Educação digital é fundamental para a geração Z

Educação digital é fundamental para a geração Z

Do Colégio

08 Junho 2016 | 12h25

Desde o seu surgimento após a Segunda Guerra Mundial, a rede de computadores não para de evoluir.  Utilizada com objetivos militares durante a Guerra Fria (período dos anos de 1960/70), hoje a internet alcança o mundo todo. E integrou-se tão fortemente à vida cotidiana que é cada vez mais difícil viver sem ela.

Em 2015, uma pesquisa realizada pela AVG Technologies mostrou que 66% das crianças do mundo, entre 3 e 5 anos, conseguiam usar jogos de computador, 47% sabiam utilizar um smartphone, mas apenas 14% era capaz de amarrar os sapatos sem ajuda. No caso das crianças brasileiras, o levantamento apontou que 97% delas, entre 6 e 9 anos, usam a internet e 54% têm perfil no Facebook.

Essa “dependência” levantou uma questão: como pais e educadores podem mediar o contato da chamada geração Z com tanta informação e tecnologia disponíveis?

Conectado à atualidade, o colégio Liceu Santa Cruz criou o projeto Cidadania Digit@l., com o objetivo de trabalhar questões fundamentais sobre temas como cyberbullying, redes sociais, exposição excessiva, atitude empreendedora no mundo digital, detox digital, entre outros. O projeto teve início este ano, com aulas semanais para alunos do 6º ao 8º ano do Ensino Fundamental II.

Projeto Cidadania Digital visa melhorar a utilização da internet pelos jovens. Foto: Daniel Guimarães.

Projeto Cidadania Digital visa melhorar a utilização da internet pelos jovens. Foto: Daniel Guimarães.

A professora Andreia Regina Ribeiro Gomes, responsável pelas aulas de Cidadania Digit@l, fala sobre sua importância e da metodologia utilizada: “De forma lúdica, prática e realista, as aulas de Cidadania Digital tem como objetivo fazer com que os alunos tomem conhecimento da seriedade que envolve o universo digital – seus muitos aspectos positivos, e pontos que merecem atenção. O trabalho de educação digital é extremamente necessário e nosso processo utiliza atividades, pesquisas, elaboração de cartazes, discussão, vídeos e dinâmicas para tornar a proposta interativa e motivadora para os jovens”.

A professora afirma que para o trabalho surtir o efeito desejado deve haver parceria entre pais, alunos e escola: “Tem que ser uma parceria. Não adianta os alunos aprenderem sobre a importância dos limites no uso da internet se, quando chegam em casa, eles não encontram este controle. Os pais devem participar, como já participam com pesquisas e questionamentos que os alunos levam em forma de lição de casa”.

Outro assunto amplamente discutido em classe sobre Cidadania Digit@l diz respeito ao cyberbullying e à exposição excessiva nas redes sociais. “A maneira mais eficaz para orientar os alunos é a conscientização do uso adequado da internet. Sempre levamos casos reais de cyberbullying, por exemplo, para discutirmos durante a aula”, comenta Andreia Gomes.

Esta conscientização também abrange os interesses e assuntos adequados para cada faixa etária. No decorrer do projeto, os alunos aprendem, com maior segurança, ética e responsabilidade, a tirar o melhor proveito das novas tecnologias. Além disso, segundo a professora, também é abordada a questão do detox digital. Os alunos aprendem sobre os malefícios do uso excessivo da web, redes sociais e outras ferramentas digitais contemporâneas.

A professora Andreia fala sobre como ocorre a desintoxicação digital e precauções que devem ser tomadas: “Nos dias atuais, muitos pais utilizam tablets, celulares e outras ferramentas digitais para entreter os filhos. O uso excessivo desse material todo pode causar uma dependência perniciosa aos jovens. Também realizamos um trabalho de conscientização com os alunos a partir dos dez anos. Eles recebem uma orientação adequada de uso das ferramentas digitais relativa à sua faixa etária. Por meio de vídeos e reportagens, mostramos causas e malefícios do uso exagerado das novas tecnologias”, informa a professora.

Ao que tudo indica, também no âmbito do mundo digital o dito popular “tudo em excesso faz mal” ganha força. A geração Z tem necessidade de aprendizado como da Educação Digital. Como comenta a professora, “Esta geração vive uma realidade muito diferente das anteriores. O acesso à informação e à tecnologia é amplamente maior e isso pode ser ruim. A tecnologia está aí para facilitar nossas vidas, mas é preciso saber utiliza-la ao nosso favor”.