Debate com candidatos a vereador de São Paulo

Debate com candidatos a vereador de São Paulo

Escola Lourenço Castanho

03 Outubro 2016 | 12h57

Neste ano, teremos eleições municipais, e a conjuntura política brasileira é bastante delicada. Os estudantes do Ensino Médio, desde o início do ano letivo de 2016, participaram de uma série de atividades, incluindo debates e palestras, para ficarem por dentro dos assuntos de interesse social e político do país e da cidade de São Paulo. Algumas dessas atividades foram organizadas em parceria com o Grêmio estudantil, a exemplo do debate entre os candidatos a vereador do município: Givanildo da Silva (PSOL), Mario Covas Neto (PSDB) e Nabil Bonduki (PT), que ocorreu na manhã do dia 20 de setembro.

Mário Covas Neto nasceu em berço político. Seu pai foi governador do estado de São Paulo, eleito no ano de 1995. O vereador tem experiência em apoio e coordenação de diversas campanhas de candidatos do PSDB. Além disso, é o atual presidente da Comissão Extraordinária Permanente do Idoso e de Assistência Social.

Givanildo da Silva, intitulado conselheiro tutelar, é pernambucano e migrou para São Paulo nos anos 1980. Ao longo de sua trajetória política, Giva participou de diversos movimentos sociais, defendendo causas relacionas aos direitos humanos, direitos da população negra, indígena e periférica entre outros.

Nabil Bonduki é mestre e doutor em estruturas ambientais urbanas e atua como docente na Universidade de São Paulo, onde leciona no curso de arquitetura e urbanismo desde 1986. Na política, além de vereador, já foi superintendente de habitação popular na prefeitura municipal, durante o mandato de Luiza Erundina.

Dois alunos do Grêmio comandaram a banca do debate, que controlava o tempo de fala de cada candidato e executava a leitura das três questões previamente elaboradas por todos os estudantes do Grêmio. As perguntas, embasadas nos problemas atuais da cidade de São Paulo, dividiram o debate em blocos, compostos pelos temas transporte público, habitação e um assunto muito pautado na grande mídia: o projeto de lei “Escola sem partido”. As orientações para elaboração dessas questões e para condução do debate foram concedidas pelos professores Juan Mondejar (do Núcleo de projetos sociais – NUPS), Adenílson Bezerra (Geografia) e Eduardo Chammas (História).

“Fomos trabalhando junto com eles, tanto para apontar caminhos quanto possibilidades. Desde que começamos a pensar no debate, no início do semestre, eles fizeram reuniões periódicas para discutir o formato e, ao mesmo tempo, discutimos alguns temas das políticas públicas municipais.

Agora, eles tiveram a ideia de fazer uma roda de conversa entre os alunos em algum intervalo das aulas para falar a respeito dos desdobramentos do debate”, explica o professor Eduardo.

Os estudantes das séries se reuniram no auditório da unidade para assistir ao debate, que teve início por volta das 9h. A princípio, os candidatos tiveram quatro minutos para uma breve apresentação.

O primeiro bloco foi aberto com a leitura de uma pergunta sobre mobilidade urbana, cujas respostas deveriam expor a opinião dos candidatos sobre ciclovias, diminuição dos limites de velocidade nas marginais e o aumento da tarifa dos ônibus.

O principal ponto levantado na resposta de Giva foi a possibilidade, em termos de financiamento, que a prefeitura de São Paulo tem de adotar a política da tarifa zero (referente aos ônibus). Contudo, essa medida só poderia ser posta em prática se o município anulasse suas dívidas.

Mário Covas discutiu a respeito da diferença entre ciclovia e ciclofaixa e o uso da bicicleta no centro da cidade e na periferia. Ao mesmo tempo, expôs que não é favorável à redução de velocidade nas marginais, por se tratarem de vias expressas e, segundo suas pesquisas, a diminuição de mortes por acidentes vem caindo nos últimos anos.

Para Nabil, o mais importante é não alimentar a cultura do automóvel, marcada por obras viárias, que existe na cidade de São Paulo. De acordo com ele, a prioridade de investimentos deve ser no transporte urbano coletivo e o planejamento de um Plano Diretor que favoreça a mobilidade ativa.

A pergunta que norteou o segundo bloco do debate, abordou os assuntos déficit habitacional e precariedade das moradias de baixa renda. Os candidatos deveriam expor propostas para solução desses problemas.

Nabil, em sua fala, alinhou a questão de habitação à do transporte público, expondo que parte do objetivo é aproximar a residência do local de trabalho, através da circulação mais eficiente desse transporte. Falou também sobre a aplicação efetiva das “ZEIS”: Zonas Especiais de Interesse Social, previstas no Plano Diretor, para a construção de moradias para a população de baixa renda.

