Oficina de reciclagem estimula consciência ambiental e o empreendedorismo

Oficina de reciclagem estimula consciência ambiental e o empreendedorismo

Do Colégio

28 Março 2016 | 11h26

A produção excessiva de lixo é um dos maiores problemas sociais e ambientais da atualidade, sendo que o papel ainda é um dos materiais muito utilizados na área educacional e em outras atividades. Quanto maior o volume usado e quanto maior o desperdício, mais e mais toneladas de lixo são geradas. Também não se pode ignorar que o processo de produção do papel é responsável por impactos ambientais importantes, como a degradação do solo e sua consequente desertificação, resultantes da derrubada de árvores de espécies como o pinus e o eucalipto, plantadas para a indústria de papel. Não esqueçamos ainda que o setor apresenta consumo de água e de energia consideráveis, algo igualmente nocivo à conservação do meio ambiente.

Para o Liceu Santa Cruz, é função da escola conscientizar os alunos sobre a responsabilidade de todos no controle dos danos ambientais e da necessidade de mais e mais cidadãos multiplicadores de atitudes ambientalmente positivas, como a redução do desperdício, mudança de hábitos, o valor da reciclagem inclusive como estimulador de uma nova economia.

Liceu Santa Cruz - 10.03.2016

Aluna do Liceu prepara papel reciclado durante a oficina. Foto: Divulgação

No Liceu, desde a educação infantil até o ensino médio, todos os alunos participam de oficinas de reciclagem de papel. Nesse trabalho os estudantes vivenciam o dia a dia de uma fábrica de papel com todos os seus desafios, soluções, departamentos e estratégias de produção e comercialização.

“Quando reciclamos o papel, conseguimos reduzir a quantidade de árvores cortadas, diminuindo também a necessidade de expansão das florestas artificiais”, diz o oficineiro Demétrius Sorgon, responsável pelo projeto dessa oficina . Ele ainda alerta: “Devemos lembrar que a celulose fornecida pelas árvores pode ser reciclada infinitamente; ou seja, o papel produzido hoje e que está em uso, poderia ser reutilizado, reciclado em quase sua totalidade”.

Na oficina, da mesma forma que em uma empresa, os estudantes são divididos em equipes que irão “trabalhar” desde a preparação do papel a ser reutilizado, transformando-o em matéria-prima, até a linha de produção do papel, e a sua utilização na confecção de peças coloridas como marcadores de livros. Outra finalidade é utilizar as folhas como suporte para trabalhos de arte na escola. A atividade da oficina é multidisciplinar, envolvendo professores de Arte, Matemática Financeira e Ciências.

Aluno aprende  e participa do processo de reciclagem de papel. Foto: Divulgação

Aluno aprende e participa do processo de reciclagem de papel. Foto: Divulgação

Outro benefício é que alunos do Fundamental II e do Ensino Médio trabalham a questão do empreendedorismo — já que as equipes formadas são responsáveis pela administração da “empresa”, o controle de qualidade, os cálculos e custos envolvidos na produção. A propaganda e o marketing também não são esquecidos. “Os produtos são desenvolvidos de forma a agregar valor e criar argumentos de vendas. Sempre respeitando as questões de sustentabilidade ecológica e social”, comenta Demétrius.

A diretora do Liceu Santa Cruz, Mirna Eloi Suzano, lembra que a experiência reúne práticas e técnicas manuais e de educação ambiental, proporcionando situações e problemas reais a serem resolvidos. “Dessa forma, estimulamos o raciocínio lógico e o trabalho em equipe, ajudando as crianças e jovens a mudarem a maneira de se relacionar com a realidade à sua volta”.

Outro aspecto salientado por ela é a oportunidade de os alunos ampliarem sua visão sobre a sustentabilidade. “É muito importante que todos percebam que a sustentabilidade não depende, necessariamente, de grandes ações. As pequenas ações cotidianas, que envolvem a separação e a reciclagem do lixo produzido por nós mesmos, por exemplo, são de grande significado. Ou seja, se cada um de nós fizer uma parte, por menor que seja, estaremos todos contribuindo para a manutenção do meio ambiente”, afirma Mirna Suzano.