Formação dos Professores no Século XXI

Formação dos Professores no Século XXI

Reitor honorário da Universidade de Lisboa, Antônio Nóvoa, ministra palestra para educadores do PEA-UNESCO no Colégio Magno

COLÉGIO MAGNO/MÁGICO DE OZ

21 Dezembro 2016 | 14h35

O professor do século XXI será cada vez mais tutor e a escola deixará de ter a tradicional sala de aula para dar lugar a grupos diversos de estudo. Vamos deixar de falar em alunos para pensar em estudantes, ou seja, aqueles que estudam em casa, na escola e nos mais diferentes grupos e lugares.

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A ideia parece futurista, mas está cada vez mais próxima da nossa realidade, segundo o reitor honorário da Universidade de Lisboa e um dos intelectuais de maior circulação no debate pedagógico atual, Antônio Nóvoa, que esteve no Colégio Magno a convite do Programa de Escolas Associadas (PEA-UNESCO), para ministrar a palestra “Formação dos Professores no Século XXI” para mais de 150 educadores de escolas associadas ao PEA, do qual a diretora-geral do Magno/Mágico de Oz, Myriam Tricate, é coordenadora nacional.

Não é fácil equilibrar inovação e tradição. Será que depois de 30 anos de carreira um professor ainda tem o que aprender? Nóvoa garante que sim e observa que a resistência só encontra lugar quando não há um sentido para mudar. “Quando dizemos que um professor tem 30 anos de experiência, será que tem mesmo? Ou tem um ano de experiência repetido trinta vezes?”, brincou o doutor em Ciências da Educação.

O professor deve enxergar a escola não só como o lugar onde ensina, mas o local onde aprende. “Sem pertencimento, não há qualquer possibilidade de nos formamos como professores”, comentou o reitor, para quem a atualização e a reprodução de novas práticas só surgem a partir de uma reflexão partilhada, e é no espaço concreto de cada escola e em torno das questões pedagógicas e educativas reais que se desenvolve a verdadeira formação.

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Para o especialista, a formação de professores deve assumir uma prática centrada na aprendizagem dos alunos e no estudo de casos concretos; conceder aos professores mais experientes um papel central na formação dos mais jovens; dedicar atenção especial às dimensões pessoais e trabalhar a capacidade de relação e comunicação que define o tato pedagógico; valorizar o trabalho em equipe e o exercício coletivo da profissão; e estar marcada por um princípio de responsabilidade social que favorece a comunicação e a participação dos professores no espaço público da educação.

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Enfim, ser professor no século XXI é reinventar um sentido para a escola, tanto do ponto de vista ético quanto cultural. Um desafio perfeitamente possível e motivador para quem nasceu para formar.