O ensino híbrido veio para ficar
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O ensino híbrido veio para ficar

Instituto Singularidades

31 de agosto de 2021 | 14h39

Não há dúvidas de que um dos termos mais falados nos últimos meses no campo da educação foi ensino híbrido. Já bastante discutida e estudada, a modalidade ganhou ainda mais destaque em tempos de pandemia, quando educadores tiveram que se adaptar a uma nova prática pedagógica, as aulas remotas, e veio para ficar. Em linhas gerais, entendemos o ensino híbrido como uma modalidade que une o ensino presencial e o on-line. Mas será que podemos resumi-lo a uma mera junção do ensino tradicional com a tecnologia?

Na urgência da manutenção do ensino, surgiram várias confusões, como pensar-se que somente a transposição dos conteúdos expositivos para as plataformas on-line seria o mesmo que fazer a devida aplicação do ensino híbrido no cotidiano escolar.

Inicialmente, é preciso destacar que a prática dessa modalidade de ensino coloca os estudantes no centro do processo de aprendizagem e os convida a utilizar a tecnologia para conhecer os conteúdos e, nos momentos presenciais, compartilhá-los ou discuti-los ativamente com os colegas, sob a mentoria da professora ou do professor. Essa configuração gera interação, colaboração e aprendizagens.

 

O ensino híbrido permite a personalização do ensino e planejamentos desenhados exclusivamente para cada aluno. Imagem: Acervo Singularidades/Pixabay

 

Desmitificamos aqui um dos principais equívocos que surgem ao tratarmos de ensino híbrido: o presencial ainda é parte essencial nessa engrenagem.

A tecnologia surge, assim, como uma ponte para viabilizar a conexão entre o ensino presencial e o a distância. Perceba que ela não assume, portanto, o lugar principal, mas o de aliada para colaborar como o avanço das aprendizagens dos estudantes.

Algumas soluções tecnológicas aplicadas à educação, inclusive, facilitam a personalização das atividades em sala de aula e o ensino colaborativo, permitindo que os estudantes aprendam de forma autônoma, em seu próprio ritmo e de acordo com seus interesses.

Além disso, combinado ao ensino personalizado, o ensino híbrido possibilita a identificação de dificuldades das alunas e dos alunos, de forma individual ou coletiva. Para isso, o educador ou a educadora poderá usar ferramentas que o auxiliarão em seu trabalho, que antes era apenas manual.

Esse contexto é um convite para reavaliarmos o que conhecemos e discutimos até então sobre o que é ensino híbrido, suas diversas possibilidades e quais os caminhos possíveis para os educadores desenvolverem mais ferramentas de apoio para os estudantes em sala de aula.

 

Quais os modelos e possibilidades do ensino híbrido?

Partindo do plano pedagógico, um dos possíveis modelos é a aula em rotação de estações, que é baseado na criação de diferentes ambientes dentro de uma sala de aula. Tendo a sala de aula organizada em circuitos, os estudantes podem debater e trocar impressões sobre o conteúdo com diversos grupos.

Por meio da formação de grupos heterogêneros e com tarefas diversas, a professora ou professor pode oferecer aos estudantes a oportunidade de entrar em contato com diferentes pontos de vista, ideias e realidades.

 

Como promover a aprendizagem personalizada baseada em competências?

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) estabeleceu como marco o desenvolvimento de 10 competências gerais, que servem como orientação para o ensino em cada ano e área de conhecimento. A partir do estabelecimento de um processo voltado para o desenvolvimento de competências, o ensino personalizado passou a ser uma das formas de promover um ambiente no qual alunas e alunos possam tomar decisões e desenvolver autonomia dentro de seu processo de aprendizagem.

Como comentamos anteriormente, esta personalização pode colaborar com o processo de aprendizagem, ao oferecer formas de adaptar-se às necessidades e interesses dos estudantes, por meio, por exemplo, da solução de dúvidas de maneira mais simples. Programas personalizados também podem proporcionar um planejamento de estudos que permita enfatizar as competências em que os estudantes tenham mais dificuldades.

 

Quando o uso das tecnologias digitais potencializa as aprendizagens?

O escritor e especialista em educação Marc Prensky criou em 2001 o conceito de nativos digitais: a geração que nasceu e cresceu com acesso à internet. Segundo Prensky, as mudanças nas metodologias, currículos e sistemas de ensino precisariam levar em conta esses novos perfis, pois alunos e alunas dessa geração (também chamada de “Z”) têm formas diferentes de pensar e processar as informações.

Com o crescimento da internet, houve o surgimento de centenas de aplicativos, sites e outros recursos tecnológicos com utilizações diversas, inclusive na educação.

Há que se dizer que houve também uma certa “fetichização” desses recursos como uma solução para os problemas educacionais, o que no Brasil, país no qual a desigualdade social ficou ainda mais evidente com a pandemia, mostrou-se falso e injusto.

É fato que a implementação de recursos digitais passou a ser vista como sinônimo de inovação, mas ainda que haja diversas estratégias inovadoras na educação que se relacionam fortemente com a tecnologia, as metodologias ativas de aprendizagem não são exclusivamente atreladas ao uso de aplicativos e dispositivos.

A essência dessas abordagens educacionais inovadoras está nos estudantes, que assumem o protagonismo, e nos educadores, que se apropriam da mediação das aprendizagens.

 

Como planejar aulas no modelo híbrido considerando os diferentes contextos emergentes?

Uma das ferramentas para realizar esse planejamento diante dos novos contextos educativos é o design thinking. Esta é uma área do conhecimento que vem sendo usada em diversos momentos para melhorar experiências de cidadãos e, também, de estudantes.

Para criar essa forma de planejamento, é necessário olharmos para o contexto local, para os envolvidos no processo e, também, para o contexto global. Responder questões como quem é essa aluna ou esse aluno, como é o seu entorno, quais são suas necessidades e como pode ser influenciada ou influenciado pela cultura trarão informações para criar-se uma persona no qual deverá ser baseado esse design.

Com alguns destes pontos em mente, o docente poderá definir quais objetivos alcançar, não apenas de conteúdo, como também em relação ao desenvolvimento de competências.

Uma forma interessante de desenhar este processo é a partir da criação de pequenos planejamentos: uma única atividade, uma aula ou uma etapa de um projeto. Para fazer esta proposta, deve-se levar em conta os recursos à disposição dos estudantes, as potencialidades do ambiente remoto para o ensino híbrido e as formas de avaliação do desenvolvimento de competências previstas naquele componente curricular.

Para finalizar, muitos especialistas em educação e a prática de diversos docentes em todo o país vêm sugerindo que o ensino híbrido vai ser uma das heranças benéficas que este longo e difícil processo que a educação brasileira vem enfrentando desde março de 2020. Que escolas, educadores e governos possam se utilizar desta abordagem para construir uma forma mais humana, inclusiva e acessível de educação, para todos e todas.

 

Para saber mais: http://institutosingularidades.edu.br/novoportal/
Entre em contato: singularidades@singularidades.com.br

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