, com títulos de especialização, mestrado e doutorado. São pessoas pressupostamente leitoras assíduas, contratadas para emprestar a uma instituição sua capacidade crítica em termos técnicos linguísticos e em relação a temas cotidianos sociais, políticos, ambientais ou subjetivos que possam ser desenvolvidos por alunos geralmente em até 30 linhas.

Um avaliador de textos não compõe uma banca examinadora para identificar talentos literários ou especialistas em determinados assuntos; ele simplesmente avalia o grau de informações e de desenvoltura linguística de um estudante para produzir um texto sobre determinado tema em alguns minutos. Você conquistará um corretor, portanto, se conseguir manipular seus conhecimentos acumulados para formular uma tese, sustentá-la e até sugerir soluções plausíveis para eventuais problemas abordados. O avaliador quer saber se você está envolvido com questões sociais atuais, se consegue refletir criticamente, se tem sensibilidade cidadã em respeito, por exemplo, aos direitos humanos e, fundamentalmente, se consegue operar com a linguagem para fazer-se entender em 30 linhas de texto.

Deixe claro para o pessoal que lê que você, de fato, é o autor do seu texto, que não o copiou ou parafraseou dos textos de apoio. Essa maturidade ao lidar com a Redação e com a perspectiva de ela ser lida em sua ausência pode ser preponderante para que você obtenha êxito em qualquer situação de prova.

A seguir, listei as 10 principais dicas para a Redação do próximo fim de semana:

1. Não se intimide com temas inesperados; eles foram comuns nos últimos anos. Você tem estratégia para produzir texto sobre qualquer assunto;

2. Não fique eufórico demais com temas esperados; lembre-se de que quem conduz sua redação é o comando da proposta (inteiro), que pode ser um pouco diferente da linha de argumento que você já tem pronta;

3. Contemple na introdução o comando da proposta inteiro, não apenas uma das “pontas” dele. Não esqueça a tese introdutória, o que será defendido no texto! Jamais se limite a meras exposições na entrada!

4. Textos de apoio são nossos aliados, não tenhamos medo deles! Estão lá para nos ajudar, senão não existiriam; não podemos é nos limitar às ideias deles, copiá-las ou nitidamente parafraseá-las. Deixe o corretor com a clara sensação de que você extrapolou esses textos, de que você tem autoria da sua Redação;

5. Evite o senso comum! É o conjunto de juízos de valor que fazem parte da tradição argumentativa de determinada época e são tomados como verdade, de modo acrítico, por quem escreve. Cuidado com isso! Muitas vezes, o óbvio predomina no texto, e a Redação fica pobre em conteúdo. Você deve sempre buscar, no desenvolvimento de seu texto, ideias que chamem a atenção do corretor pelo caráter autoral, intrigante, com profundidade suficiente para destacar você como aluno proficiente, perspicaz, atualizado, merecedor de boa nota.

6. Repertório ilustrativo no desenvolvimento: exemplos são importantes; só tenha o cuidado de comentá-los. Um parágrafo pode até ter predomínio expositivo, desde que o corretor perceba, com a opinião que você deu no fim dos exemplos, qual a serventia deles para a sua tese. É necessário ter cuidado com muitas linhas gastas com meras exemplificações. Muitos alunos ocupam parágrafos inteiros com exemplos, negligenciando a discussão de ideias como principal objetivo.

7. Sua conclusão deve ser detalhada; pressupostamente, é o parágrafo que mais conta ponto; não sacrifique a conclusão gastando linha inútil com longas entradas e segundos parágrafos! Não se limite a falar de Estado ou Governo! Envolva a cidadania; instituições formadoras de opinião, famílias, ONGs e os próprios cidadãos também resolvem problemas! Capriche!

8. Escreva muito; exiba seu poder argumentativo; textos curtos demais prejudicam profundidade de raciocínio. “Escrever pouco para errar pouco” é um procedimento ultrapassado, considerando que, no ENEM, você precisa contemplar cinco competências e que receberá uma nota conceitual por elas.

9. Ao receber a prova, tire a medida da folha de rascunho e da folha final (com os dedos mesmo); confira se têm o mesmo tamanho! Já vá para a prova com a medida das folhas que você costuma usar previamente conferidas; isso evita surpresas desagradáveis com tamanho de folha, principalmente para quem costuma ir até a linha 30;

10. Capriche na letra; cuidado com as margens; não se desespere com rasuras! Risque com uma linha no meio da palavra, reescreva-a do lado ou em cima (se a redação já estiver pronta) e vá em frente, sem problemas, só não abuse!

Enfim, a base para uma Redação nota 1000 no Enem consiste em uma tese e em uma argumentação que a sustente, bem como em uma proposta de intervenção na vida social que respeite os direitos humanos e que manifeste atrelamento direto com a tese e a argumentação defendida. Sua sugestão interventiva deve ser detalhada, com a explicitação de meios para que ela possa ser materializada. Combine valores de cidadania, solidariedade e respeito à diversidade sociocultural como demonstração de criticidade e de informatividade, em prol de uma sociedade justa e igualitária. É isso que se espera de um concludente do Ensino Médio.

 

A convite de Mateus Prado, escreve: Diego Pereira

Diogo Pereira

Diego Pereira é graduado e licenciado em Letras – Português e Literatura pela Unifor/UECE. Cursou Direito na Universidade Federal do Ceará (UFC) e leciona as disciplinas de Redação para o Enem e Gramática para concursos públicos. É autor do livro “Curso de Redação para Enem e Particulares” (TPL, 2014). Ministra, em Fortaleza/CE, um Curso de Redação presencial anual que obtém notáveis resultados na preparação de estudantes para os mais variados processos seletivos.

 

 

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