Para pensar sobre a cultura negra: cinco filmes cheios de potência para levar para a sala de aula
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Para pensar sobre a cultura negra: cinco filmes cheios de potência para levar para a sala de aula

Instituto Singularidades

30 de junho de 2021 | 16h58

O Brasil conta com 54 % da população negra ou parda, segundo o último Censo. Ainda que a representatividade desta parcela da população nas artes, na cultura pop e na publicidade vem crescendo ao longo dos últimos, mas ainda há muito o que se fazer para reduzir esta e outras desigualdades.

O audiovisual é uma ferramenta potente para as professoras e professores trabalharem temas atuais — e outros há séculos presentes na sociedade brasileira, como o racismo e o desrespeito aos direitos civis da população negra — em sala de aula. A partir de olhares e focos diversos, diretores realizam filmes que convidam à reflexão, à busca de novos conhecimentos e ao desenvolvimento de uma nova forma de compreender o nosso país.

 

Filmes e outras peças audiovisuais são uma ferramenta muito potente de discussão e troca de conhecimentos. Imagem: Freepik

 

Baseando-nos nesta premissa, elaboramos uma seleção de filmes que tem como objeto a identidade, a cultura e a representatividade negras. Cada peça audiovisual aqui indicada é rica em potencial de gerar discussões e serem trabalhadas em sala de aula, principalmente com os dos últimos anos do Ensino Fundamental e todos do Ensino Médio. Confira a nossa seleção:

 

1 – A Negação do Brasil (2000)

Um dos documentários mais importantes sobre a presença negra no audiovisual, o cineasta Joel Zito Araújo analisa preconceitos, estereótipos e tabus em torno da atuação dos atores negros nas novelas, que por muitos anos foi o produto da indústria cultural mais popular no país.

Com entrevistas de atores e atrizes como Milton Gonçalves, Chica Xavier, Ruth de Souza (ambas falecidas nos últimos dois anos) e Zezé Motta e em duas pesquisas e memórias, Zito Araújo mostra como a televisão evoluiu quanto à representatividade negra, mas que o caminho a trilhar neste sentido ainda é longo.

 

2 – Branco sai, preto fica (2014)

Afrofuturismo, crítica social e registro documental compõem este longa-metragem dirigido por Adirley Queirós, que conta a rotina de dois homens negros que tiveram suas vidas marcadas depois de um tiroteio em um baile funk na periferia de Brasília. Um deles fica paraplégico, e o outro perde a perna no evento.

Um terceiro homem vem do futuro para investigar este acontecimento que mudou a vida da dupla e para investigar a responsabilidade da sociedade e do estado no acontecimento.

 

3 – Menino 23: Infâncias Perdidas no Brasil (2016)

Realizado por Belisário Franca, o documentário segue a investigação do historiador Sidney Aguilar, que em sua tese de doutorado na Universidade de Campinas (Unicamp) descobriu um fato assustador acontecido no Sudoeste do Brasil.

Tendo como ponto de partida tijolos com suásticas nazistas impressas, o pesquisador descobriu que 50 meninos negros e mulatos foram levados de um orfanato no Rio de Janeiro para uma fazenda no interior de São Paulo, que pertencia a uma família de empresários. Os meninos eram explorados e torturados, e o diretor vai em busca de um dos poucos remanescentes deste caso chocante.

 

4 – Kbela (2015)

Este curta-metragem realizado pela jovem diretora Yasmin Thayná faz um retrato sensível e sincero a respeito do cabelo das mulheres negras e seu lugar em sua identidade.

O racismo cotidiano, as tentativas de embranquecimento por meio de tratamentos químicos usados por mulheres negras há séculos, em contraste com a descoberta da potência que a aceitação dos fios crespos e sua conexão com a ancestralidade africana é retratada de forma delicada e, ao mesmo tempo, forte.

 

5 – AmaElo – É tudo pra ontem (2020)

Tendo como pano de fundo o concerto no Theatro Municipal de São Paulo, que lançou o disco que tem o mesmo nome do documentário, o rapper, ativista e escritor paulistano Emicida recorda e celebra o legado das culturas afro-brasileiras.

Emicida dá destaque a nomes que até há pouco tempo eram pouco conhecidos na escola e na academia, como a feminista e autora, socióloga e feminista Lélia González; o poeta, escritor e professor Abdias Nascimento, e o músico e compositor Wilson das Neves, entre outros.

O filme mostra também trechos do show no Municipal e cenas da cotidiano e da carreira do rapper paulistano.

 

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