As contribuições da Educação Financeira no contexto pós-pandemia
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As contribuições da Educação Financeira no contexto pós-pandemia

Instituto Singularidades

30 de setembro de 2020 | 15h30

A pandemia do COVID 19 nos impôs uma situação de confinamento e distanciamento social, afetando profundamente a vida de todos. A retomada das atividades nos conduzirá a caminhos diferentes daquele em que estávamos, novos caminhos revelam novos desafios e para superá-los serão necessárias diferentes habilidades, inéditas formas de ver e interagir com o mundo.

Após a pandemia, a educação financeira pode ganhar mais destaque nos planejamentos dos professores. Imagem: Pixabay.com

Quando se trata de doenças infecciosas, a vacina se constitui em um dos meios mais eficazes de combate. A imunização produzida desempenha papel fundamental no processo de erradicação da doença tornando-se um pilar para a retomada de nossas vidas.

Aqui queremos tratar, de forma prática e objetiva, do pilar financeiro, que envolve habilidades de planejamento, organização, execução e avaliação, desenvolvidas por meio da Educação Financeira, que é apresentada na BNCC como um “tema contemporâneo que afeta a vida humana em escala local, regional e global”.

A base sugere que esse tema seja tratado de forma transversal e integradora, com o objetivo de contribuir para a tomada de decisões financeiras autônomas e conscientes.

São conhecidos os resultados de trabalhos que evidenciam a relevância e o impacto positivo nas famílias dos alunos que estudam temas como economia solidária, controle de gastos, controle orçamentário, planejamento e outros temas da educação para o consumo e educação fiscal.

Os conceitos estudados em sala de aula podem ajudar as famílias de muitas formas, inicialmente conscientizando-as sobre a necessidade de elaboração de um planejamento doméstico, um levantamento no qual se possa visualizar as receitas e as despesas redundantes.

Esse planejamento pode fornecer elementos para que sejam feitos ajustes orçamentários de acordo com a nova realidade, a ideia é que o fluxo de dinheiro que sai deve ser menor do que o fluxo que entra.

Nossa intenção aqui é apresentar contribuições que possam gerar subsídios para o desenvolvimento de temas ligados à educação financeira: relato de experiências que foram aplicadas nas aula de matemática, inclusive de maneira remota, e trabalhos acadêmicos que podem inspirar a criação de novas práticas por evidenciarem um sólido vínculo com a realidade escolar.

 

Como equilibrar receitas e gastos?

A primeira atividade proposta é uma investigação mediada pela análise da Figura 1, a observação desta figura revela que receitas e gastos são iguais, sugerindo situação de equilíbrio.

 

Os valores envolvidos nos três blocos podem aumentar, diminuir ou permanecer estáveis, representadas por meio da variação de tamanho das figuras, assim são possíveis outras configurações. A Figura 2 apresenta algumas:

As análises dessas situações oferecem potencial para investigações e proposições de ações de mudança: importância de mapear e controlar pequenos gastos; adotar o consumo consistente de produtos de higiene e limpeza; comprar no bairro; planejar compras; vender objetos que não usa mais e fazer doações.

Jaqueline Santos Souza, em seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) “Educação Financeira nas escolas: Impactos no presente, passado e futuro”, apresentado em 2017, aborda o resultado da investigação desenvolvida em uma escola de educação básica, que adotava um projeto de educação financeira nas turmas do Ensino Fundamental.

A formanda analisou o impacto dessa proposta na comunidade escolar, e criou atividades que pudessem contribuir com as práticas desenvolvidas.

Em seu TCC “Recursos digitais para o ensino e aprendizagem de Educação Financeira”, apresentado em 2018, Caroline Ramos Araújo traz, na primeira parte de seu trabalho, uma curadoria sobre aplicativos disponíveis para o desenvolvimento de temas da educação financeira acompanhados de sugestões de uso.

Na segunda parte, a aluna apresenta e analisa os resultados de suas intervenções utilizando as aplicações pesquisadas e outras autorais.

Já Maria Gabriela Lanchi Feitosa, em “A Educação Financeira no Ensino Médio: um olhar acerca de sua importância e uma possível aplicação prática”, TCC de 2019, analisa as diretrizes para a educação financeira propostas pela ENEF (Estratégia Nacional de Educação Financeira) e seus reflexos no currículo do Estado de São Paulo.

Na segunda parte, apresenta e analisa os resultados de suas intervenções utilizando as aplicações pesquisadas e outras autorais.

Paralelamente, a estudante constrói uma sequência didática para abordar o tema “sociedade e consumo”, analisando a atuação de robôs nos sites de pesquisa.

Esperamos ter cumprido a missão de apresentar experiências sobre o desenvolvimento de temas de Educação Financeira desenvolvidas em sala de aula da educação básica e sugestões de trabalhos com potencial para inspirar a criação de novas propostas.

Antonio Alexandre da Silva é graduado em Engenharia Química pelas Faculdades Oswaldo Cruz, e em Ciências com habilitação em Matemática, pela Faculdade Paulistana de Ciências e Letras (1988). É professor da graduação em Matemática do Instituto Singularidades. 

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