Como controlar a ansiedade dos estudantes em tempos de Covid-19
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Como controlar a ansiedade dos estudantes em tempos de Covid-19

Instituto Singularidades

26 de abril de 2020 | 09h49

Com o surgimento da pandemia da Covid-19, pessoas de todas as idades tiveram suas rotinas totalmente modificadas, assim como seus níveis de ansiedade. A recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) é que todos devam ficar em casa o máximo de tempo possível, para que o vírus se espalhe com menos velocidade, afetando um número menor de pessoas.

E entre quem está em casa, os adolescentes e crianças também sofrem com o estresse e a avalanche de informações que a imprensa e as redes sociais lançam sobre este tema, diariamente, além das dificuldades em lidar-se com a distância dos amigos e da escola.

Para guiar pais e educadores nessa tarefa de ajudar seus filhos e alunos neste momento, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) reuniu dicas para reduzir a ansiedade dos mais jovens, com a consultoria da psicóloga norte-americana especializada em adolescentes e jovens Lisa Damour. Confira quatro das principais delas a seguir:

 

1 – Reconhecer que a ansiedade normal

Cabe aos pais e aos professores – estes últimos, ainda que de forma virtual, por meio do grupo de Whatsapp da classe ou durante as aulas on-line, que muitas escolas adotaram – que a ansiedade surgida do fechamento das escolas, da impossibilidade de circulação e das notícias (muitas vezes desesperadoras) nos jornais e mídias sociais é um sentimento normal, que não é errado que crianças e adolescentes sofram com isso.

Para evitar que adolescentes e crianças mergulhem em notícias falsas ou excessivamente pessimistas, indiquem-lhe fontes confiáveis de informação sobre a Covid-19 (como os sites da Unicef e da Organização Mundial da Saúde, a OMS). Ajudar-lhes nessa curadoria será um ótimo exercício para pais e professores, e uma ferramenta muito útil para filhos e alunos.

Outro ponto de ansiedade é se os mais jovens apresentem algum dos sintomas da doença. Pais e professores devem estar atentos a isso, e perguntar-lhes constantemente como se sentem, checar seus hábitos e incentivá-los a dormir e comer bem.

 

2 – Descobrir formas de distrair-se e desconectar-se

É importante que, em momentos de crise, tanto adultos quanto crianças e adolescentes saibam que “há coisas sobre as quais se pode fazer algo e outras sobre as quais não podemos”, salienta Lisa Damour.

Assim, criar alternativas para distrair-se é uma maneira excelente de se lidar com essas frustrações. Ver um filme ou uma série depois de fazer as tarefas da escola ou das aulas on-line é sempre uma boa pedida.

Inclusive, os pais e professores podem montar listas de filmes e séries interessantes e compartilhar com seus alunos. O mesmo pode ser feito com livros, que os adolescentes podem ler antes de dormir, no lugar do contato quase onipresente do celular.

 

3 – Perto dos amigos, mesmo de longe – mas com moderação

Crianças e adolescentes sofrem muito com o distanciamento dos amigos. Muitas vezes, até as férias causam neles sentimentos de tristeza. Por essa razão, a Unicef recomenda que as conexões on-line sejam usadas para que este vínculo se mantenha forte.

Criar desafios por meio do aplicativo Tik Tok (muito popular entre os pré e adolescentes) ou mesmo Instagram (como tutoriais de como de lavar as mãos da forma mais eficiente, ou formas de criar-se uma máscara usando itens que se tem em casa) pode ser divertido.

Para os pequenos, que não têm celular ou não sabem muito como usá-lo, os pais e professores podem criar salas de reunião ou mesmo sessões de Facetime para que eles se vejam e conversem entre si, mostrem seus brinquedos e como têm brincado em casa.

Entretanto, reforça a psicóloga, cabe aos pais restringir o tempo de tela dos filhos, para que a ansiedade por novidades, que já existia antes da Covid-19, não se combine à ansiedade gerada pela nova doença, fazendo um estrago ainda maior no bem-estar dos jovens.

 

4 – Não ter medo de mostrar os sentimentos

Grande parte dos adolescentes e crianças vêm se sentindo extremamente decepcionados por perder as festas de aniversário, as brincadeiras no parquinho, o cinema ou as saídas com os amigos. Entretanto, muito deles têm dificuldade em abrir-se e falar de seus sentimentos com seus pais ou educadores. A psicóloga Damour reforça que deve-se explicar-lhes que estar triste faz parte do crescer e da vida e, além disso, mostrar-se totalmente receptivo a escutá-los é fundamental.

 

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