BNCC no ensino médio: os próximos desafios
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BNCC no ensino médio: os próximos desafios

Instituto Singularidades

31 de janeiro de 2020 | 12h07

Depois de vários anos de debates e ajustes entre governo, escolas, professores e educadores, da sua apresentação para consulta pública em 2015 e posterior homologação em 2017, a nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC) passará a valer neste ano, para todo o ensino infantil e fundamental, tanto na rede privada quanto na pública.

Entretanto, a base do ensino médio, homologada em 2018, passará a vigorar apenas em 2021. Os princípios de se trabalhar com habilidades e competências, alinhando os alunos às demandas do mundo contemporâneo estão presentes em todas as instâncias do novo documento oficial.

De acordo com o site do Ministério da Educação (MEC), a lei nº 13.415/2017 alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, estabelecendo uma mudança na estrutura do ensino médio, que amplia o tempo mínimo do estudante na escola de 800 para 1.000 horas anuais (o que deverá acontecer até 2022).

Este mesmo instrumento legal definiu uma nova organização curricular que contempla uma base que ofereça diversas possibilidades de escolhas aos professores, com itinerários formativos, foco nas áreas de conhecimento e na formação técnica e profissional.

Segundo Sofia de Alencastro, supervisora de Projetos Pedagógicos do Instituto Singularidades, o maior desafio na implantação da base do ensino médio e em todas as outras instâncias será a mudança de paradigma de educação.

“Os currículos devem ser revistos e os itinerários construídos, e para isso os professores devem estudar como trabalhar e avaliar competências e habilidades”, assinala.

A nova BNCC do ensino médio traz à tona um conceito muito valorizado na educação do presente e do futuro, o projeto de vida. Sofia acredita que a proposta da nova base não negue e nem se oponha à preocupação com a empregabilidade e com o mercado de trabalho.

“Pelo contrário, os itinerários formativos buscam oferecer aos jovens a aproximação e a compreensão do que é o mundo do trabalho na atualidade, ajudando-os a fazer escolhas com sentido e aproximando seus projetos de vida de suas competências e oportunidades reais do mercado de trabalho”, reforça a supervisora.

Sofia também chama a atenção para outra mudança substancial que a nova base trará para o ensino médio, que é o aumento da carga horária. Segundo ela, isso não quer dizer que as escolas serão obrigadas a tornarem-se integrais, mas sim que terão de oferecer uma quantidade maior de aulas, o que não implica em um aumento da carga horária do currículo básico.

“Com a estrutura de itinerários, os alunos deverão cursar um currículo genérico e escolherão caminhos que poderão ser profissionalizantes ou decorrentes de áreas de conhecimento”, complementa.

A ser implantada em 2021, a nova BNCC vai mudar – e muito – a estrutura do ensino médio. Imagem: Acervo Singularidades

Novas formas aprender, ensinar e gerir

Outra mudança que merece ser citada é que no currículo básico, de acordo com Sofia, “o trabalho será organizado por áreas de conhecimento e não por disciplinas, o que diminuirá a fragmentação do conhecimento e valorizará a aprendizagem significativa, além dos projetos integrados”.

A supervisora aposta que a avaliação também deverá sofrer alterações, pois o planejamento do trabalho organizado em função do desenvolvimento de competências e habilidades pedirá uma forma de se avaliar os estudantes de maneira processual e formativa.

A presença das metodologias ativas no ensino médio também deverá crescer, prevê Sofia, uma vez que as competências gerais propostas pela nova BNCC pressupõem um aluno protagonista e ativo na construção do conhecimento. “O uso destas metodologias em sala de aula podem ajudar muito a promover esse tipo de aprendizagem”.

Neste cenário repleto de novas demandas, a formação continuada dos professores e sua abertura para o novo se fazem mandatórias. Perguntada como deveria ser este “novo professor do ensino médio”, Sofia responde que traçar um perfil exato é difícil, mas que alguns pontos devam ser valorizados: capacidade de trabalhar em equipe, ter domínio dos conhecimentos estruturais das disciplinas que fazem parte de sua área, compartilhar e construir projetos integrados com outros professores, além de coordenar seu trabalho com outras áreas e o currículo específico dos itinerários.

“Penso que este professor precisará desenvolver suas competências de trabalho com metodologias que busquem um aluno ativo e protagonista de seu aprendizado, e que esteja próximo de seus estudantes, com uma escuta ativa e crítica. Também será necessário a ele desenvolver competências avaliativas, que considerem o desenvolvimento das habilidades e competências, e o hábito do feedback aos alunos”, reforça a supervisora.

Para finalizar, Sofia relembra que as mudanças propostas pela nova base no ensino médio (da mesma forma que em outras etapas do ensino básico) irão impactar toda a comunidade escolar, incluindo-se aí os gestores.

“O papel do gestor e da equipe pedagógica, coordenadores e orientadores escolares, será fundamental tanto ao realizar ações como ajustes e revisões do Projeto Político Pedagógico da escola, quanto dos currículos e da construção e oferta dos itinerários”, conta.

Serão necessários muito trabalho e uma proposta de comunicação direta e fluente entre estes profissionais e membros da comunidade escolar. Sofia sugere que o modelo de gestão participativa poderá ser muito eficaz, tornando todos agentes deste movimento.

 

Sofia de Alencastro é supervisora de Projetos Pedagógicos do Instituto Singularidades

 

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