Aula na prática: alunos do 3º ano do Ensino Médio visitam o PETAR

Aula na prática: alunos do 3º ano do Ensino Médio visitam o PETAR

Liceu Escola

16 Maio 2016 | 12h18

Foi preciso muita energia para caminhar nas trilhas da Mata Atlântica; coragem para adentrar cavernas escuras ou com passagens minúsculas e ainda disposição para enfrentar o boia cross. Essa foi a vivência pela qual 109 alunos do 3º ano do Ensino Médio do Liceu passaram no período de 28 a 30 de abril, durante o Estudo do Meio realizado no PETAR (Parque Estadual Turístico do Alto do Ribeira – SP). O que eles acharam? Uma experiência incrível, que contribuiu significativamente para o aprendizado na prática de conteúdos curriculares e extracurriculares.

Envolvendo as disciplinas das áreas de Ciências da Natureza (Física, Química e Biologia) e Ciências Humanas (História, Geografia, Sociologia e Filosofia), o estudo contou com uma programação bem diversificada, na qual os alunos puderam entrar em contato com temas discutidos durante as aulas na escola. “É gratificante poder trazer os alunos aqui para vivenciar o que discutimos em sala de aula. Em Física, por exemplo, eles puderam ver, em uma comunidade Quilombola, os mecanismos de funcionamento de armadilhas de caça e pesca” – explica o professor de Física, Eduardo da Silva Rosa.

A comunidade Quilombola, citada pelo professor, vive no Quilombo de Ivaporunduva, localizado no Município de Eldorado (SP), às margens do Rio Ribeira de Iguape.  Composta por 80 famílias, que formam uma população de 308 pessoas que têm no cultivo do arroz, mandioca, milho, feijão, verduras e legumes e na venda de banana orgânica e artesanato os meios para sobrevivência. A visita aconteceu no primeiro dia do Estudo do Meio e permitiu aos alunos conversarem com as lideranças da comunidade e saberem sobre seus hábitos e tradições. “Foi muito rica a experiência de conhecer de perto os quilombolas, ver como eles se unem para conseguir as coisas e, acima de tudo, como são humildes, mesmo tendo muito conhecimento”- destaca a aluna Rebeca Toyama Chaves. Para outra aluna, Bruna de Faria Infante, a característica que chamou a atenção foi o respeito à coletividade: “Lá não existe o eu, e sim o nós. As casas não têm cercas, as pessoas vivem em harmonia e tudo é de todos”.

Passada a experiência com os quilombolas, já no segundo dia da viagem, depois de caminhar por trilhas na Mata Atlântica – sempre acompanhados por guias locais e por professores do Liceu – foi a hora de os alunos conhecerem a grande promessa da viagem: as diversas cavernas existentes na região (entre elas: Água Suja, Alambari de Baixo, Cafezal, Couto, Morro Preto, Ouro Grosso e Santana). Segundo a aluna Maria Luiza Moes Corrêa, “estar nas cavernas foi uma experiência incrível, um aprendizado para nunca mais esquecer”. A estudante também frisou que o conhecimento em sala de aula é enriquecido por experimentos como este, pois eles permanecem vivos na memória.

As experiências nas cavernas Água Suja e Santana trouxeram muita emoção para Bruna de Faria Infante e para Luan Flores, também alunos do colégio: “Nessas cavernas, caminhamos a maior parte do tempo dentro d’água. Para sair da Água Suja, precisamos descobrir a rota de saída e ainda passar por um espaço minúsculo. Passada a emoção dessa caverna, chegando na Santana tudo foi mais tranquilo”.

O último dia da viagem ficou reservado ao Boia Cross. Com muito ânimo e disposição, os alunos e professores pegaram os equipamentos adequados e desceram as corredeiras do rio Bethary em grandes boias.

E não foi só o aprendizado in loco que marcou a viagem, pois os estudantes destacaram que os momentos de integração entre eles, os professores e os guias da viagem fizeram a diferença. Desta forma, as reuniões nos grupos para os passeios, para o almoço ou jantar; as rodas de conversas; os jogos e as diversas cantorias fizeram da viagem ao PETAR não só um estudo do meio, mas uma reunião de um grupo animado e divertido. “Eu adorei a viagem por ser para o PETAR, mas também por estar com meus amigos” – destaca a aluna Rebeca Toyama Chaves. Já para Luan Flores e Isabela Boccoli Nicolini, o importante foi estar perto dos amigos e também dos professores. “Estar com os professores, sem ter uma mesa e carteiras entre nós, foi uma experiência incrível”. Além disso, Isabela ainda reforça: “Eu consegui me desligar e nem me preocupei com celular nesses dias”.

Diário de bordo e pôsteres

 Durante toda a viagem, os alunos tinham como tarefa a elaboração de um diário, fazendo links dos elementos vistos no Estudo do Meio com os conteúdos aprendidos em sala de aula. Além do diário criado, agora os alunos têm outra missão: apresentar para os demais alunos da escola uma exposição de pôsteres com os seguintes temas relacionados à viagem:

  • Aspectos geológicos e espeleotemas das cavernas;
  • Aspectos físicos e químicos das formações geológicas;
  • Mata atlântica: características da mata local e análises de áreas de desmatamento utilizando o Google Earth e índices pluviométricos;
  • Biodiversidade cavernícola;
  • Bioeconomia e geografia econômica local – aspectos econômicos, políticos e de saúde da produção orgânica local;
  • Análise mecânica das armadilhas de caça e pesca (só para os participantes da viagem);
  • Religiões e crenças na comunidade quilombola (origem, sincretismo religioso, etc.);
  • Memória oral e cultura quilombola;
  • Saúde e educação local;
  • Economia local e sustentabilidade.

Sobre o PETAR

O Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira, localizado na Zona Rural de Iporanga (SP), foi cenário para um estudo dos alunos dos terceiros anos do Ensino Médio do Liceu.

O PETAR é considerado uma das Unidades de conservação mais importante do mundo. Além disso, abriga a maior porção de Mata Atlântica preservada do Brasil e mais de 300 cavernas. É também considerado um patrimônio da humanidade, reconhecido pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e a Cultura).

Confira abaixo as fotos: