Não se faz mais vestibular como antigamente

Não se faz mais vestibular como antigamente

Escola Lourenço Castanho

07 Outubro 2016 | 10h16

Manter-se atualizado com a estrutura dos processos seletivos das principais universidades e faculdades brasileiras é uma missão quase impossível, inclusive para profissionais da educação. A impressão mais comum é a de que nossos filhos, para passar no tão desejado curso, farão provas e mais provas, todas elas buscando identificar aqueles que memorizaram a maior quantidade de conteúdos conceituais, exatamente como fizemos em nossos vestibulares há 20 ou 30 anos. Pois isso mudou, e muito.

Assim como o mercado de trabalho já faz há um bom tempo, os principais cursos superiores do país incluíram em seus processos seletivos, etapas que buscam identificar competências sócioemocionais em seus candidatos. Esse movimento começou com o curso de Direito da Fundação Getúlio Vargas que, desde a sua criação em 2002, incluiu um exame oral com uma apresentação individual e um debate em grupo.  Seguindo esta tendência, o novo curso de Engenharia do INSPER, realiza também um exame oral com sucessivas discussões em grupo, observando, entre outras características, a capacidade do candidato se comunicar de maneira assertiva, de expressar os próprios pontos de vista, de trabalhar em equipe, de apresentar argumentos e de escutar argumentos de outras pessoas.

O mesmo caminho seguiu o novo curso de Medicina do Albert Einstein, que adotou as Mini Múltiplas Entrevistas (MME), um processo seletivo utilizado por muitas faculdades de medicina no Canadá, Reino Unido, e em mais de 30 cursos nos EUA. As MME consistem numa série de 8 (oito) estações de avaliação estruturadas e com tempo controlado, baseadas em “cenários” que darão aos candidatos diferentes oportunidades de expor suas impressões e habilidades. As competências avaliadas incluem comunicação efetiva, empatia, pensamento crítico, liderança, ética, compaixão e motivação.

As últimas novidades vieram dos cursos de Administração da FGV. Seu atual processo seletivo passou a incluir duas produções de texto (uma Carta de Motivação e uma dissertação sobre “Interpretação do Brasil Contemporâneo”) e uma entrevista com professores da faculdade, na qual o candidato deverá defender os argumentos presentes nos textos enviados. Será observada, segundo o manual do candidato, “a capacidade de influenciar o meio em que atua, interagir com novas experiências sociais e de exercer plenamente sua autonomia nas organizações, respeitando as posições dos demais indivíduos”.

As “Competências do Século XXI” chegaram aos vestibulares. Cabe à escola compreender que, além de trabalhar os conceitos exigidos nas provas formais, ela deve proporcionar espaços para o aluno desenvolver sua capacidade crítico-argumentativa, expressar-se oralmente, resolver problemas reais, refletindo sobre o mundo em que vive e construindo significados pessoais. Projetos que integram as diferentes áreas do conhecimento, seminários, debates e estudo de campo são algumas das estratégias adotadas pela Lourenço Castanho para enriquecer a formação educacional dos seus alunos, em equilíbrio com a eficácia pedagógica.

Matéria publicada no Estadão se 03/10/2016: http://www.lourencocastanho.com.br/ler_noticias.php?id_con=1686

Alexandre Abbatepaulo – Diretor Geral da Escola Lourenço Castanho