A gestão escolar do futuro e os desafios à sua espera
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

A gestão escolar do futuro e os desafios à sua espera

Instituto Singularidades

17 de abril de 2019 | 12h43

Os gestores escolares do futuro terão diante de si desafios que vão muito além do que vinham aprendendo e executando até agora. Compreender as necessidades humanas e tecnológicas da comunidade escolar ganhou mais importância num mundo hiperconectado e com relações cada vez mais superficiais, no qual o Whatsapp tantas vezes substitui a boa e velha conversa ao vivo.

Mais além disso, é cada vez mais obrigatório estar atento às mudanças no mundo do trabalho, que pede um olhar diferente quanto às profissões não tradicionais. Nestas últimas décadas, a sociedade vem passando por grandes transformações tanto nas relações cotidianas, como na economia e na forma como é visto o ambiente.

E um dos grandes desafios do gestor é acompanhar este novo cenário, além de propor possibilidades estratégicas para seu projeto educacional.

Existe um aspecto muito relevante que deve receber particular atenção deste novo gestor: o mundo do trabalho. Com as novas formas de produção, que recebem grande influência da cultura digital, devem-se repensar as relações de tempo, de espaço, as hierarquias e os papeis funcionais do trabalhador.

Sejam as perspectivas dos alunos no futuro, como novas formas de trabalho e o desaparecimento de muitas funções, sejam os professores e todos os trabalhadores envolvidos no projeto de escola liderado por este gestor. É importante também atentar-se a maneiras de remunerar aulas a distância, às formas de gerir conexões educativas on-line e os modelos de gestão compartilhada da escola.

 

Cultura de troca e planejamento

Criar uma cultura de troca entre todos os atores escolares (alunos, famílias, funcionários administrativos, professores) para o encaminhamento e solução dos problemas complexos passa a ser urgente.

Pensar numa gestão compartilhada, no acompanhamento de tendências e na leitura antecipada de possíveis problemas será fundamental para o administrador escolar conduzir com eficiência seu projeto e o desenvolvimento de toda comunidade educativa.

Planejar será cada vez mais fundamental. Não como elemento de amarra, mas como um referencial. Neste universo tão dinâmico, diariamente surgem imprevistos e oportunidades que exigem um replanejamento administrativo. Mais do que nunca, uma visão estratégica será imprescindível, e também estendê-la ao propósito e à manutenção da cultura institucional.

Flexibilizar as emergências cotidianas não pode alterar essa visão da instituição, sob o risco de perda de foco e eficiência. Assim, planejar para replanejar, para redimensionar orçamentos, processos e alocar pessoas para que atinjam seu máximo potencial será urgente.

Neste cenário imprevisível, será muito importante estar atento ao cotidiano, ler suas dinâmicas, apoiar decisões de colaboradores sem abandonar os propósitos e a cultura institucional.

Essa “visão de helicóptero” será fundamental para que a instituição atinja seu nível ótimo em um ambiente de grandes turbulências. O foco cada vez mais é a conectividade. Mas atenção: investir em hardwares como computadores cada vez mais se torna temoroso, uma vez que a taxa de obsolescência desses aparatos é muito alta.

Por outro lado, a popularização de aparelhos móveis estimula que deleguemos aos usuários a responsabilidade de portá-los, em um conceito denominado BYOD (do inglês “Bring Your Own Device” ou “Traga o seu próprio dispositivo” em português). Caberá à escola investir em aparelhos que possibilitem essa conectividade, como wi-fi e softwares de segurança.

Está claro que para as crianças que ainda não portam celulares e outros portáteis haverá a necessidade de PCs na escola, mas que exigirão menos atualizações que os destinados aos estudantes mais velhos e professores mais antenados à tecnologia.

Investir em uma Tecnologia Educacional (TE) será muito importante, por meio da contratação de apaixonados pelo mundo digital e a formação deles para as necessidades didático-pedagógicas da escola. Ainda nesse campo, o ser humano e seu olhar será fundamental.

O gestor do futuro deverá lidar com questões complexas. Foto: Acervo Singularidades

 

Os problemas contemporâneos não podem mais ser resolvidos com visões hegemônicas do passado

As questões de identidade cultural (sexo, raça, social) devem ser levadas em conta na hora de compor o quadro de colaboradores. A diversidade de origens, ideologias e posições é primordial para que possamos propor na escola diferentes pontos de vista.

Os problemas contemporâneos não podem mais ser resolvidos com visões hegemônicas do passado. Hoje, há diversos grupos organizados da sociedade que defendem projetos minoritários, afirmações de cultura e de ideias.

Ao contratar novos colaboradores, é sempre interessante ativar esses grupos para que eles possam contribuir e indicar pessoas para ocuparem as posições necessitadas. Buscar uma multiplicidade de vozes para que contribuam eficientemente para atingir os objetivos da escola é uma das formas atuais mais importantes e interessantes para a nova gestão escolar.

Conhecimentos técnicos de um administrador, conhecer elementos do mundo da educação, ser antenado com as mudanças sociais, bem informado e ter o propósito de transformação dos indivíduos e da sociedade para um mundo mais justo e melhor como agente norteador de suas ações são características definitivas do profissional que deseja ser um gestor escolar. Para encerrar, muita paixão pelo que se faz é fundamental!

 

Miguel Thompson é Diretor Executivo do Instituto Singularidades.  Licenciado em Biologia pela Universidade Mackenzie, doutor e mestre em Oceanografia pela Universidade de São Paulo (USP), Thompson também tem um MBA em Marketing pela Fundação Instituto de Administração (FEA), da mesma instituição.

Tendências: