A escola apresenta o mundo aos futuros professores
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A escola apresenta o mundo aos futuros professores

Instituto Singularidades

08 de novembro de 2019 | 12h00

Imagine os estudantes visitando a feira vizinha à escola e aprendendo sobre pesos e medidas, sobre economia sustentável, sobre alimentação orgânica, sobre argumentação, sobre jornada de trabalho, sobre setorização do espaço… Tudo isso em uma simples visita a um lugar diferente.Os benefícios de uma aula deste tipo incluiriam engajamento, trabalho colaborativo, aprendizado significativo, interdisciplinaridade e autonomia: todos como resultados de um aprendizado por vivência.

 

A cidade como espaço de aprendizagem

Os conceitos de cidade educadora e de territórios de aprendizagem não são novos, mas têm ganhado cada vez mais visibilidade em discussões sobre inovação na educação e aprendizagem significativa, formando os estudantes para o século XXI.

O Projeto Minerva Internacional, por exemplo, propõe uma formação universitária em diversos campi ao redor do mundo. Os estudantes passam parte de sua formação em cidades como Buenos Aires, Nova York, Seul, São Francisco e Berlim, entre outras.

Alunos do curso de Letras do Singularidades durante visita à Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema, interior de São Paulo. Foto: Acervo Singularidades

Os universitários aprendem sobre o mundo no mundo. É um projeto caro, para uma minoria privilegiada, com certeza. Mas mesmo aqui, no Brasil, encontramos experiências exitosas em diversos espaços, seja com Tião Rocha no CPDC, seja no Projeto Âncora (em Cotia), seja na EMEF Campos Salles (em Heliópolis) ou na Fazenda da Toca (em Itirapina, interior de São Paulo).

Guardadas as particularidades de cada um desses projetos, todos têm em comum a concepção de que se aprende sobre a vida vivendo, se aprende sobre a sociedade estudando-a e interagindo com ela, simultaneamente, e se aprende sobre o planeta observando-o e interagindo com ele.

A escola tradicional, fechada em seus muros, é herdeira de uma prática pedagógica que supervaloriza a abstração, desvinculada das experiências e das vivências dos alunos.

Falamos sobre a árvore: sobre sua reprodução, sobre sua importância, sobre como se alimenta e como respira, e fazemos tudo isso dentro da sala de aula, desenhando uma árvore no quadro ou projetando uma no telão da sala, enquanto árvores de verdade circundam o espaço onde nossos alunos se reuniram para aprender.

É a elegia da abstração: eu aciono a imagem de uma árvore para a aprendizagem, enquanto existe uma árvore real a poucos metros de minha aula!

 

Como levar essa visão para a formação dos professores?

Em um mundo cada vez mais conectado, no qual a democratização das tecnologias digitais tem permitido o fácil acesso a conteúdos científicos sistematizados, a aprendizagem significativa, no mundo real, apresenta-se como um caminho interessante e necessário para dar conta das demandas da contemporaneidade. No curso de  Letras do Instituto Singularidades, acreditamos em uma formação de professores que enxergue na cidade seu potencial de aprendizagem.

Nesse sentido, quando saímos da sala de aula, não vemos essa saída como uma “visita cultural”, um “passeio”: entendemos as aulas externas como momentos fundamentais para a apropriação do conhecimento e para que nossos futuros educadoras e educadores percebam que o aprendizado faz mais sentido quando estimulado no mundo real.

Sendo assim, já fomos aprender sobre neologismos (formação de novas palavras) e estrangeirismos em um shopping center; já estudamos o estilo barroco no Museu de Arte Sacra; aprendemos sobre língua de contato na Feira Boliviana da Praça da Kantuta; visitamos editoras para entender o processo de produção de material didático; fomos ao Memorial da Resistência para consolidar os estudos sobre romances que tratam da ditadura militar no Brasil etc.

Essas são algumas das ações que compõem a formação dos professores pelo curso de Letras do Singularidades. Nos cursos de Pedagogia e Matemática a concepção é a mesma: aprende-se em múltiplos espaços, ocupando a cidade e apresentando seu potencial educador para nossos alunos das licenciaturas.

Vivemos outros tempos, outros ritmos e outras relações com o conhecimento. A era da abstração pura nos acena da janela, dizendo adeus. O aprendizado significativo, ansioso, urgente, bate à porta e nos convida para caminharmos pelo bairro. Já está na hora da escola aceitar esse convite. Você o aceita?

 

Marcelo Ganzela Martins de Castro é coordenador do curso de Licenciatura em Letras do Instituto Singularidades.

 

Para saber mais: http://institutosingularidades.edu.br/novoportal/produto/letras-graduacao/
Entre em contato: singularidades@singularidades.com.br

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