O que significa trabalhar com projetos na Educação Infantil

O que significa trabalhar com projetos na Educação Infantil

Colégio Marista Glória

21 de dezembro de 2015 | 14h59

Por Claudia Ayres Paschoalin

O que será desenvolvido com os alunos? O que eles querem aprender? O que eles precisam aprender? Como aprendem melhor?

Estas são questões fundamentais no processo educacional. Assim, o planejamento e a busca do caminho mais indicado para cada classe, torna-se um encantador desafio para o educador que mediará a construção da identidade daquele grupo que chega, a todo início de ano letivo, com lindos rostinhos ávidos de expectativas e desafios.

Um dos primeiros passos é sempre conhecer um pouco de cada aluno, seu envolvimento no grupo, seus interesses, as características de cada faixa etária e, a partir daí, selecionar e articular os temas que serão estudados por aquela determinada turma de alunos. Nesse momento do trabalho, delineia-se não só o que eles precisam aprender em cada uma das linguagens que compõem o currículo da Educação Infantil – a que denominamos de “parte cheia”, mas também o que eles querem e se interessam em aprender. Considera-se um espaço aberto, “vazio” no currículo, que permite dar voz às crianças, às percepções que elas têm do espaço em que vivem, à forma como se relacionam com a vida da escola, da comunidade escolar e, mais amplamente, com a vida da cidade, exercitando seu papel de cidadão, percebendo-se no mundo como agende de transformação social.

O trabalho por meio de projetos demanda, primordialmente, uma escuta atenta e sensível do professor, uma ligação empática com seu grupo de alunos, partilhando situações de aprendizagem que possam favorecer o surgimento de um tema.

Dessa escuta atenta do professor, surgem os projetos, as investigações! Trabalhar por projetos é levar em consideração o que as crianças perguntam, como pensam e de que modo aprendem. É uma forma de organizar o trabalho que, com metas claras de aprendizagem e de desenvolvimento dos alunos, proporcione situações significativas nas quais atividades de exploração e criação substituam as rotineiras tarefas de treino e repetição, criando um ambiente em que possam investigar, solucionar problemas, fazer reflexões, comparar o que sabem com o que é novidade, experimentar o que vivem, para, então, construir novos conhecimentos.

Para encaminhar as diversas etapas que constituem um trabalho por meio de projetos, cabe ao professor que o conduz a função de observar e interpretar as intencionalidades infantis, documentando todo o processo para poder, a partir da análise dos registros, relançar situações de aprendizagem motivadoras e favorecedoras da construção de aprendizagens significativas. Outro grande valor do projeto é permitir ao professor identificar conceitos frágeis no seu grupo de alunos e poder planejar novas ações para desenvolvê-los mais especificamente.

A aprendizagem se dá durante todo o processo e não envolve apenas conteúdos. As crianças desenvolvem habilidades não-cognitivas, ou sócio emocionais que são fundamentais para a formação integral. Conviver, negociar, argumentar, respeitar a opinião do outro, lidar com frustrações, colaborar, trabalhar em equipe, são algumas dessas habilidades.

O mais interessante é que o resultado de um projeto será sempre uma ação ou um produto. Desse modo, as crianças veem suas aprendizagens se transformarem em algo concreto – um texto, uma poesia, uma construção com sucata ou argila, uma obra de arte, enfim, tudo o que a criatividade e a sensibilidade permitirem para construir a memória do trabalho.

Todo esse caminho, depois de vivenciado, traz grandes resultados. Mais do que conteúdos e informações, estimula nas crianças o pensamento científico, atitudes de pesquisadores e pensadores, ou seja, pessoas que perguntam, investigam, criam, interagem, acolhem e vão buscar, em conjunto com os colegas, as respostas sobre o que desconhecem.

*Cláudia Ayres Paschoalin, psicopedagoga e coordenadora da educação infantil e ensino fundamental do Colégio Marista Nossa Senhora da Glória, em São Paulo (SP), da Rede de Colégios do Grupo Marista.

Claudia Ayres Paschoalin

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.