A diversidade como eixo estratégico
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A diversidade como eixo estratégico

Instituto Singularidades

31 de janeiro de 2019 | 14h29

Um dos principais valores de uma democracia é o respeito à diversidade de sua população. É a partir dos olhares múltiplos das diferentes culturas presentes em um grupo social que as questões da complexidade contemporânea podem ser encaminhadas.

No passado recente, acreditou-se que o estabelecimento de hegemonias étnicas e culturais formariam sociedades superiores às híbridas, multiétnicas, multiculturais e pluripartidárias.

Ainda hoje é possível ouvir em diferentes partes do planeta sociedades intolerantes às diferenças. Nada mais falacioso e equivocado do que a manutenção de uma visão única para a resolução dos problemas que emergem na complexidade do mundo atual.

Somado ao discurso ético de valorização das diferenças, podemos adicionar necessidades instrumentais à manutenção da diversidade em uma sociedade em busca de soluções originais para o encaminhamento de questões emergentes.

Ouvir as minorias é fundamental para que novas ideias surjam, questionando modelos estabelecidos, mantidos mais pela tradição do que pela capacidade de responder às demandas da contemporaneidade.

A reflexão, o pensamento dialético, a argumentação e a comparação de diferentes possibilidades para o encaminhamento de soluções criativas e inovadoras só é possível quando fomentamos e estimulamos a participação efetiva dos muitos participantes de uma sociedade.

As unanimidades não são só burras (como dizia o grande escritor brasileiro Nelson Rodrigues), mas também pouco funcionais para a dinâmica e a velocidade das transformações que estamos vivendo. É preciso criticar comportamentos estabelecidos e criar possibilidades originais para os novos problemas, que insistem em surgir com uma frequência cada vez maior.

A diversidade enriquece o mundo nos mais variados aspectos. Foto: Galvão/Acervo Singularidades

 

Tempo de acolher as diferenças

Nos aspectos microssociais, empresas, escolas ou outras instituições não podem sobreviver às transformações atuais se não se abrirem a diferentes formas de ver o mundo. O olhar feminino, a cultura negra, as reivindicações dos movimentos LGBTI ou qualquer outro movimento indentitário, ideológico ou setorial deve ser considerado como contribuinte essencial na construção da cultura institucional, seja para a elaboração de seus propósitos, seja para elaboração de bens e serviços assertivos para seus usuários.

As minorias não devem se curvar às maiorias. Devem cooperar para o aperfeiçoamento das instituições, para o estimulo à criatividade e para as possibilidades inovadoras tributárias dessa integração. Qualquer empreendimento contemporâneo será bem melhor sucedido se estiver aberto à realidade diversa e complexa de nosso mundo.

Políticas afirmativas devem ser consideradas não apenas pelo seu imperativo ético e de dívidas históricas, mas também como elementos para o enriquecimento das relações sociais, reflexões comunitárias e melhorias institucionais.

Para a sobrevivência em um mundo globalizado e globalizante, a formação desse cidadão se dá no cotidiano, no entorno do bairro, na cidade, em um exercício para a convivência com a rica multiculturalidade local e múltiplas experiências sociais.

Um dos pensadores liberais mais importantes, o inglês John Stuart Mill, acreditava que seria a partir da liberdade de diferentes vozes na sociedade que surgiriam as inovações que estimulariam o avanço das sociedades capitalistas livres.

Charles Darwin defendia que as populações, com suas pequenas diferenças (isto é, formadas a partir de variadas linhagens populacionais), eram mais resistentes às mudanças ambientais, e com mais condições de sobreviver e perpetuar sua espécie ao longo do tempo. Todos nós conhecemos a fragilidade de cães de raça pura frente aos famosos vira-latas.

Adam Smith postulava que a economia avança quanto mais empresas atuam em um mercado, com diferentes soluções para problemas similares. Sem as famosas startups, o mundo economicamente rico não teria mantido seu poderio contemporâneo.

Monopólios (cultural, econômico, ideológico) não são bons negócios para a sociedade como um todo. Liberalismo, seleção natural e mercados competitivos são alguns exemplos que corroboram com a necessidade de se estimular a diversidade em uma sociedade, discurso que, como vimos, não é exclusividade de ativistas sociais.

De forma geral, os ativistas clamam para uma diversidade que conduza à equidade e à igualdade social, o desenvolvimento humano e, consequentemente, o crescimento da riqueza de uma nação. Imaginar diferente e estimular a diferença é vital para o avanço da sociedade, seja andando pelo mundo dos socialistas, dos multiculturalistas, dos liberais, dos ativistas e dos muito pelo contrário.

Imaginar um mundo monotemático, dicotômico (azul/rosa, masculino/feminino, direita/esquerda) e arbitrário não contribuirá para o aperfeiçoamento da nossa sociedade. Viva a diferença, viva o arco-íris, viva o vira-lata!

 

Miguel Thompson é Diretor de Operações do Instituto Singularidades.  Licenciado em Biologia pela Universidade Mackenzie, doutor e mestre em Oceanografia pela Universidade de São Paulo (USP), Thompson também tem um MBA em Markting pela Fundação Instituto de Administração, da mesma instuição.

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