Mário Covas comentou sobre legislar a favor da aplicação do Plano Diretor, uma vez que foi amplamente discutido na prefeitura e nas subprefeituras da cidade de São Paulo. Referiu-se, ainda, à possibilidade de redução de impostos para empresas que se instalassem na periferia, pois criariam novos empregos para a população próxima.

Giva, por sua vez, retomou a questão da dívida pública, ressaltando que a mesma é fraudulenta, logo, a população e o município não deveriam ser prejudicados pela falta de investimentos nos setores em decorrência do saldo da dívida. Para ele, as mazelas sociais devem ser prioridade.

O bloco de desfecho foi baseado na discussão a respeito do programa “Escola sem partido”. Os candidatos deveriam comentar o que consideravam uma “educação doutrinadora” e se eram a favor ou não do programa.

Mário Covas defendeu que a política é muito importante para a vida das pessoas e deve ser discutida. O candidato não é favorável ao projeto, “muito pelo contrário, não se deveria proibir a discussão, mas estimular que seja a mais ampla possível”, concluiu.

Giva também é contra o “Escola sem partido”. Acredita que se o projeto for aceito, a escola deixará de ser democrática. “O debate do ‘Escola sem partido’ exalta a falta de democracia. Hoje recebe esse nome, mas é antigo, vem sendo discutido desde a ditadura militar”.

Nabil concluiu a discussão com suas colocações. Ele disse não acreditar na educação neutra, mas não enxerga essa questão como sendo negativa. Para o candidato, a escola deve formar pessoas críticas, capazes de ter suas próprias opiniões e, para isso, o professor, juntamente com o aluno, deve poder problematizar os diferentes posicionamentos.

Terminadas as falas, foi aberto um novo momento de perguntas, dessa vez para os alunos que estavam no auditório. Eles deveriam escrever suas questões em uma ficha, e os estudantes do Grêmio (os que não estavam na banca) ficaram responsáveis por selecionar as mais pertinentes para a discussão. As perguntas poderiam ser feitas para um, dois ou todos os candidatos. Aquele para quem fosse direcionada tinha direito a quatro minutos de resposta, e aos demais, dois minutos.

A primeira pergunta foi feita para Mário Covas: tratava sobre a redução das velocidades. A segunda, para Giva, retomava a questão da educação. A terceira, para Nabil, referia-se ao partido ao qual ele é filiado, o PT. A quarta, direcionada a Mário Covas, tinha como mote a legalização de drogas ilícitas. E a última, para Giva e Nabil, indagava a opinião de ambos sobre a “Operação Braços Abertos”, política do governo de Fernando Haddad para o combate ao tráfico.

Concedidas as devidas respostas, os políticos tiveram dois minutos cada um para fazer suas considerações finais. O debate foi finalizado com agradecimentos dos alunos do Grêmio para vinda dos candidatos.

Os vereadores comentaram sobre a atividade:

 “Eu já tinha participado de debates em outras escolas, mas nunca mediado por alunos. O formato que foi feito permitiu que pudéssemos dar opiniões diferentes, o que, a meu ver, é muito interessante” (Mário Covas Neto).

 “O debate é fundamental. É importante que as escolas e os espaços coletivos possam debater sobre a situação da cidade, porque estamos passando por um momento muito difícil no Brasil, e é necessário que a gente possa escolher quais projetos e ideias de cidade e de sociedade queremos” (Givanildo da Silva).

“Eu já participei de debates em escolas com alunos do Ensino Médio e acho muito importante. Nem tanto pela questão eleitoral, mas porque faz parte do processo de formação do estudante, principalmente nessa idade, entre quinze e dezoito. A Escola está de parabéns, porque o jovem anda afastado da política e a sua participação é importantíssima. Gostei de participar, achei que debatemos temas importantes” (Nabil Bonduki).

A aluna Luíza de Alexandria Soares, da 3ª série A, comentou sobre a experiência de conduzir e, ao mesmo tempo, assistir e participar da organização do debate. “Sempre é uma experiência muito legal pra gente. E estar aqui na frente dá uma desenvoltura. Além disso, não é só o debate em si, mas toda a preparação que tivemos antes, poder entender melhor sobre política, acho que nos faz crescer como pessoa, vai muito além do lado acadêmico”.

Alexandre Abbatepaulo, Diretor do Ensino Médio, concluiu sobre o debate: “A gente sempre procura criar oportunidades para que os alunos desenvolvam a sua capacidade crítica. A Escola se preocupa que eles tenham esses momentos de ampliação de repertório e contato com a realidade”.

Assista ao debate.